Instituições de saúde do Sul de Minas enfrentam crise

Guilherme Campos/CSul

Hospital Samuel Libânio de Pouso Alegre tem cerca de R$37 milhões em verbas atrasadas, já o Hospital Regional de Varginha possui uma dívida de R$60 milhões

A crise na area da Saúde provocada pela falta de repasses do governo de Minas Gerais tem prejudicado a maioria dos hospitais do Sul de Minas.
As instituições não sabem quando vão receber as verbas em atraso, e muitos hospitais só estão continuando graças a doeações da comunidadeSem saber quando vão receber as verbas atrasadas, muitas instituições só estão sobrevivendo graças a doações da comunidade.
O Hospital Samuel Libânio vive momentos de fragilidade, tendo hoje R$ 37 milhões em verbas atrasadas conforme a direção da FUVS, porém apenas R$ 22 milhões desse montante são reconhecidos pelo governo estadual. A diferença, está ligada a extrapolamentos ou atendimentos acima da margem do SUS, que não foram quitadas pelo Estado.
A dívida estimada é de R$ 37 milhões e pode ser maior, já que ela está sem a atualização monetária e a instituição precisou recorrer a empréstimos para se manter em atividade.
Por enquanto a resolução do problema é o pagamento das verbas em atraso, o Hospital Samuel Libânio, assim como outras instituições do Sul de Minas, vem dependendo de doações da comunidade para sobreviver e arcar com as despesas do dia a dia. Custos operacionais estão sendo cortados, já que a instituição não pode deixar a população sem atendimento.

Prefeitura de Poços de Caldas
No município de Poços de Caldas, a Santa Casa também vem enfrentando a crise, de acordo com o superintendente Azér Zenun Junqueira, a instituição só consegue equilibrar a situação graças ao apoio da Câmara.
“Hoje estamos conseguindo equilibrar graças a esse aporte que tem vindo do Executivo, com o apoio da câmara. Mesmo com as dificuldades que todos nós sabemos que as prefeituras estão passando, tem sido feito o sacrifício para ajudar a Santa Casa”, disse o diretor a EPTV.
Somente nos primeiros quatro meses deste ano, a instituição fez 115 mil atendimentos, entre internações, cirurgias, exames laboratoriais e outros.

Audiência pública
Na última semana, uma audiência pública contou com a participação de autoridades e diretores de vários hospitais da região, foi discutid a situação de fragilidade das instituições. Além da normalização dos repasses do Estado, os diretores falaram sobre o reajuste da tabela SUS, que está defasada há anos.
Quanto ao Hospital Regional de Varginha, que atende mais de 100 municípios da região,a instituição possui uma dívida de R$ 60 milhões. No dia 11 de junho, o hospital divulgou a demissão de 76 servidores para o corte de gastos.

O que diz a SES
A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) divulgou que os repasses financeiros que envolvem custeio das atividades das instituições de saúde não são feitos diretamente aos hospitais, porém aos Fundos Municipais de Saúde dos municípios da região aos quais os prestadores de serviço estão vinculados, uma vez que esses municípios possuem gestão plena de seus serviços.
De posse dos recursos financeiros no fundo, cabe as cidades realizarem a transferência aos prestadores de serviço, de acordo com a produção apresentadas pelas instituições. Nesse sentido, a SES-MG somente efetuouo repasse, em 2019, ao fundo municipal de Pouso Alegre, visando custeio das atividades hospitalares, o valor de R$ 794.770,50.
Também, mesmo diante de um rombo de R$ 34,5 bilhões deixado pela última administração, o Governo de Minas Gerais vem buscando soluções para garantir a assistência às prefeituras da região. O acordo firmado pelo governador Romeu Zema com a Associação Mineira de Municípios, para o repasse de R$ 6 bilhões devidos pela gestão anterior, além de R$ 1 bilhão, referente a janeiro deste ano, afirma os esforços do Governo.
Se tornando prioridade a busca pelo atendimento das demandas em atraso relativas à saúde. O Estado também reforça a necessidade de um ajuste fiscal para que possa prestar o devido serviço à população.

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