Hillary Clinton vota em Nova York

Hillary Clinton chega para votar em Chappaqua, em Nova York, nesta terça-feira (8) (Foto: Seth Wenig/AP)
Hillary Clinton chega para votar em Chappaqua, em Nova York, nesta terça-feira (8) (Foto: Seth Wenig/AP)

A candidata democrata Hillary Clinton votou na manhã desta terça-feira (8), em Chappaqua, Nova York. Ao chegar ao local de votação, ela estava acompanhada pelo marido e ex-presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton. Ela cumprimentou eleitores e foi cercada por admiradores, que tentavam tirar fotos dela com o celular.

“Tanta gente conta com o resultado desta eleição, no que isso significa para nosso país, e farei o meu melhor se tiver a oportunidade de vencer hoje”, afirmou, segundo a France Presse, após sair da escola Douglas G. Graffin, no Condado de Westchester.

Com ar descontraído e sorridente, o casal cumprimentou os funcionários que estavam no local e ficou no centro de votação durante cerca de dez minutos, de acordo com a Efe.

Após oito anos como primeira-dama (1993 a 2001),  Hillary Clinton pode voltar à Casa Branca como primeira mulher presidente dos EUA. Ela já foi senadora pelo estado de Nova York (2001 a 2009) e secretária de Estado do governo Barack Obama (2009 a 2013).

A candidata democrata à Presidência dos EUA, Hillary Clinton, registra seu voto em uma escola de Chappaqua, em Nova York (Foto: Brian Snyder/Reuters)
A candidata democrata à Presidência dos EUA, Hillary Clinton, registra seu voto em uma escola de Chappaqua, em Nova York (Foto: Brian Snyder/Reuters)

Hillary tem 69 anos e nasceu em Chicago. Casada com o ex-presidente dos EUA Bill Clinton desde 1975, tem uma filha, Chelsea, de 35 anos, e uma neta, Charlotte, de 16 meses. Seu segundo neto nasceu este ano, antes da eleição presidencial.

A primeira tentativa de chegar à presidência aconteceu há oito anos, quando foi derrotada nas primárias por Barack Obama, que agora a apoia.

Hillary já foi uma das advogadas mais influentes dos EUA e tem histórico de defesa dos direitos das mulheres e crianças. Ela é filha de uma mãe com tendências de esquerda e de um pai ultraconservador.

Hillary na época de faculdade (Foto: AFP)
Hillary na época de faculdade (Foto: AFP)

Em 1957, aos 10 anos,  ganhou o que talvez tenha sido a primeira eleição de sua vida, para o posto de cocapitã da equipe de segurança de sua escola primária em Park Ridge, Illinois. Quando adulta, Hillary se lembraria que essa foi uma das muitas ocasiões em sua infância em que ela teve que demarcar seu território diante de meninos truculentos.

Ela era uma garota com jeito de menino e uma bandeirante encorajada por sua mãe a revidar quando alguma menina do bairro tentasse intimidá-la. Mãe e filha jogavam jogos de estratégia, como Banco Imobiliário.

A jovem Hillary cedo manifestou interesse por política, influenciada pelas pressões opostas em sua casa. Ela aprendeu sobre política com seu professor de história da nona série na Maine East High, Paul Carlson, que ensinava de modo apaixonado e com uma declarada inclinação à direita, pontuando suas aulas com expressões como “melhor morto do que vermelho!”. Ele mais tarde se lembraria de Hillary como uma pessoa brilhante, falante e entusiasmada. “Ela sempre estava a par das atualidades”, relembraria Carlson.

Hillary cresceu como metodista e sua consciência social foi forjada pelo pastor Donald Jones, que a levou para visitar igrejas frequentadas por negros e hispânicos em Chicago e para ver Martin Luther King Jr.

No colegial, concorreu para o governo estudantil e perdeu. E muito antes de reconhecer suas ambições presidenciais, ela contaria a história do comentário maldoso vindo de um de seus oponentes no último ano: ele disse que ela era estúpida por achar que uma garota poderia ser eleita presidente.

Hoje no Partido Democrata, Hillary foi presidente dos Jovens Republicanos no campus do Wellesley College, onde estudava. No dia 31 de maio de 1969, foi selecionada para fazer o discurso de abertura aos alunos. Ela deveria fazer isso logo após o discurso do senador republicano Edward Brooke, que falou contra o “protesto coercitivo”, em relação às manifestações contra a Guerra do Vietnã.

