Coroado de espinhos e crucificado, Jesus venceu a morte e Ressuscitou; Confira entrevista com Bispo Dom Pedro Cunha Cruz

Coroado de espinhos e crucificado, Jesus venceu a morte e Ressuscitou

“Pai, em tuas mãos eu entrego o meu espírito” / “Cristo, vencedor da morte, abriu para nós as portas da eternidade”

O auge das celebrações da Semana Santa para os católicos. A Última Ceia e o Lava-pés, celebrado na quinta, antecedem a crucificação e morte de Cristo na sexta-feira e sua Ressurreição no Domingo de Páscoa.

Jesus, após ser traído por Judas, se entrega aos guardas para a morte e redenção dos pecados do mundo todo. Condenado, coroado de espinhos e maltratado, Jesus foi pregado na cruz e ainda teve que suportar a dor de ver o sofrimento de sua mãe, que nada podia fazer para ajudar o Filho. Uma escuridão cobriu a Terra e às 3 da tarde, o último grito: “Tudo está consumado”.

As últimas palavras de Jesus significavam que o Seu sofrimento tinha acabado e que todo o trabalho que o Seu Pai havia dado-lhe a fazer, ou seja, pregar o evangelho, executar milagres e obter a salvação eterna para o Seu povo, havia sido realizado, cumprido, concretizado. A dívida do pecado havia sido paga.

A celebração de sábado marca a benção do fogo novo. O canto do Aleluia marca o envolvimento dos fiéis com a alegria do Cristo Ressuscitado.

Enfim, Cristo Ressuscita no terceiro dia. A Ressurreição do Senhor é a grande verdade da Fé Católica. Ressuscitar não é voltar, é ir a frente, não é voltar à vida terrena, é estar junto a Deus nos céus, é eternidade. A Páscoa significa passagem, de Cristo, da morte para a vida.

Para o Padre Alir Sanagiotto, SJC, que está ajudando nas celebrações dessa Semana na Matriz do Divino, em Varginha, “a Semana Santa é um culminar com a Páscoa. A Páscoa é a passagem de Jesus da vida, a morte, e também a recordação do momento em que o povo de Israel foi liberto da escravidão do Egito. Por isso iniciou-se no Domingo, com a entrada de Jesus em Jerusalém e a ordem dele: desamarrai o jumentinho. Então a Páscoa é a festa da libertação. Por isso, se passa uma semana depois de 40 dias de preparação que é a Quaresma, para chegar ao ponto culminante. O povo de Israel foi liberto da escravidão do Egito, passou pelo deserto e chegou a Terra prometida, Terra onde corria leite e mel. Assim também, o cristão, o católico, é convidado a abandonar a escravidão do pecado, da vida velha e começar pela conversão, pela aderência, pela acolhida do Evangelho, a viver uma vida nova. O sentido é iniciar uma vida nova. Páscoa significa Passagem, a festa maior, a libertação”, afirma.

Para ele, Maria tem um grande papel na salvação da humanidade. “As Dores de Maria são consequências do sofrimento, porque o amor é medido pela capacidade de alguém sofrer. Jesus sofreu tanto por amor de todos nós, de toda a humanidade. Maria se associou e caminhou com Jesus até o Calvário. Por isso uma espada transpassou seu coração. A espada da palavra de Deus. Maria cheia da Palavra de Deus, companheira de Jesus, caminha com ele em direção o Calvário, pois era necessário que Jesus sofresse pela salvação. Maria não, ela não sofreu porque gostava de sofrer, mas sim porque ama seus filhos e se associou a Jesus nessa missão de salvar a humanidade, através do sofrimento. A medida do amor é a medida do sofrimento. Maria não impediu que seu Filho sofresse, por amor, para salvar a humanidade. Maria é modelo para todas as mães”, conclui.

Entrevista com Dom Pedro Cunha Cruz

  • Qual a importância da Semana Santa para o catolicismo?

A Semana Santa ocupa um lugar fundamental no calendário litúrgico da Igreja e, sobretudo, na vida de cada cristão, pois desde o Domingo de Ramos até a Páscoa do Senhor, recordamos os últimos passos de Jesus sobre a Terra, antes de seu retorno para junto de Deus Pai. É a semana mais importante de todo ano o litúrgico, o centro de nossa fé.  A Semana Santa é chamada pelos Padres da Igreja de “A grande semana”;  já que nela celebramos a memória da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus. Se morremos com Cristo, com Ele também ressuscitaremos.

  • O que Cristo transpassou como recado a humanidade, ao morrer na Cruz pela salvação dos pecados do mundo?

A morte de Jesus tem um sentido salvífico para nós. Ela é expressão mais eloquente do amor de Deus por nós, até o extremo da dor e da ignomínia da cruz. A morte de Jesus desfaz o caminho de Adão e mostra que ela não tem mais domínio sobre nós. A mensagem da morte de Jesus para nós é a da confiança e abandono nas mãos de Deus. Ela gera para nós um caminho aberto para a paz como fruto da justiça. A cruz é a chave para entrarmos no coração do homem e no coração de Deus.

  • Qual o papel de Maria nas celebrações dessa semana, considerada a mais importante para a Igreja Católica?

Na semana anterior à Semana Santa, nós temos por tradição meditar as sete dores de Maria Santíssima. Maria é a mãe e mulher das dores. Ela nos inspira a olhar para a pessoa de seu Filho com piedade e esperança. A cruz de seu Filho Jesus  é a decifração de toda  dor humana e a esperança de uma vida nova que brota da morte. Já dizia Santa Terezinha do Menino Jesus: “ Aceitar o sofrimento por amor é o que nos faz mais semelhante a Jesus.” O silêncio de Maria aos pés da cruz de seu Filho ainda soa forte em nossos corações. Ela é solidária a nós e sempre intercede pelos seus filhos e filhas.

  • Qual recado o Senhor deixa para os católicos da Diocese de Campanha?

No ano em que refletimos o tema do “desafio da superação da violência”, que envolve não só a Igreja, mas todos os segmentos da sociedade civil, o sopro do Senhor Ressuscitado dando a Paz aos seus discípulos, reforça em nós o compromisso de promovermos a cultura da paz e garantir os direitos humanos de todos. Vale a pena aqui ler,  aprofundar e meditar as palavras do Papa Francisco: “Todos desejamos a paz; muitas pessoas a constroem todos os dias com pequenos gestos; muitos sofrem e suportam pacientemente a dificuldade de tantas tentativas para a construir”( Papa Francisco. Mensagem para o 50o Dia Mundial da Paz, 2017).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Dom Pedro Cunha Cruz é Bispo Diocesano da Campanha e foi entrevistado pelo redator do CSul, Iago Almeida.

 

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