Cine Rio Branco, 62 anos de história

Há 20 anos tombado pelo Patrimônio Histórico de Minas Gerais, prédio vive em completo abandono

Neste sábado (11), o Cine Rio Branco de Varginha completa 62 anos de história. Inaugurado em 11 de agosto de 1956, possui 1480 lugares e já foi considerado como a maior tela de projeção da América Latina.

A fama de ter uma das maiores telas do mundo não é enganosa. A lendária cortina “mágica”, zelava pelos seus 9 metros de altura por 18 metros de comprimento.

Há 20 anos desativado, o prédio foi tombado em 1998 pelo Conselho do Patrimônio Histórico de Minas Gerais e hoje vive em total abandono; uma triste realidade para os amantes do cinema.

O Cine custou cerca de 13 milhões de cruzeiros e teve como estreia o filme ‘Rapsódia’, estrelado por Elizabeth Taylor.

Para Fernando Prince, um dos sócios-proprietários do Cine, falecido em 2014, “desde a inauguração até o alvorecer dos anos 80, o Cine constantemente lotava. Aos domingos, haviam as sessões das 18h20min, das 20h40min,além damatinè às 14h30min. Alugávamos os filmes das distribuidoras e eles eram exibidos durante sete dias. Os grandes sucessos ficavam quatro semanas em cartaz. Estão na lista dos arrasa-quarteirão: ‘Ben Hur’, ‘O Rei Leão’, ‘O Manto Sagrado’, ‘Titanic’, ‘Dança com Lobos’ e ‘Os Dez Mandamentos’. Os longas-metragens tinham intervalo. Os jovens aproveitavam esse momento para flertar. O primeiro beijo de muita gente foi no escurinho do Cine Rio Branco e vários casais se conheceram ali. Do Cinema Nacional, podemos citar ‘Os Trapalhões’ e ‘Xuxa’, que sempre garantiam bom público. No entanto, nenhum deles se compara ao fenômeno ‘Mazzaropi’. O fluxo de gente era enorme. Famílias inteiras vinham de várias partes da região para assistir suas sessões, que eram um verdadeiro ritual. Quando Mazzaropi aparecia em cena e começava a andar daquele jeito engraçado, a plateia ia ao delírio. Temos de homenageá-lo, pois ele nunca pediu dinheiro ao governo para financiar suas produções. Entre os recordes estão ‘Jeca Macumbeiro’, ‘O Corinthiano’ e ‘Tristeza do Jeca’”, ressaltou em novembro de 2006.

Ainda de acordo com Fernando, “vale ressaltar as mudanças no perfil da juventude ao longo dos anos. Quando passamos ‘O Exorcista’ pela primeira vez na década de 70, o público ficou aterrorizado. Ao reprisá-lo vinte anos depois, ouviram-se gargalhadas. Outro fato ocorreu em ‘Dio Como Te Amo’; no final, o mocinho ia embora de avião e a mocinha não conseguia alcançá-lo. Então, ela pegava o microfone e começava a cantar. O pessoal chorava de emoção. Anos depois, vaiaram a cena”, disse o empresário.

Ao início de cada sessão, era tocada uma famosa música-ambiente. Durante anos foram utilizadas as músicas ‘Love Is A ManySplendoredThing’ – O Amor é uma Coisa muito Espelendorosa (S. Fain\P. Webster) e ‘Noturno’. Eram exibidos trailers e um jornal com notícias do Brasil e do mundo. Além disso, havia o filme Piano (a imagem não ocupava a tela toda) e os Cinemas Copi (a imagem cobria toda a tela).

Em desabafo, no final da entrevista, Fernando Prince ressaltou que o cinema foi fechado por falta de público. A partir da metade da década de 80, o movimento começou a cair por diversas razões como televisão, barzinho, videocassete e automóvel.

O expressivo aumento da frota de veículos proporcionou outras opções de lazer. No dia 20 de agosto de 1998 a empresa Prince de Souza fechou o cinema e em 1999 ele foi tombado como Patrimônio Estadual.

Tombamento

Foi aprovado pelo Conselho Curador do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais – IEPHA/MG – no 11 de agosto de 1999.

O tombamento foi homologado em 15 de setembro de 2000, sendo então determinada a inscrição no Livro de Tombo n.° II, do tombo de Belas Artes; no Livro de Tombo n.° III, do tombo Histórico, das obras de Arte Históricas e dos Documentos Paleográficos ou Bibliográficos e no Livro de Tombo n.° IV, do tombo das Artes Aplicadas.

Com tipologia arquitetônica modernista, o edifício do Cine Rio Branco – Projeto de autoria de José Braga Jordão – foi construído entre os anos 1954 e 1956 sob a responsabilidade dos engenheiros Maurício Ferreira de Barros e MildoRugani.

Os dois níveis do edifício, apresenta em seu primeiro andar o foyer, onde se encontravam a bilheteria, chapelaria, bomboniere e a plateia que contava com 1000 lugares e tela de projeção de 162 metros. O segundo pavimento possuía um mezanino, varanda externa, balcão com 400 poltronas, cabine de projeção e escritórios.

Redação CSul – Ana Luísa Alves

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