Prefeituras criam projetos para reutilizar linhas férreas

trilhostcPelo menos 15 km de linha férrea nas cidades de Três Corações e Varginha, não são usadas para o transporte de cargas há anos, por isso, as prefeituras criaram projetos para reutilizar os trilhos e o entorno das estações ferroviárias.

Em Três Corações, pelos trilhos que um dia serviram de caminho para o desenvolvimento, hoje só se vêem pessoas que aproveitam o trecho para encurtar distâncias entre um bairro e outro. Na antiga estação ferroviária também só restam lembranças, com vagões abandonados e trilhos soltos. Já pelas ruas da cidade, há trechos inteiros da ferrovia.

Para a professora Daniela Paiva Naback, a existência dos trilhos abandonados dificulta para os moradores. “Poderiam criar uma pista dupla aqui, algo que fosse bom para mais pessoas”, disse.

O protético Edivaldo Soares também comentou sobre a ferrovia. “Acho que poderiam asfaltar, transformar em rua”, pontuou.

E é justamente isso que o município pretende fazer. Há mais de dois anos a prefeitura negocia com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e com a Ferrovia Centro Atlântica para poder asfaltar todo o trecho urbano cortado pela linha férrea, além de transformar os antigos galpões em centros culturais. O investimento seria de algo entre R$ 2 milhões a R$ 3 milhões.

“O Dnit faria o investimento financeiro, desta forma teríamos o aporte para realizar o projeto, melhorar o trânsito e também resgatar a história cultural de Três Corações”, contou o prefeito, Cláudio Pereira (PSL).

Procurada, a assessoria de comunicação da Ferrovia Centro Atlântica informou que não responde por obras no entorno da ferrovia, que tem apenas a concessão para explorar o trecho que pertence à União.

Entorno vira centro cultural em Varginha

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Em Varginha, a linha férrea também está desativada há anos por falta de demanda e a área tem servido apenas como pasto ou depósito de entulho. “As pessoas jogam entulho, lixos, móveis velhos, sofás, camas e ainda colocam fogo”, contou a doméstica Isabel Maximiano.

Por causa disso, existem projetos para utilizar o traçado dos trilhos. Um deles seria a construção de uma ciclovia. O outro, desenvolvido pela Fundação Cultural de Varginha, pretende recuperar o entorno da antiga estação ferroviária, com a pintura do prédio na cor original, pavimentação dos trilhos com um piso ecológico, restauração do sistema de iluminação, entre outras coisas.

De acordo com o superintendente da fundação, Francisco Graça de Moura, a obra até já teve início, com a instalação de algumas grades. A previsão de conclusão é para novembro deste ano. A obra deve custar R$ 580 mil.

“Varginha precisa de um corredor de cultura, um centro cultural e nós incorporamos essa iniciativa ao processo de revitalização do Centro. A ideia é melhorar a qualidade de vida neste contexto urbano que vivemos”, pontuou.

Para a arquiteta e urbanista Luciana Moterani, o projeto beneficiaria toda a região. “Toda a redondeza, incluindo casas e prédios, também poderia ser restaurada. Penso que um estudo urbanístico pode ser a melhor forma de fazer isso, de readequar a revitalização. É importante também que o entorno seja revisto, para que proporcione uma leitura harmoniosa”, disse.

Já para o morador da cidade e comerciante, Marco Ribeiro Júnior, esta é uma forma de preservar uma parte importante da história. “Vai ficar muito bonito, vamos poder mostrar o que foi a estação ferroviária, contar para as crianças a história da cidade, ‘né’?”.

 

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