Setembro Amarelo: “Não devemos lidar sozinhos com um problema que pode ser resolvido ao buscar ajuda”

Mês chama atenção para a importância de cuidados com a saúde mental além da prevenção ao suicídio.

Redação CSul: Franciele Brígida / Foto destaque: Getty Images/iStock Photo

Tem início nesta quarta-feira (1°), o mês dedicado à campanha de prevenção ao suicídio, o “Setembro Amarelo”. O movimento, que teve início no país em 2015, em parceria entre o Centro de Valorização da Vida, o Conselho Federal de Medicina e a Associação Brasileira de Psiquiatria, tem como objetivo conscientizar as pessoas sobre a importância da saúde mental e a prevenção ao suicídio.

No Brasil, são registrados cerca de 12 mil suicídios todos os anos e mais de um milhão no mundo. Trata-se de uma triste realidade, que registra cada vez mais casos, principalmente entre pessoas jovens. Aproximadamente 96,8% dos casos estavam relacionados a transtornos mentais. Em primeiro lugar está a depressão, seguida do transtorno bipolar e abuso de substâncias.

O assunto é cercado por tabus, e por isso, a campanha acredita que, falar sobre o tema é uma forma de entender quem passa por situações que levem à ideias suicidas, podendo ser fornecida ajuda a partir do momento em que são identificadas. Vale ressaltar que, o CVV fornece apoio emocional, atendendo voluntária e gratuitamente quem precisa conversar, sob total sigilo pelo telefone 188, e-mail e chat 24 horas todos os dias.

Entrevista exclusiva psicóloga de Varginha

Psicóloga Jaqueline Gatti concedeu entrevista ao CSul. (Foto: Arquivo Pessoal)

Para falar sobre o assunto, o CSul conversou com a psicóloga Jaqueline Gatti que, detalhou a importância do tratamento de problemas de saúde da mente, destacou a relevância da campanha e alertou sobre a necessidade de estar atento aos sinais de quem pode estar precisando de ajuda.

A psicóloga ressaltou que, é preciso estar sempre atento aos sintomas de depressão e a manifestação de comportamento suicida. “Sabemos que é necessário ter um olhar atento, não somente em um mês, mas sim o ano todo. A campanha é muito importante ao chamar atenção para um problema tão delicado e que por ser gatilho para muitas pessoas, muitas vezes não é um assunto fácil. A relevância deste assunto mesmo que, apenas por um mês na campanha, faz muita diferença,  faz com que as pessoas se voltem para este tema, que olhe para seus familiares e que se proponham a ajudar”, destacou Jaqueline.

“Com a pandemia nos deparamos com a sensação de perigo, medo e insegurança a todo instante, o sujeito quando se depara com a finitude, seja ela da própria vida ou de seus próximos, é facilmente levado a ter sensações de angústia. A angústia é um sentimento que trás em si sensações físicas e emocionais que chegam a ocasionar uma psicopatologia. Mesmo se, antes da pandemia estivéssemos com boa saúde mental, ao nos depararmos com tamanha incerteza e ameaças de finitude, algo em nossa mente é afetado por essa constância de sentimentos causadores de angústia. Pessoas que já se encontravam em algum sofrimento psíquico antes da pandemia, com certeza tiveram maior impacto, potencializando seus sintomas como ansiedade, depressão, síndrome do pânico”, explica.  

Não fique em silêncio

Gatti também reafirmou, a importância de buscar por um profissional e não ficar em silêncio. “Não devemos lidar sozinhos com um problema que facilmente pode ser resolvido ao buscar ajuda. A depressão é uma doença que todos nós sabemos seu impacto e suas consequências, todos conhecemos alguém que infelizmente faleceu por causas decorrentes da depressão. Não podemos deixar com que os sintomas aumentem a ponto de prejudicar sua capacidade de se manter ‘funcional’ (conseguir trabalhar, se cuidar, manter relacionamentos, sem maiores dificuldades). Uma das piores consequências da depressão é o suicídio”.

Questionada sobre as maneiras de identificar possíveis sintomas da depressão ou comportamento suicida, a profissional voltou a reafirmar a necessidade de se atentar aos sinais. “Existem formas que o sujeito em sofrimento usa para pedir ajuda, e a campanha é justamente sobre isso. O suicídio acaba sendo uma forma de comunicação, uma maneira encontrada pelo sujeito de pedir ajuda. Em geral, o suicida expressa a intenção do ato através de palavras ou comportamentos. As pessoas que cercam este sujeito precisam estar muito atentas e conscientizadas às essas manifestações expressas”.

Saúde mental é coisa séria

Jaqueline também destaca a importância de levar a saúde mental a sério. “Nunca se deve atribuir comportamentos de desânimo, desinteresse, tristeza e reclusão a expressões como: “Frescura”, “falta de ir a igreja”, “preguiça”, “falta de trabalhar” falas como: “na minha época isso não existia, psicólogo? Coisa pra gente desocupada”… etc. É necessário ter empatia, estar atento antes que seja tarde”.

Para a psicóloga, a campanha é de suma importância para espalhar conhecimento. “É importante falar sobre isso, compartilhar, quanto mais conhecimento as pessoas tiverem sobre os riscos de não cuidar da saúde mental, melhor será o olhar da sociedade em geral para o sofrimento, a campanha promove uma atenção para o quão grave pode ser um sofrimento psíquico sem tratamento, e como a psicologia é uma ciência que promove saúde, a campanha setembro amarelo é uma das maiores conscientizações atuais da importância de se cuidar da saúde mental, e da relevância da psicologia enquanto ciência para ajudar nesse processo” , finalizou.

*Com informações CVV e Calendarr

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