Criação de conjunto habitacional gera polêmica em Campo Belo

Um terreno que fica na mesma área de uma escola estadual virou alvo de polêmica em Campo Belo (MG). Sem uso, o Estado decidiu criar um Conjunto Habitacional (Cohab) para oferecer de moradia, mas quem já mora por ali, não gostou da ideia e criou até um movimento contra o projeto.

O terreno fica no bairro Vila Isabel, bem próximo do Centro da cidade. São 5,4 mil metros quadrados, que estão na mesma área da Escola Estadual Polivalente. Mas como esse espaço específico está sem uso, cheio de mato, alguns moradores dizem que ele acaba gerando perigo pra vizinhança.

“Até hoje ele está servindo de rota de fuga para indivíduos que utilizam este espaço para atos ilícitos, então é um problema. Está vago, sem contar o lixo que acumular, vira espaço escuro demais, então quando você passa aqui à noite representa um sério perigo”, diz Angelina de Oliveira da Silva, que é auxiliar administrativa.

Segundo a prefeitura, em maio deste ano, o Estado pediu um levantamento do déficit habitacional do município, que apontou uma demanda de pelo menos 3,4 mil pessoas. Com isso, a própria Cohab teria feito um estudo do terreno ao lado da escola pra construção do conjunto habitacional. O projeto já está pronto, com três prédios e 16 apartamentos em cada.

Terreno que receberia obra da Cohab tem 5,4 mil metros quadrados, em Campo Belo (Foto: Reprodução EPTV)
Terreno que receberia obra da Cohab tem 5,4 mil metros quadrados, em Campo Belo (Foto: Reprodução EPTV)

Com tudo adiantado, o município, inclusive, já ia abrir o período de inscrição dos interessados – seria entre os dias 11 e 15 de setembro -, só que esse processo teria sido suspenso pela prefeitura. A princípio, porque nem todo mundo estaria de acordo com o uso dessa área pra construção do conjunto.

“O prefeito achou por bem suspender as inscrições, envolveu a Cohab nisso, mandou o ofício para a Cohab. Parece que a Cohab também entender por bem suspender essas inscrições até que se resolva essa questão”, diz o assessor jurídico da prefeitura, Turene Cambraia.

Um dos membros do grupo criado pra tentar impedir a construção, o aposentado Dirceu Alvarenga conta que já foram feitos um abaixo-assinado e uma ação popular no Ministério Público, alegando desvio de função, já que o terreno foi doado ao Estado apenas para fins escolares. Ainda segundo ele, o movimento não é contra as moradias, mas os membros acreditam que a obra pode trazer problemas para o bairro e para a escola.

“Hoje já vivemos com esse transtorno, falta água nas nossas torneiras, o bairro é carente de água. E se não bastasse, o que é mais importante que nós estamos preocupados, a escola que hoje está funcionando, os alunos serão diretamente prejudicados, porque 148 apartamentos no entorno de uma escola, vai faltar luminosidade, vai faltar ambiente para um professor proceder os seus ensinamentos, passar para os alunos os seus ensinamentos”, alega Dirceu.

Proximidade com escola é um dos argumentos contra a obra em Campo Belo (Foto: Reprodução EPTV)
Agora moradores que são a favor do conjunto habitacional também criaram um grupo pra defender a obra.

“Além de oferecer oportunidades para aqueles que precisam e que se classificam na aquisição desses imóveis,ele (o projeto) vai utilizar esse espaço para atender a própria comunidade, a própria população de Campo Belo. Então foi uma decisão acertada um projeto desse. Ele vale a pena, vai ter mais segurança para o local, vai ter mais morador aqui”, afirma Angelina.

Como a obra é responsabilidade da própria Cohab, a prefeitura diz que vai esperar uma posição pra poder iniciar o cadastro dos interessados.

“Se a Cohab chegar amanhã e falar ‘nós vamos fazer o empreendimento’, não cabe ao prefeito, ao município, barrar esse empreendimento, não tem nem competência para isso. Então vai aguardar. O posicionamento é exclusivamente da Cohab do Estado”, ressalta Cambraia.

Fonte: G1 Sul de Minas

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