AA de mulheres completa 24 anos em Varginha

Sexta-feira, 15h. Quatro mulheres se reúnem em uma sala no centro de Varginha. Repetem um ritual que, para algumas delas, é realizado há mais de duas décadas. Abrem a reunião citando os 12 Passos dos Alcoólicos Anônimos. Cada uma se apresenta, diz há quanto tempo está sóbria e fala o que vem à mente.

Ana (nome fictício) está há mais de 20 anos sem beber. Conta que quando chegou ao A.A., chorou durante toda a primeira reunião. Estava com a mente e o físico em frangalhos. Foi recebida por outra mulher, sóbria há dez anos. “Pensei: será que vou conseguir ficar esse tempo todo sem beber?”. Hoje Ana comemorou mais de duas décadas sóbria e os 24 anos do Grupo Paz, que realiza três reuniões por semana e é o único grupo de Varginha com uma reunião exclusiva para mulheres.

“Aqui não tem nenhuma regra, ninguém precisa prometer para os outros uma meta. Basta não beber durante 24 horas”, diz. Na verdade há 12 passos, que são seguidos pelos participantes do grupo. Um deles é reconhecer que o alcoólico é um doente. No caso de Ana, o consumo de álcool começou “tarde”, quando ela já havia se formado e trabalhava. Em parte, pela timidez.

Ana explica que, com o tempo, percebeu que o problema não era a bebida, mas sim ela. “Todos nós temos defeitos de caráter, mas que se evidenciam mais quando bebemos. A gente bebe para comemorar, para passar por momentos tristes. É possível fazer isso sem o álcool”.

Bárbara (nome fictício) está há dois anos sem beber álcool. De pouca fala -e também tímida-, é a mais nova do grupo.

Carolina (nome fictício) começa a falar com bastante inibição. É mais um caso em que a bebida surgiu para vencer a timidez. Assim como Ana, conseguia se controlar na juventude. “Depois de casada, cheguei a um período em que só não bebia na segunda-feira. Dia de semana bebia no final da tarde. Mas bebia praticamente todo dia. Quase perdi tudo. O respeito da minha família, do meu marido. Uma vez, já tinha bebido, fui conversar com meu filho e a namorada, ele saiu de perto, de vergonha”. Há 8 anos sem beber, Carolina continua frequentando festas com a família. O marido bebe álcool. Ela, não.

“Passei por momentos difíceis, mortes de parentes, separações de familiares. Mas não voltei a beber”.

Eduarda (nome fictício) começa a falar de forma pausada. A voz grave denuncia os vários anos de cigarro. Ela conta uma história parecida. Começou a beber também para vencer a timidez e para acompanhar amigos em festas. Até o momento em que acordava, todos os dias, às 5h para fazer café. Não conseguia colocar o pó no coador sem tomar um copo de cachaça. “E aí continuava bebendo o dia inteiro. Limpava a casa, sentia calor, tomava outro copo de pinga”. Eduarda diz que chegou a ficar dias sem tomar banho. “Na hora de dormir, colocava a meia pra não sujar a cama. No dia seguinte, lavava a meia de manhã”.

Ela entrou em coma alcoólico várias vezes. A pressão chegou a 18. Foi a hora de parar. Ficou seis meses sem beber. “Mas, sem o suporte aqui do A.A., voltei devagar”. Eduarda entrou no Grupo Paz há 8 anos. Não bebeu mais.

Os Alcoólicos Anônimos de Varginha têm grupos mistos, apenas para homens e apenas para mulheres. Para Ana, a reunião feminina funciona melhor, pela afinidade entre elas. Cada uma conta o que faz para evitar o álcool. Carolina acredita que doce corta a vontade de beber. Ana diz que, quando vai a uma festa, sempre pensa no termo atração. “É bom você mostrar a sobriedade, que consegue se divertir sem beber. Isso atrai boas energias”.

Outras “técnicas” compartilhadas pelas mulheres: fazer a oração da sobriedade antes de ir a um evento onde será servido álcool. Ou ligar para a “madrinha”, pessoa responsável por acompanhar os novos participantes do grupo.

No final da conversa, Ana lembra quando dançou a primeira vez em uma festa, depois que parou de beber: “Estava em uma festa, morrendo de vontade de dançar. Criança é muito bom, né? Minha filha, pequena, se levantou e me deu as mãos. Começamos a dançar e, logo depois, apareceram outras amigas”.

A reunião termina. Todas se dão as mãos, repetem os Passos do A.A. e comemoram os 24 anos do Grupo Paz em Varginha. Com direito a bolo com a logomarca do A.A., salgadinho e refrigerante.

Traduzindo: talvez o mais importante no A.A. seja, além do anonimato, o fato de que ali dentro não importa quem você é. As pessoas se unem para ajudar umas às outras. Independente de condição social, cultural, todos têm o mesmo problema. A reunião, mesmo para quem não integra o A.A., é uma limpeza na alma.

Informe-se: (35) 9.8815-3274.

Grupo Paz
Reuniões:
Segundas-feiras, às 9h (mistas);
Terças, às 18h (femininas);
Sextas, às 15h (mistas).
Onde: Rua Tenente Nogueira Neto, 13, perto da Praça Santa Cruz.

Grupo Esperança
Reuniões:
Sábados, às 20h;
Segundas, às 20h.
Onde: Salão da Igreja do Rosário.

Grupo Varginha
Reuniões:
Terças-feiras, às 20h (mistas).
Onde: Salão dos Vicentinos (Avenida Ana Jacinta).

Grupo Imaculada
Reuniões:
Quintas, às 20h.
Onde: Av. Manoel Vida, 940.

Grupo Vida Nova
Reuniões:
Domingos, às 9h30.
Onde: Escola Estadual Domingues Chaves.

Grupo Sol Nascente
Reuniões:
Sextas, às 20h.
Onde: Salão Vicentino (Rua Rezende Xavier, 405 – A).

Fonte: Blog do Madeira / Foto: Reprodução

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