Mesmo em período chuvoso, nível do Lago de Furnas não apresenta melhorias

 Nível do espelho d’água está cada vez mais baixo e tem prejudicado moradores e a atividade turística como um todo em mais de 34 municípios mineiros

Redação CSul – Iago Almeida / Foto: Reprodução jornalinformasion.blogspot.com

O Lago de Furnas abrange 34 cidades mineiras numa extensão de 1.406 quilômetros quadrados, sendo um dos maiores lagos artificiais do mundo – a orla do lago tem 3.500 quilômetros de perímetro e é quatro vezes maior que a Baía de Guanabara. Mas, o que era para ser um mar de água doce hoje, infelizmente, se tornou um cenário de abandono e de pouco caso por parte do Poder Público Federal. Hotéis, pousadas, ranchos e outros empreendimentos turísticos e náuticos sucumbiram diante do baixo volume de água do lago e houve queda no número de visitantes.

Mais de 300 empreendimentos foram construídos às margens do Lago de Furnas desde a sua criação. Na época, foi necessário inundar uma grande quantidade de terras, o que forçou a retirada de 35 mil pessoas das regiões que ficaram inundadas.

Senador Rodrigo Pacheco

Billy Boss / Câmara dos Deputados

O senador por Minas Gerais, Rodrigo Pacheco, deve propor nesta semana, audiência pública para debater o Lago de Furnas. Ele foi procurado por diretores da Associação Mineira de Rádio e Televisão (Amirt) e outras entidades como a Associação dos Municípios do Lago de Furnas (Alago). Varginha integra a associação.

A reclamação de empresários e prefeitos de municípios banhados pelo Lago de Furnas é que por mais que recordes do índice de chuvas sejam batidos no estado e na região, o nível do reservatório permanece baixo. A última medição feita pelo Operador Nacional do Sistema – ONS, quinta-feira (13), indica um volume útil de 26,46%.

Segundo o Portal Onda Sul, Rodrigo Pacheco (que é natural de Passos) comentou em sessão plenária que mesmo com o alto volume de água despejado pela chuva, ainda não foi registrado uma alta no volume do Lago. Em decorrência dessa denúncia, o Senador fará um requerimento de audiência pública para o esclarecimento desse fato.

Para essa reunião, o Senador irá convidar o Diretor Presidente da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL); André Pepitone, da Agência Nacional de Águas (ANA), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), de Furnas Centrais Elétricas e do Operador Nacional do Sistema, dentre outras autoridades.

Em Brasília, os prefeitos da Alago, em outubro do ano passado, se reuniram com o presidente do Operador Nacional do Sistema, Luiz Eduardo Barata. Eles defendem uma cota mínima para o Lago de Furnas.

Deputado Diego Andrade

Cláudio Araújo

Coordenador da bancada mineira e líder do PSD na Câmara, o deputado Diego Andrade fez um discurso contundente no último dia 12 de fevereiro, no Plenário, em defesa do Lago de Furnas. “Em um momento que Minas Gerais atinge volumes históricos de chuva, estamos perdendo a oportunidade de aproveitar um dos maiores potenciais turísticos do estado. E tudo por problemas de gestão na área de Minas e Energia”, disse Andrade.

Hoje, segundo dados da Furnas Centrais Elétricas, o Lago está a apenas 754 metros acima do nível do mar. “Sonhos foram deixados para trás e todos na região se reinventaram. Mas, anos depois, presenciamos cenas catastróficas e um espelho d’água cada vez menos vistoso. Sabemos que é possível manter a mesma geração de energia respeitando a cota 762, o que não foi feito pelo Governo Federal. Se andarmos pela região é possível ver ranchos, pousadas e até mesmo hotéis abandonados. A piscicultura e os pequenos produtores rurais também sofrem”, declarou o parlamentar.

Para solucionar estes problemas, Diego Andrade se reuniu com o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro, e também com o de Minas e Energia, Bento Albuquerque.

Deputado Cleiton Oliveira

Reprodução

Defendendo o Lago de Furnas desde o começo, o Deputado Professor Cleiton Oliveira tem trabalhado para defender a cota mínima do lago. “Desde março do ano passado encabeçamos aqui na Assembleia Legislativa, uma luta pela cota mínima do Lago de Furnas. O marco divisor de águas nessa luta foi o dia 14 de maio quando realizamos uma audiência pública com apoio da Lago, prefeitos, vereadores, e de lá pra cá o movimento não parou mais. A Sociedade Civil se envolveu, a classe empresarial, tivemos a formação de várias frentes de luta tanto na assembleia quanto no congresso nacional”, disse.

Depois de muito estudo, segundo o Deputado Professor Cleiton, no dia 17 de fevereiro de 2020 foi apresentado uma solução para o problema. “Ouvimos cientistas, ouvimos as agências reguladoras, e vimos que a melhor medida a ser tomada para legalizarmos a luta pela cota mínima é a proposta de emenda constitucional”, afirmou.

O deputado apresentou uma emenda à Constituição Mineira que “determina então que o Lago de Furnas, bem como outros reservatórios, passe a ser patrimônio do povo de Minas Gerias, portanto, o comprimento da cota 762 passa a ser uma política do Estado de Minas. É então a concretização de uma árdua luta que nós iniciamos e que ao longo do tempo foi sendo encorpada pela atuação de vários agentes”, explicou.

“Essa cota mínima em nada compromete a finalidade pra qual nasceu furnas, que é a geração de energia. Ao mesmo tempo, a ausência da cota mínima compromete uma série de serviços, impactando na saúde, na economia, no agronegócio, no turismo da nossa região, além de vários outros fatos negativos que têm acontecido”, completou.

13/05/2019 – 14:30

Vereador Leonardo Ciacci

Divulgação

O vereador Leonardo Vinhas Ciacci solicitou em reunião realizada na Câmara Municipal de Varginha, indicação pedindo a realização de estudos técnicos e o envide de todos os esforços necessários para a manutenção do nível mínimo de água na represa de Furnas.

Em sua justificativa, o vereador explicou que Varginha é o primeiro município localizado na cabeceira da represa de Furnas e, assim, como em tantos outros municípios mineiros, a construção da represa não representou apenas um ganho em relação à geração de energia, mas também representou um fomento turístico para a região, atraindo inúmeros empreendimentos voltados para o turismo local, resultando em desenvolvimento e geração de emprego e renda para todos os municípios que margeiam o lago.

Porém, nos últimos dez anos, o nível da represa de Furnas vem diminuindo constantemente. Com o baixo volume de água, o comércio fica comprometido e o turismo sofre grande queda, não apenas em Varginha, mas em todos os municípios próximos banhados pelo lago, causando um prejuízo econômico muito grande para a região.

Desse modo, o vereador solicita novamente que “as autoridades elencadas envidem todos os esforços necessários para a manutenção do nível de água nas cidades que margeiam a represa, com a formação de vários lagos artificiais constantes em volume de água, os quais possam alimentar e fomentar o seu uso útil, mantendo o turismo, a pesca, a náutica, a beleza dos lagos, o emprego e a riqueza da região”, informou.

Protestos

Estudantes, funcionários públicos, representantes de organizações e prefeitos das cidades se reuniram às margens da usina em São José da Barra no último dia 7 de outubro de 2019 para protestar contra o nível baixo da água do Lago de Furnas. O pedido foi para estabelecer a cota mínima de 762 metros acima do nível do mar, três a menos do que a cota máxima do lago.

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