Semana Santa: Terça-feira reflete doloroso encontro a caminho do Calvário; confira programação das nove paróquias de Varginha

“Ó vós todos que passais pelo caminho, olhai e vede se existe dor semelhante à dor que me atormenta”

Redação CSul – Iago Almeida / Foto destaque: site maltanet.com.br

No terceiro dia da Semana Maior, fiéis católicos contemplam o encontro doloroso entre Maria e Jesus, a caminho do Calvário, pelas ruas de Jerusalém, depois do Filho ser flagelado, coroado de espinhos e condenado à morte por Pilatos. Jesus sofreu a Paixão; a Virgem sofreu a compaixão por nós.

Em Varginha, as paróquias realizarão as “Missas Sem Povo” e as reflexões online, devido as medidas contra o coronavírus, e refletirão esse encontro doloroso entre a Mãe e o Filho condenado, fazendo com que o povo reviva esse santo encontro. O silêncio que se dá ao aproximar as imagens de Nossa Senhora das Dores e do Senhor dos Passos, se converterá em força para as almas aflitas, quando, nas horas difíceis, souberem recorrer à meditação desta Mãe que sofre.

Apenas as paróquias Matriz do Divino Espírito Santo e Nossa Senhora do Rosário celebrarão o Encontro entre Maria e Jesus na quarta-feira (8).

Procissão do Encontro em São João del-Rei (Foto: Thiago Morandi / Divulgação)

Programação em Varginha


Mártir São Sebastião
Facebook Paróquia do Mártir
19h – Missa
20h – Meditação do Encontro


Divino Espírito Santo
Facebook Paróquia do Divino Espírito Santo / Instagram – @paroquiadodivinovga
18h – Reflexão as Dores de Maria
19h – Missa
*** A Paróquia celebrará o Encontro nesta quarta-feira (8).


Nossa Senhora de Fátima
Facebook Paróquia Nossa Senhora de Fátima
15h – Missa e reflexão do Encontro


Cristo Luz dos Povos
Facebook Paroquia Cristo Luz dos Povos / Instagram – @paroquiacristoluzdospovos
8h – Oração da Manhã
15h – Terço da Divina Misericórdia
19h – Missa
20h – Meditação do Encontro


Nossa Senhora do Rosário
Facebook Paróquia Nossa Senhora do Rosário / Instagram – @paroquiarosariovga
7h – Missa
19h – Mistérios Dolorosos
*** A Paróquia celebrará o Encontro nesta quarta-feira (8).



Santo Antônio de Sant’Anna Galvão
Facebook Paroquia Frei Galvão / Instagram – @paroquiafreigalvaovga
19h – Missa



Imaculada Conceição
Facebook Paróquia Imaculada Conceição
15h – Tríduo ao Sagrado Coração de Jesus pelos doentes com Bênção do Santíssimo
18h – Terço da Imaculada Conceição
19h30 – Missa


São José
Facebook Paróquia São José / Instagram – @paroquiasaojosevga

19h – Missa e meditação do Encontro


Sant’Ana
Facebook Paroquia Santana Varginha
19h – Missa e meditação do Encontro

Mensagem especial

Padre Josimar Cândido Lourenço, pároco da Paróquia Imaculada Conceição, de Varginha, enviou mensagem especial ao CSul. Confira:

A PROCISSÃO DO ENCONTRO

Em nossa região do sul de Minas há uma antiga tradição de se dedicar a segunda-feira, terça-feira e quarta-feira santa a procissões que relembram alguns momentos da paixão de Jesus. Geralmente, na terça-feira santa faz-se a procissão do Encontro entre Jesus e Nossa Senhora no caminho do Calvário. Uma tradição da piedade popular intuiu este encontro do fato de muitas pessoas terem acompanhado o caminho doloroso de Jesus. Dentre elas, certamente, estava sua mãe, Maria Santíssima, junto às mulheres piedosas que acompanharam Jesus em seu ministério.

Esta procissão acontece assim: um grupo de mulheres que se reúne em uma igreja e de lá sai carregando a imagem de Nossa Senhora, que recorda as Dores de Maria elencadas nos Evangelhos. De outra igreja parte a imagem de Nosso Senhor dos Passos, que recorda Jesus caminhando ao longo da via crucis, sendo esta imagem carregada pelos homens. As duas imagens se encontram pelo caminho e, então, é proferido o sermão do encontro.

Quando aquelas imagens se encontram, nós podemos contemplar aquele momento em que duas almas que se amam passam pela dor de ver o sofrimento uma da outra. É como uma daquelas situações da vida em que nós faríamos o impossível para livrar quem amamos do sofrimento,mas não o podemos fazer, pois há sofrimentos que são nossos, são parte da nossa realidade, e ninguém os poderá viver em nosso lugar.

