Júri popular de réus acusados de matar universitária é adiado

O julgamento de quatro pessoas acusadas de participação na morte da estudante Aline de Fátima Ferreira, assassinada a tiros em novembro de 2009 em Varginha, foi suspenso na tarde desta terça-feira (7) em Alfenas. O júri havia sido transferido para a cidade a pedido da defesa. O motivo da suspensão do julgamento foi a ausência de duas testemunhas, exigidas pela defesa, que não compareceram. Com isso, os trabalhos deverão ser retomados nesta quinta-feira (8).

O júri, que estava previsto para iniciar às 9h, já havia sido adiado pelo mesmo motivo. Foram escolhidos 25 jurados, mas apenas sete iriam trabalhar no caso. A informação é de que 21 testemunhas seriam ouvidas durante o julgamento, que poderia durar de dois a três dias.

Julgamento e suspeitos
julgaalfenas_1_1O principal suspeito, denunciado pelo Ministério Público, é o ex-namorado da vítima, Samuel Milazzoto Ferreira, de 57 anos. Ele teria sido o mandante do crime da universitária, que na época tinha 31 anos.

O crime ocorreu no dia 25 de novembro de 2009. A vítima foi atingida por três tiros e morreu na porta de casa, quando chegava da faculdade. Segundo a denúncia acatada pela Justiça, antes do crime, a universitária já havia recebido várias ameaças e até mesmo passou por uma tentativa de sequestro.

O julgamento aconteceria no Fórum de Varginha, mas a pedido da defesa dos réus, foi transferido para Alfenas, já que segundo os advogados, teve muita repercussão na cidade em que ocorreu. Além do ex-companheiro de Aline, Samuel Milazzoto Ferreira, apontado como o mentor do crime, Nilmarques Laurindo Marques, Renato Chagas da Silva e Paulo César Souza também são réus no caso e estão presos pelo crime desde 2010.

Apontado como mandante do crime pelo Ministério Público, Samuel Milazzoto Ferreira também não estaria presente no fórum nesta terça-feira. De acordo com o advogado de defesa do réu, ele teria o direito de não comparecer ao julgamento, o que seria um direito semelhante ao de permanecer em silêncio em depoimento. Apesar da ausência, o réu seria julgado normalmente pelo crime.

O caso
julgaalfenas_2_1Aline de Fátima Ferreira foi morta a tiros ao chegar em casa, no bairro Sion, após assistir aula no último período da faculdade de direito, em Varginha. De acordo com a denúncia oferecida pelo Ministério Público, o advogado Samuel Milazzoto Ferreira, que atualmente vive em São Paulo (SP), teria encomendado a morte da estudante. Ele foi denunciado como mentor e mandante do assassinato.

Segundo a Justiça, ele teria contratado os serviços de Nilmarques Laurindo Marques, de 30 anos, de Renato Chagas da Silva, de 24 anos e de Paulo César Souza, de 28 anos. De acordo com o Ministério Público, Nilmarques é quem teria intermediado o contato entre Paulo César e Renato.

Conforme consta no boletim de ocorrência da Polícia Militar registrado na época, Paulo César e Renato teriam ido até a casa de Aline e antes dela entrar na residência, dispararam cinco vezes contra a estudante. Três dos tiros atingiram o peito de Aline, que morreu no local.

Ameaças e tentativa de sequestro
Ainda segundo o Ministério Público, o assassinato da estudante teria sido arquitetado antes, já que ela já tinha recebido várias ameaças e sido vítima de uma tentativa de sequestro.

Segundo consta no processo, Aline e Samuel teriam namorado durante 11 anos e terminado o relacionamento no dia 12 de julho de 2009. No dia 20, Samuel teria começado a ameaçar a estudante e no dia 12 de agosto, ela foi vítima de uma tentativa de sequestro feita pelos réus Paulo César e Renato.

O relatório do Ministério Público aponta que a universitária saía do trabalho por volta das 17h30, no bairro Jardim Andere, e foi pega pelos réus, que chegaram a colocá-la dentro de um carro. Na ocasião, a vítima teria gritado e sido socorrida por colegas de trabalho, que conseguiram tirá-la do veículo.

Ainda segundo os autos, as ameaças permaneceram até que a estudante foi morta no dia 25 de novembro. Paulo César e Renato são acusados de ter cometido o crime. A arma usada foi encontrada três dias depois em um terreno próximo à casa da estudante.

Os réus Nilmarques, Paulo César e Renato foram presos em março de 2010, em Alfenas. Já Samuel cumpriu prisão domiciliar e depois conseguiu aguardar o julgamento em liberdade.

 

 

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