Horticultura ganha destaque na economia do Sul de Minas

Morango, mandioquinha-salsa, couve-flor e brócolis estão entre as principais produções.

O Sul de Minas Gerais é um grande produtor de café e o cultivo da batata também já foi famoso na região. Mas, nos últimos anos, a atividade agrícola que vem crescendo significativamente nos municípios mais próximos da divisa com São Paulo é a horticultura. O segmento passa por expansão tanto em área cultivada, como no Produto Interno Bruto (PIB) local.

Dados do Sistema Safra da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG) de 2020 mostram que, na Unidade Regional da empresa em Pouso Alegre, que abrange 44 municípios, o PIB do cafeicultura é de R$ 489 milhões (47,2 mil hectares em produção). Enquanto isso, o produto interno bruto da horticultura/olerícolas (área cultivada de 13,8 mil hectares) é de R$ 1,2 bilhão. Ou seja, cerca de duas vezes e meia maior, em área plantada aproximadamente 3,5 vezes menor.

O coordenador técnico regional da Emater-MG, Raul Maria Cássia, diz que vários fatores têm impulsionado o desenvolvimento da horticultura no Sul de Minas. Um deles é a localização geográfica, perto da BR-381, uma das mais importantes vias de escoamento da produção nacional.

“Estamos muito próximos de grandes centros urbanos como São Paulo, Campinas, São José dos Campos e Sorocaba, uma região com o maior PIB do Brasil”, destaca Raul Cássia. O coordenador lembra, ainda, que o clima de altitude favorece muito a qualidade de frutas e verduras, em especial no pós-colheita, que permite o plantio de muitas espécies de olerícolas. “A região de altitude é uma verdadeira câmara fria natural”, comenta.

Agricultura familiar

O relevo mais montanhoso e a existência de muitas pequenas propriedades no Sul de Minas também têm favorecido a horticultura, em detrimento de outras culturas mais mecanizadas. “Na região, a reforma agrária ocorreu por herança. As terras das famílias foram sendo divididas entre os filhos. E a agricultura familiar foi ocupando as áreas mais montanhosas, de difícil mecanização”, explica o coordenador da Emater-MG.

A necessidade de ter uma pequena área que sustente mais pessoas é um estímulo para a implantação de culturas de ciclo mais rápido, que gerem maior renda por hectare. É o caso do morango, que tem se tornado um dos carros chefes da agricultura local.

“Cerca de 50% dos custos da produção do morango são de mão de obra, por isso a atividade é, em sua maior parte, familiar. A caixa de morango com quatro bandejinhas tem preço médio de R$ 12. Nessas condições, a renda bruta da cultura, sem descontar os custos de produção, gira em torno de R$ 500 mil por hectare – uma média de 50 mil quilos por hectare.

Já o café tem produtividade média de 35,6 sacas de 60 quilos por hectare. Esses dados são de 2020, ano de bienalidade positiva, com cotação em torno de R$ 1,2 mil por saca. “O retorno bruto é de R$ 45,2 mil, sem tirar as despesas”, calcula Raul Cássia.

Renda o ano todo

Essa grande diferença na lucratividade é uma das razões para o crescimento da área plantada de morango, que passou de 1,3 mil hectares, em 2016, para 2,5 mil hectares, em 2020, nos municípios da regional da Emater-MG de Pouso Alegre.

Em 2021, a estimativa da empresa pública de extensão rural é de produzir 144 mil toneladas de morango no extremo Sul de Minas Gerais. Outra vantagem da fruta é que, com o uso do cultivo semi-hidropônico e de novas variedades, é possível colher o ano todo por até três anos, gerando renda constante para o produtor, diferentemente da maioria das culturas que só garantem uma receita na época da safra.

“Vale a pena ser um produtor de morangos. Antes eu tivesse enxergado esse potencial mais cedo”, diz o agricultor Jorivaldo de Andrade, que há sete anos trocou o emprego na indústria pela vida no campo.

Outras culturas

A produção de mandioquinha salsa, baroa e brássicas (couve-flor, repolho, brócolis, rabanete, etc) também tem prosperado na região. Já o plantio da batata, que é uma cultura altamente mecanizada, vem ocupando uma área cada vez menor no Sul de Minas. 

“Com a instalação de agroindústrias no Alto Paranaíba, houve uma migração para lá. A topografia do Sul de Minas dificulta a mecanização na safra de verão e vem aumentando a tendência do consumo de batata pré-pronta”, salienta o coordenador da Emater-MG

Dados da empresa, indicam que a área cultivada de batata na região caiu de 19 mil hectares em 1990, para 7,6 mil hectares em 2021.

Fonte: Agência Minas/Foto: Divulgação Emater

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