Avenida do bairro Santa Clara pode receber nome de Aristides Prince de Souza

Empresário, natural de Soledade de Minas, era dono Cine Rio Branco, que foi inaugurado em 11 de agosto de 1956 e se tornou patrimônio de Varginha

Em projeto apresentado pelo vereador Leonardo Ciacci, na Câmara Municipal de Varginha, pede aprovação para que uma avenida do bairro Santa Clara passe a receber o nome de Aristides Prince de Souza.

O projeto está em tramitação na Câmara, passará pelas comissões e seguirá para votação em plenário. A lei entrará em vigor apenas na data de sua publicação.

Bibliografia

Nascido em 27/03/1920, na cidade de Soledade de Minas, importante entroncamento ferroviário naquela época, localizada a poucos quilômetros da cidade de São Lourenço, no Sul de Minas, Aristides Prince de Souza é filho do também empresário do ramo cinematográfico Inocêncio Prince de Souza e de Maria Luzia de Souza.

Seu pai, Inocêncio Prince de Souza, filho de imigrantes italianos e nascido também em Soledade de Minas, criou nessa mesma cidade, em 1921, uma agência distribuidora de filmes, aproveitando o fato de a cidade onde vivia ser importante entroncamento ferroviário, com ligações para quase todo o Sul de Minas. Teve aí também um cinema que, embora modesto, possibilitou a seus conterrâneos o acesso à chamada sétima arte. Com essas atividades de seu pai, Aristides Prince de Souza, desde cedo, se viu envolvido no mundo dos exibidores de filmes, herdando conhecimentos e relacionamentos que seriam de grande utilidade em sua empreitada de idealização, construção e administração do Cine Rio Branco.

Em 1945, seu pai foi para Varginha, onde adquiriu os cines Capitólio e Rex de Antônio Ribeiro Nogueira (Nenê Nogueira) — que havia comprado anteriormente os citados cinemas da família Navarra —, passando a administrá-los com seu habitual entusiasmo e eficiência. Com a morte de seu pai, em 1949, Aristides Prince mudou-se para Varginha, juntamente com sua esposa, Maria Antônia de Araújo Prince, e seus dois filhos (o terceiro nasceu em Varginha, em 1950), assumindo a direção dos referidos cinemas.

Em1952, Aristides Prince, com o entusiasmo e o idealismo de um jovem e dinâmico empresário de apenas 32 anos de idade, começou a pensar na construção de um grande cinema em Varginha, incentivado pelo sucesso dos grandes e modernos cinemas que estavam sendo construídos nas principais capitais e cidades do Brasil. Para tanto, buscou apoio junto a outros visionários varginhenses, constituindo a Empresa Cinematográfica Prince de Souza Ltda., que seria responsável pela construção do Cine Rio Branco e que teve como seus primeiros sócios José de Resende Paiva, Joaquim Peloso, Otávio Marques de Paiva, José Pedro Ribeiro, Antônio Balbino, Geralda Gomes Prince, Aristides Prince de Souza, Ângelo Prince de Souza e Dorothy Prince de Souza.

O projeto arquitetônico do Cine Rio Branco foi elaborado pelo prestigiado arquiteto varginhense José Braga Jordão, que, juntamente com Aristides Prince tiveram a oportunidade, com base no excelente relacionamento deste último com empresários do mundo do cinema no Brasil, de visitar o que havia de melhor dentre os cinemas dos estados do Rio e de São Paulo, para utilizarem como inspiração para o que viria a ser o Cine Rio Branco. Aristides Prince lembra que o cinema Iporanga, da cidade de Santos, foi o que mais lhes serviu como referência.

Para a elaboração dos projetos estrutural (elaborado pelo Eng. Mildo Rugani, de São Paulo) e de instalações, bem como para a escolha e implantação dos equipamentos, valeram mais uma vez as  excelentes relações de Aristides Prince com empresários de cinemas de São Paulo, que deram    sugestões valiosas para que o Cine Rio Branco viesse a ser dotado do que de melhor havia na época em termos de equipamentos e instalações.