Aquele encontro é um grande acontecimento de acolhimento e de compaixão, coisas que trazem alívio a quem sofre ao se sentir acompanhado por uma presença de amor. Aquela presença na vida de Jesus era Maria, a primeira que Ele redimiu, ao ser ela concebida sem pecado, em vista dos méritos de Cristo. Agora, a redimida vive o auge da sua compaixão e misericórdia, ao ver o Menino que amamentou e cuidou tantas vezes, caminhar flagelado em direção ao calvário, sem que ela possa mudar a sua situação.

Duro é o chão da história em que a Mãe e o Filho irão pisar,como tantas vezes muitos de nós o precisam fazer. Porém, este chão que machuca deixou-nos muitos ensinamentos. Neste mundo de grandes muros de indiferença, o caminho do Senhor e da Senhora nos diz que a presença faz doer menos. A pessoa que é rica para Deus, que tem seu tesouro no céu, não tem muros ou amarras que a impeça de ser presença na vida do outro.

Se só quem ama com um coração de pobre é capaz de acolher o pobre em sua dor. No encontro, o que vemos são dois pobres corações que se acolhem, o do Pobre de Nazaré e o da humilde Serva do Senhor. A pobreza é como aqueles sofrimentos que, tal como a fome e a dor,abrem uma ferida no coração do homem. O sofrimento deixou um espaço onde Mãe e Filho puderam entrar não coração um do outro. Tal como os criminosos da Idade Média, que procuravam um abrigo juntoaos altares das igrejas, busquemos, pois, nós também, um abrigo no Sagrado Coração do Senhor dos Passos e no Imaculado Coração da Senhora das Dores. E que este abrigo torne o nosso coração bem-aventuradamente pobre, para sermos um abrigo para quantos precisem de nós como uma presença de amor.

Pe. Josimar Cândido Lourenço
Natural de São Lourenço-MG
Adm. paroquial da Paróquia Imaculada Conceição – Varginha-MG

O Encontro Doloroso

Mal Jesus se levantou da Sua primeira queda, e encontra Sua Mãe Santíssima, junto do caminho por onde Ele passa. Com imenso amor, Maria olha para Jesus, e Jesus olha para a Sua Mãe. Seus olhares encontram-se, e cada coração verte no outro a Sua própria dor. A alma de Maria fica mergulhada em amargura, na amargura de Jesus Cristo. “Ó vós, que passais pelo caminho: olhai e vede se há dor semelhante à minha dor (Lam I, 12)’’.

Ao encontrar Sua Mãe, os olhos de Jesus a fitaram, e ela certamente compreendeu a dor de Sua alma. Não pôde lhe dizer palavra nenhuma, mas a fez compreender que era necessário que unisse a sua dor à d’Ele. A união da grande dor de Jesus e de Maria, nesse encontro, tem sido a força de tantos mártires e de tantas mães aflitas.

Na escura solidão da Paixão, Nossa Senhora oferece ao seu Filho um bálsamo de ternura, de união, de fidelidade: um sim à Vontade Divina.

Maria O acompanhou no caminho do Calvário e se lembrou da espada de Simeão e das palavras de Isaías:

“Era desprezado, a escória da humanidade, homem das dores, experimentado nos sofrimentos; como aqueles, diante dos quais se cobre o rosto, era amaldiçoado e não fazíamos caso dele.
Em verdade, Ele tomou sobre si nossas enfermidades e carregou os nossos sofrimentos; e nós o reputamos como um castigado, ferido por Deus e humilhado. Mas ele foi castigado por nossos crimes e esmagado por nossas iniquidades. O castigo que nos salva pesou sobre Ele; fomos curados graças às Suas chagas. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas, seguíamos cada qual nosso caminho. O Senhor fazia recair sobre ele o castigo das faltas de todos nós. Foi maltratado e resignou-se; não abriu a boca, como um cordeiro que se conduz ao matadouro, e uma ovelha muda nas mãos do tosquiador. Por um iníquo julgamento foi arrebatado. Quem pensou em defender sua causa, quando foi suprimido da terra dos vivos, morto pelo pecado de meu povo? Foi-lhe dada sepultura ao lado de facínoras e ao morrer achava-se entre malfeitores, se bem que não haja cometido injustiça alguma, e em sua boca nunca tenha havido mentira. Mas aprouve ao Senhor esmagá-lo pelo sofrimento; se ele oferecer sua vida em sacrifício expiatório, terá uma posteridade duradoura, prolongará seus dias, e a vontade do Senhor será por ele realizada. Após suportar em sua pessoa os tormentos, alegrar-se-á de conhecê-lo até o enlevo. O Justo, meu Servo, justificará muitos homens, e tomará sobre si suas iniquidades. Eis por que lhe darei parte com os grandes, e ele dividirá a presa com os poderosos: porque ele próprio deu sua vida, e deixou-se colocar entre os criminosos, tomando sobre si os pecados de muitos homens, e intercedendo pelos culpados”
 (Is 53,3-12).

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