Ledezma volta para prisão domiciliar na Venezuela, diz mulher

O ex-prefeito de Caracas Antonio Ledezma, de 62 anos, voltou para prisão domiciliar nesta sexta-feira (4), de acordo com uma mensagem publicada pela mulher dele no Twitter. Na madrugada de terça (1º), ele e Leopoldo López, que já cumpriam prisão domiciliar, foram levados para cadeia pelo Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin) da Venezuela.

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Em mensagem publicada, a mulher Mitzy Capriles afirmou: “Informo ao país que há poucos minutos surpreendentemente o Sebin trouxe Antonio para nossa residência. Voltou para prisão domiciliar”, diz a mensagem.

Segundo relato da mulher, ele disse ao entrar no apartamento “retorna com a angústia de saber que Leopoldo [López] e outros 600 presos políticos seguem atrás das grades”.

Após a prisão, a Justiça alegou que os oposicionistas do governo de Nicolás Maduro planejavam fugir. O governo afirmou que eles haviam descumprido as regras da prisão domiciliar.

A União Europeia condenou as detenções e Brasil exigiu a libertação imediata dos opositores. O chefe do Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos, Zeid Ra’ad al-Hussein, demonstrou preocupação com as prisões e fez um apelo para que as autoridades não recorram ao uso da força excessiva.

 Líderes oposicionistas Leopoldo López e  Antonio Ledezma (Foto: Andres Martinez Casares/Reuters/Arquivo; Roberto Jayme/Reuters/Arquivo)
Líderes oposicionistas Leopoldo López e Antonio Ledezma (Foto: Andres Martinez Casares/Reuters/Arquivo; Roberto Jayme/Reuters/Arquivo)

Os dois líderes tinham feito apelos para que as pessoas não votassem no domingo (30) na polêmica eleição Assembleia Constituinte, convocada por Maduro, mas rejeitada pela oposição e por vários países.

Ledezma foi detido em 19 de fevereiro de 2015 acusado de uma suposta conspiração contra o presidente – ainda em julgamento. Dois meses depois foi colocado em prisão domiciliar por razões de saúde.

Já López foi colocado em prisão domiciliar em 8 de julho, após passar três anos e cinco meses em Ramo Verde, onde cumpria uma condenação de quase 14 anos por supostamente instigar a violência nos protestos contra Maduro em 2014, que deixaram 43 mortos.

Líder oposicionista da Venezuela volta para prisão domiciliar

Protesto

A oposição convocou um protesto nesta sexta, quando tomam posse os 545 deputados da Assembleia Constituinte. Com a indefinição da data da posse, o protesto foi adiado.

Nesta sexta, o Vaticano pediu que “se evite ou se suspenda” a Assembleia Constituinte, de acordo com a France Presse.

Manipulação

A Smartmatic, empresa responsável pelo sistema eleitoral na Venezuela, afirmou na quarta-feira (2) que o número de eleitores que participaram da votação que elegeu a Assembleia Constituinte foi manipulado. O governo anunciou a participação de pelo menos um milhão a mais de votantes no pleito.

 A procuradora-geral da Venezuela, Luisa Ortega, informou na noite de quarta-feira (2) que abriu uma investigação sobre a denúncia de fraude. Na quinta-feira (3), o Ministério Público da Venezuela pediu a um tribunal de controle a anulação da Assembleia Constituinte.

Fonte: G1

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