Chuvas favorecem lavouras de café

Clima chuvoso também acelerou o desenvolvimento da temporada; CSul conversou com Archimedes Coli Neto, presidente do Centro do Comércio de Café do Estado de Minas Gerais

Redação CSul – Iago Almeida / Foto: Divulgação

O clima chuvoso tem favorecido as lavouras das principais regiões produtoras de café do Brasil, já que tem permitido um excelente enchimento dos grãos. Ainda que o volume de precipitação tenha sido bastante elevado em algumas praças, agentes consultados pelo Cepea ainda não relataram problemas significativos nas lavouras.

Segundo o presidente do Centro do Comércio de Café do Estado de Minas Gerais (CCCMG), Archimedes Coli Neto, “as chuvas são bem vindas e estão ajudando muito na granação dos cafés, o que prejudica as vezes são as chuvas fortes que podem lavar a terra e a adubação embora, mas as chuvas suaves são boas e benéficas nesse momento de granação”, disse. “As chuvas de janeiro e fevereiro são muito importantes porque há armazenagem de água no solo e também a finalização da granação do café, então as chuvas de janeiro e fevereiro são excelentes para acabar de chegar a granação dos cafés”, completou.

Em relação as chuvas que estão caindo na região Sul de Minas Gerais, o presidente disse que excessos são prejudiciais, mas que no momento não vê prejuízos em relação às chuvas. “Tudo em excesso é prejudicial, a chuva em excesso também é prejudicial no sentido de erosão e lavar a terra. Levar a adubação prejudica as pulverizações, não tem como andar com máquinas nas fazendas, então, isso tudo atrapalha bastante. Nesse momento eu não vejo nenhum prejuízo em relação a isso, a não ser em cidades onde os rios estão tomando conta das ruas, estradas estragando, mas para a cafeicultura o momento está bom”, explicou.

Presidente do Centro do Comércio de Café do Estado de Minas Gerais (CCCMG), Archimedes Coli Neto / Foto: Divulgação

“Nesse momento não há o que produtor fazer para a perca de grãos, e se tem um excesso na lavoura, logicamente um pouco de café cai mesmo. Mas entre a chuva e a falta da chuva, é melhor ter a chuva. Eu não vejo nenhuma medida que o produtor possa tomar agora, com a relação a perda de grãos, a não ser que ative uma janela aí, se tiver precisando de uma pulverização, logicamente na hora que eu tempo der uma melhorada essas pulverizações tem que ser feitas para evitarem maiores prejuízos”, completou Archimedes.

O clima chuvoso também acelerou o desenvolvimento da temporada. Assim, muitos agentes já esperam que a colheita se inicie um pouco mais cedo frente ao ano passado – entre o final de março e o começo de abril para o robusta e entre o final de abril e o começo de maio para o arábica. Quanto aos negócios, seguem em ritmo bastante lento no físico nacional. Com a desvalorização dos cafés no último mês, produtores se afastaram do mercado.

O 1º Levantamento da Safra 2020 de Café, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), mostrou que país poderá colher entre 43,2 e 45,98 milhões de sacas beneficiadas de arábica e entre 13,95 a 16,04 milhões de sacas de conilon. Para o presidente do CCCMG, “esse número da CONAB eu acho ele bastante baixo em relação a expectativa para safra de 2020. Não vai atrapalhar muito (as chuvas), pelo contrário, nós vamos ter um rendimento muito bom eu acho que está subestimado, esse número. O mercado trabalha com números muito acima desses 45.98 milhões de sacas”, concluiu.

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