As obras do Cine Rio Branco foram iniciadas em 17/08/1954 e concluídas nas vésperas de 11/08/1956, quando o cinema teve a sua inauguração. Foram dois anos de intensas atividades, exigindo de Aristides Prince, na condição do principal responsável pelo empreendimento, muito empenho, habilidade e dedicação._

Nesses anos o Brasil vivia um período de muitas e grandes obras desencadeadas pelo governo desenvolvimentista do presidente Juscelino Kubitschek, o que exigiu um esforço enorme de Aristides Prince na disputa de escassos materiais de construção, como cimento e ferro. Também as gestões junto a instituições financeiras para obtenção de empréstimos exigiram muito esforço e habilidade.

Para a execução da obra, que teve como responsável técnico o Eng. Maurício Ferreira Barros, então residente em Varginha, Aristides Prince lembra-se de uma maneira especial da participação essencial do mestre de obras Antônio Napoleão de Marco, considerado por ele como o seu braço direito na construção do grandioso edifício em que o cinema viria a funcionar. Durante a obra, Aristides recorda também da confecção e instalação da imponente e belíssima cortina à frente da tela (com seus mais de 20 metros de comprimento por 10 metros de altura — a tela possuía 18 metros de comprimento por 7,7 metros de altura, sendo uma das maiores da América Latina em sua época).

A inauguração do Cine Rio Branco deu-se em 11/08/1956 com a presença de autoridades municipais e estaduais e com a participação de um grande número de convidados, que ocuparam extasiados todos os 1500 lugares do cinema. O filme exibido foi Rapsódia, belíssimo e exitoso filme da Metro Goldwin Mayer, lançado em 1954, dirigido por Charles Vidor e com os atores Elizabeth Taylor, Vittorio Gassman e John Ericson, e direção musical de Johnny Green e Bronislau Kaper. O valor arrecadado com a venda de ingressos nas duas sessões foi toda destinada a entidades de assistência social da cidade. No dia seguinte, um domingo, o cinema foi aberto para a população varginhense e de cidades vizinhas, com a exibição de outro grande sucesso de então, o famoso filme “O manto sagrado”, produção de 1953 da 20th Century Fox e primeiro filme feito em Cinemascope, com os atores Richard Burton, Jean Simmons e Victor Mature, sob a direção de Henry

Koster e com música de Alfred Newman. Foi a inauguração da tela em Cinemascope com som magnético em quatro canais, que encantaram e entusiasmaram os mais de 6000 espectadores. Afinal de contas estava sendo inaugurado um dos mais grandiosos e modernos cinemas do Brasil e da América Latina, grande orgulho de Varginha e da região durante  muitos anos.

Até sua retirada da gerência da Empresa Cinematográfica Prince de Souza Ltda., proprietária dos cines Rio Branco, Rex e Capitólio, em 30/08/1982, Aristides Prince continuou a dar o melhor de si para manter o mesmo nível de qualidade dos primeiros dias. Graças aos seus esforços o Cine Rio Branco continuou a ser, nesse período, uma referência de bom gosto e conforto para todos os seus usuários. Foram dias cuja lembrança é guardada com muito carinho e saudade por todos que tiveram a oportunidade de assistir os melhores filmes e ouvir as músicas de muito bom gosto que antecediam as sessões.

Os filmes de que Aristides Prince mais se orgulha de ter exibido no cine Rio Branco foram (por ordem cronológica): Rapsódia; O Manto Sagrado; Desenhos de Walt Disney; Suplício de uma Saudade; Os Dez Mandamentos; Melodia Imortal; Assim Caminha a Humanidade; Ao Balanço das Horas; Ben Hur; Exodus; filmes de James Bond (Agente 007); Lawrence da Arábia; A Noviça Rebelde; Doutor Jivago; Tubarão; Em Algum Lugar do Passado.

É relevante observar também que, durante todos os anos em que Aristides Prince de Souza esteve à frente da direção da Empresa Cinematográfica Prince de Souza Ltda., os religiosos (padres, freiras e 6 irmãos maristas) e também os meninos e meninas do orfanato local foram dispensados de pagarem ingressos para assistirem aos filmes nos cinemas de propriedade da empresa.

Em meados de 1990, Aristides Prince de Souza retirou-se da sociedade, contrariado que estava com os rumos dados pela nova direção da empresa. Em 30/07/1990, com sua esposa e filha, mudou-se para Belo Horizonte, porque aí já residiam dois de seus filhos. Em 31/07/2017, Aristides Prince de Souza faleceu em Belo Horizonte — MG. Durante todo o tempo em que ele viveu em Belo Horizonte, ele se lembrava de Varginha e em especial do Cine Rio Branco com muito carinho e empolgação.

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