Esposa de comerciante morto em Varginha é presa pela Polícia Civil

A esposa do comerciante Valmir Giongo, morto a golpes de pé de cabra no dia 8 de agosto em Varginha, foi detida na noite desta quarta-feira (19). Segundo a Polícia Civil, a mulher é suspeita de participação no crime. No dia 13 de agosto, outros dois suspeitos já haviam tido a prisão preventiva decretada por envolvimento na morte que, a princípio, foi tratada como latrocínio, que é o roubo seguido de morte.

A mulher, de 35 anos, foi presa preventivamente porque, segundo o delegado responsável pelo caso, Eduardo Silva, os depoimentos dela foram contraditórios. “Nós desconfiamos da possibilidade de envolvimento dela e após várias diligências chegou-se à conclusão de que ela teve participação. A versão apresentada por ela está divergente da apresentada pelos outros suspeitos. Por isso fizemos esse pedido de prisão, somado ao mandado de busca e apreensão requerido pelo Ministério Público”, relatou.

Segundo a Polícia Civil, a mulher vivia com o comerciante, conhecido como “Gaúcho”, há mais de oito anos. Ela teria sido funcionária dele no início do relacionamento. O delegado não soube precisar se a esposa do comerciante teria sido a mandante do crime, mas ressaltou que ela conhecia os dois suspeitos do crime.

montagem“Ela tinha conhecimento do caso e conhecia esses autores. Ainda não podemos afirmar se ela teria um caso com um deles. Não podemos adiantar nada neste momento, até para não prejudicar as investigações. A Polícia Civil investiga todas as linhas que por ventura possam esclarecer esse delito”, pontuou.

Após a prisão da mulher, para o caso ser encerrado, a Polícia Civil procura um homem de 35 anos, foragido há mais de uma semana. Ele é também suspeito do crime. “Agora é uma questão de tempo para encontrarmos o suspeito. Temos informações de que ele está sendo monitorado. Acredito que em poucos dias poderemos prendê-lo e finalizar o inquérito” , completou o delegado.

Duas pessoas chegaram a ser ouvidas no dia 10 de agosto e liberadas. De acordo com a polícia, a investigação apontava que um funcionário da churrascaria que pertencia à vítima teria levado os suspeitos até à casa onde o crime ocorreu. Um deles, um rapaz de 23 anos, foi preso e o outro continuava foragido até esta publicação.

De vítima a suspeita
Na noite do crime, a esposa do comerciante disse que Giongo ligou pedindo que ela deixasse a porta da sala destrancada porque não estava com a chave. Conforme o relato dela , o comerciante teria sido surpreendido pelos suspeitos no momento em que abria o portão e foi agredido ainda dentro da garagem.

Sem mostrar o rosto ela falou à reportagem da EPTV Sul de Minas e contou detalhes sobre o caso. “Eu estava dormindo e acordei com um homem tampando a minha boca. Neste momento já ouvi meu marido gemendo muito, com a boca tampada. Eles começaram a pedir a chave do cofre. Eu falava que eu não tinha, mas eles insistiram, ficaram procurando pela casa, bateram na minha cara, reviraram tudo, até que acharam o cofre da parte de cima. Quando abriram, não tinha nada. Então, eles me arrastaram e amarraram”, disse.

Ainda de acordo com ela, Giongo estaria caído no corredor da garagem durante todo acontecimento. “Ele estava caído. Eu não sei quantas pessoas que eu vi. Um ficou comigo e devia ter uns dois ou três, todos encapuzados. Quando não acharam nada, me jogaram na capa, deram um tapa na minha cara e me arraram”, relatou.

Ainda segundo a mulher, depois que os suspeitos saíram, ela conseguiu se soltar e pedir ajuda. “Eu fui me virando, peguei o telefone fixo e liguei para minha vizinha para pedir ajuda. Liguei na Polícia Militar, mas como não consegui, resolvi ligar para o irmão dele”, acresceu, na ocasião.

A esposa disse na ocasião que o fato da vítima guardar dinheiro em casa tenha tivesse atraído os criminosos e motivado o assassinato. Segundo a polícia, Giongo morreu ainda dentro de casa. O carro do comerciante foi usado na fuga e abandonado no Bairro Canaã.

Irmão de vítima desconfiou de mulher
Por outro lado, o irmão do comerciante assassinado, Valmor Giongo, confessou que desconfiou da cunhada no dia do crime. Em entrevista, ele questionou como a mulher conseguiu ligar pra ele, se estava com as mãos amarradas.

“Ela me ligou por volta das 00h30 e não dava para entender o que ela falava. Eu achei que era trote, então minha esposa viu no identificador de chamadas  que era da casa do Valmir e ligamos de volta. Agora, como uma mulher pega o telefone e atende, se estava com as mãos amarradas para trás?”, disse.

Ele desconfia que a mulher estaria envolvida no crime. “Desamarraram ela depois de fazer o serviço? Querem enganar os outros, mas não somos bobos. Meu irmão tinha R$ 90 mil em um cofre que eles não conseguiram acessar, mas nos outros eles devem ter pego alguma coisa e entregado para o fugitivo, porque ele sumiu”.

Ainda segundo Valmor Giongo, a cunhada teria mudado o comportamento com a família durante os anos de relacionamento com a vítima. “Ela era gananciosa, queria ficar rica rápido. Ela chegou humilde na nossa família, mas depois queria tomar a frente de tudo”.

O irmão da vítima também desconfia que ela tenha planejado o crime por querer desfazer a sociedade que existia entre os irmãos. “Meu irmão contou para um amigo nosso que ela queria desfazer a sociedade e ele teria dito para ela que ele não faria isso, que era mais fácil largar dela. Ele teria falado: do meu irmão, só a morte vai separar”, encerrou.

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