Quatro venezuelanos morrem e 20 desaparecem em naufrágio de barco

Quatro venezuelanos − duas mulheres e dois homens − foram encontrados mortos na zona costeira de Koraal Tabak, no norte da ilha holandesa de Curaçao, localizada 80 quilômetros ao norte da Venezuela. As autoridades locais e alguns veículos de comunicação venezuelanos informaram na quarta-feira que eles morreram quando o barco em que viajavam afundou não muito longe da costa, ao tentar chegar clandestinamente à ilha. Outras 20 pessoas, tripulantes da embarcação − todas com menos de 30 anos −, estão desaparecidas.

O barco tinha saído do povoado de San José de la Costa, no Estado de Falcón, no noroeste da Venezuela. As autoridades de Curaçao informaram que a embarcação, que estava com excesso de peso, chocou-se contra rochas não muito longe da costa. Parentes das vítimas foram a La Vela de Coro, capital de Falcón, para denunciar o desaparecimento dos jovens.

A notícia é incomum: segundo a imprensa de Curaçao, foi a primeira vez em que cidadãos venezuelanos morreram tentando entrar ilegalmente nesse território autônomo pertencente à Holanda, tradicionalmente um destino muito popular de férias e compras.

Nos últimos meses, a pressão da crise econômica e social venezuelana, que está levando milhares de pessoas a emigrar desesperadamente para os países vizinhos, tem mantido a Guarda Costeira de Curaçao bastante ocupada, recebendo e deportando imigrantes ilegais. Emigrantes pagam até 100 dólares (321 reais) por um lugar em uma embarcação que lhes permita sair da Venezuela. Alguns informes revelam que, neste momento, na vizinha Aruba, ilha de menos de 200 quilômetros quadrados que também pertence à Holanda, vivem 12.000 venezuelanos.

“Em 2017, 36 venezuelanos tentaram entrar em Aruba de forma ilegal, e no passado morreu gente tentando chegar à ilha”, assinala Roderick Gouverneur, oficial da Guarda Costeira do Caribe holandês. Gouverneur explica que as águas que rodeiam as Antilhas são difíceis para a navegação, principalmente para tripulantes que não conhecem as rotas marítimas, por isso há muitos acidentes com botes que batem nas rochas. Em Curaçao, a Guarda Costeira encontrou restos da embarcação, gasolina e artigos pessoais, como roupa e sapatos, e continua procurando possíveis sobreviventes.

O acidente ocorreu quase ao mesmo tempo em que o Governo venezuelano de Nicolás Maduro anunciou o fechamento, por tempo indeterminado, das fronteiras aéreas e marítimas com as ilhas de Curaçao, Aruba e Bonaire, alegando ser necessário controlar o contrabando de produtos venezuelanos para esses territórios holandeses. A medida foi criticada por autoridades das ilhas e do próprio Governo holandês.

Embora o diretor da Defesa Civil da Venezuela, Gregorio Montaño, tenha reconhecido o naufrágio, o Governo de Maduro se mantém em silêncio sobre o caso.

Dezenas são detidos por saques

A terrível dinâmica da crise econômica e social venezuelana continua seu curso. Depois dos incidentes de dezembro, 2018 começou com uma nova sequência de distúrbios por causa da escassez de alimentos, da falta de gasolina e da deficiência dos serviços de saúde. Foram protestos restritos a focos específicos, controlados pelas autoridades, mas com uma dimensão cada vez maior.

Em Ciudad Guayana, no Estado de Bolívar, 30 estabelecimentos comerciais foram afetados, com um saldo de 40 detidos. Testemunhas descreveram o saque de caminhões que distribuíam comida e papel higiênico por turbas enfurecidas. Nos Estados de Trujillo e Portuguesa também houve protestos, com tentativas de saque, controlados finalmente pela Guarda Nacional Bolivariana.

Ataques a veículos que transportavam comida também ocorreram em algumas localidades dos Estados de Anzoátegui, Guárico e Apure. Um caminhão com cerveja foi saqueado na avenida Cajigal, em pleno centro de Barcelona, capital do Estado de Anzoátegui. Em San Juan de los Morros, capital de Guárico, alguns moradores interceptaram e assaltaram outro caminhão que levava aveia para Caracas. Em Apure, na fronteira com a Colômbia, uma das áreas mais pobres da Venezuela, um grupo de aproximadamente 500 pessoas se apropriou de comida transportada por rodovia.

Fonte: El País / Foto: Reprodução

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