Trump informa a presidente palestino que pretende transferir embaixada dos EUA para Jerusalém

O porta-voz do presidente da Palestina, Mahmoud Abbas, confirmou que o presidente dos EUA, Donald Trump, comunicou sua intenção em transferir a embaixada dos EUA em Israel de Tel Aviv para Jerusalém. Os dois se falaram por telefone nesta terça-feira (5).

Abbas advertiu o presidente americano que sua iniciativa vai ter “consequências perigosas”, ainda de acordo com o porta-voz palestino.

Segundo a Casa Branca, nesta manhã além de conversar com Abbas, o mandatário também falou por telefone com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu e com o Rei da Jordânia, Abdullah II.

O alerta de Abbas se soma a uma série de reações do mundo muçulmano, que teme que a decisão de Trump possa minar ainda mais os esfoços de paz entre Israel e a Palestina.

A Jordânia advertiu os Estados Unidos sobre “as graves consequências” de um eventual reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel, anunciou o ministério das Relações Exteriores jordaniano. Essa decisão fomentará a violência e não contribuirá para o processo de paz, alertou a Jordânia, que é guardiã dos lugares santos muçulmanos de Jerusalém.

A posição jordaniana foi comunicada pelo ministro do país, Ayman Safadi, em uma conversa telefônica com seu homólogo americano Rex Tillerson.

Decisão

Na segunda-feira (4), a Casa Branca comunicou que Trump resolveu adiar a decisão, e que um pronunciamento deve ser feito ainda nesta semana.

“O presidente foi claro: não é uma questão de ‘se’, mas de ‘quando’ haverá a transferência, declarou o porta-voz Hogan Gidley. “Mas não será adotada qualquer decisão hoje e faremos um anúncio nos próximos dias”, disse Gidley.

A mudança da embaixada é uma promessa eleitoral de Trump, que, no entanto, prorrogou em junho, por mais seis meses, a lei que estabelece que Tel Aviv seja sede da legação diplomática.

Em 1995, o Congresso americano adotou o “Jerusalem Embassy Act”, que pede ao executivo a transferência da embaixada. A lei é vinculante para o governo americano, mas uma cláusula permite aos presidentes adiar sua aplicação durante seis meses em virtude de “interesses de segurança nacional”.

Todos os presidentes fizeram isso desde 1995 por considerarem que não era o momento para uma decisão dessa envergadura.

Reconhecimento

Os EUA não reconhecem Jerusalém como capital de Israel. Como outros países, o governo americano mantém sua embaixada fora da cidade, ocupada por Israel em 1967 e reivindicada pelos palestinos.

A transferência da embaixada seria vista como um reconhecimento da ocupação e da soberania de Israel sobre toda a cidade.

Os palestinos querem Jerusalém Oriental como capital de seu futuro Estado, e a comunidade internacional não reconhece a reivindicação israelense sobre a cidade como um todo.

Fonte: G1

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