Pesquisador da Ufla-MG descobre nova espécie de ‘tatuzinho’ na Bahia

Um pesquisador da Universidade Federal de Lavras (Ufla-MG), descobriu uma nova espécie de ‘tatuzinho’. O crustáceo mede um centímetro e foi encontrado em uma caverna no sul da Bahia. Segundo Rodrigo Lopes Ferreira, a descoberta pode ajudar a salvar outras espécies de crustáceos e também trazer soluções para a sociedade.

A nova espécie de ‘tatuzinho’ foi batizada em homenagem a cidade de Iuiu, município no sul da Bahia onde foi encontrada, e recebeu o nome científico de Luiuniscus Iuiunensis. Medindo cerca de um centímetro, a espécie vive nas cavernas e tem características bem diferentes de outros tipos já encontrados nesses ambientes.

still0706_00007“Existem outros tatuzinhos de caverna aqui no Brasil. A gente conhece várias espécies, mas nenhuma delas apresenta espinhos laterais. Isso foi o que nos chamou mais atenção no primeiro momento, e que nos fez, inclusive, retornar à caverna para descobrir os motivos pelos quais eles cresceram tanto nesses bichos”, diz o pesquisador, que conta também que os espinhos laterais servem para a proteção contra peixes predadores.

O ‘tatu bolinha’, que costuma ser encontrado em jardins, é um parente do ‘tatuzinho’ Iuiu das cavernas. Os dois são crustáceos, primos distantes do camarão. O apelido tatu vem da semelhança com o mamífero, que se esconde dentro da própria carapaça e fica em formato de bola.

O pesquisador explica que a casinha construída pelo tatuzinho revela um hábito importante sobre a espécie. “Nós temos o esqueleto por dentro do nosso corpo, ele é interno. Eles não, eles têm o esqueleto por fora, o que a gente chama de exoesqueleto. Quando eles vão crescer, eles têm que romper esse antigo esqueleto, saem de dentro dele, e expandem o corpo pra poder crescer até que o novo esqueleto fique duro de novo”, conta.

Há 24 anos estudando a fauna nas cavernas, Ferreira acredita que essas descobertas podem trazer soluções para a sociedade.

“A descoberta de uma espécie nova, sempre vem trazer mais razões para que a gente possa conservar uma caverna. E, claro, conservando uma, a gente acaba conservando todo um sistema. Não só é uma contribuição para a ciência, como é uma contribuição para a preservanção de todo um conjunto de espécies que habitam uma determinada área”, explica.

A descoberta foi publicada em revistas científicas internacionais. Além do pesquisador da Ufla, que no ano passado já havia encontrado uma nova espécie de insetos que também vivem nas cavernas, o artigo que descreve as características do tatuzinho teve a colaboração de professores das universidades federais do Ceará e da Bahia.

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