Hillary mais tarde escreveu que esperou em vão durante o discurso por alguma menção à dor e ao processo de autoavaliação da época. “Cada protesto, cada discordância”, disse ela, desfiando Brooke nominalmente, “é uma tentativa assumida de se forjar uma nova identidade nesta era em particular”.

O discurso causou sensação e a jovem saiu na revista “Life”. Hillary disse ainda: “E há o respeito. Há o respeito mútuo entre pessoas quando não se vê os outros como pontos percentuais. Quando não se manipula as pessoas”.

Hillary, única mulher na foto, com turma na faculdade de direito. Bill Clinton aparece na fila de trás, na ponta da direita (Foto: Reprodução/TV Globo)
Hillary, única mulher na foto, com turma na faculdade de direito. Bill Clinton aparece na fila de trás, na ponta da direita (Foto: Reprodução/TV Globo)

Hillary se casou em 1975 com Bill Clinton, que viria a ser eleito presidente dos Estados Unidos em 1993. Eles se uniram apenas após três pedidos de Bill. Os dois se conheceram na Universidade de Yale, onde estudavam direito.

No anúncio de casamento publicado no jornal “Arkansas Gazette”, o destaque era que ela continuaria usando seu nome de solteira, Hillary Rodham – argumentando que queria manter sua vida profissional separada da de seu marido. “Precisava manter minha própria identidade”, afirmou depois.

Nome
A decisão de Hillary foi usada contra seu marido quando ele se candidatou ao governo do Arkansas. Para evitar mais prejuízos à imagem dele, Hillary decidiu adotar seu sobrenome no início da década de 1980 – quando passou a ser chamada de Hillary Rodham Clinton.

No início dos anos 2000, seu nome de solteira começou a ser esquecido. Na campanha por uma vaga no Senado por Nova York, ela se apresentava apenas como Hillary. Em outubro de 2001, registrou na web o domínio hillaryclinton.com.

Alguns meses depois que Hillary Clinton fez 30 anos, um executivo chamado Jim McDougal se aproximou do jovem casal com planos de comprar terra na região de White River, loteá-la para casas para férias e revendê-lo com lucro. Os Clintons fizeram negócio com McDougal e sua esposa e formaram uma empresa com acionistas. Eles a chamaram de Whitewater.

Hillary quano capitaneava a proposta de reforma do sistema de saúde, que acabou fracassando (Foto: Reprodução/TV Globo)
Hillary quano capitaneava a proposta de reforma do sistema de saúde, que acabou fracassando (Foto: Reprodução/TV Globo)

O investimento viraria um problema na presidência de Bill Clinton, resultando numa investigação de US$ 70 milhões que duraria um ano por um conselho especial e levaria à prisão McDougal e sua esposa, Susan, mas que nunca resultou em acusações contra os Clinton.

Bill Clinton se candidatou à presidência e ganhou em 1992, e Hillary se debatia para conciliar seu próprio perfil – voltada para a carreira, politicamente astuta, incrivelmente bem-sucedida – com as impressões tradicionais que se tinha sobre primeiras-damas norte-americanas.

Duas declarações foram particularmente memoráveis. A primeira foi numa entrevista televisiva para o programa “60 Minutos” durante a campanha: “Não estou sentada aqui, uma mulherzinha ao lado do seu homem, como Tammy Wynette”. A segunda, em resposta à questão sobre sua nova carreira em direito foi: “Acho que poderia ter ficado em casa, assando cookies e tomando chá”. Ambas as declarações criaram furor na mídia.

A própria Hillary escreveu que o protesto pode ter sugerido uma sociedade “ainda se ajustando aos papéis em transformação da mulher”. Ela escreveu que o episódio a ensinou a nunca levar as críticas pelo lado pessoal.

Houve um outro erro logo no início de seus anos na Casa Branca -sua tentativa desastrosa, sob direção de seu marido, de reformar o sistema de saúde norte-americano. Os republicanos perceberam uma fraqueza e foram contra o “Hillarycare”, tomando o controle de ambas as casas do Congresso em 1994.

Escândalo
Ainda como primeira-dama, Hillary se tornou a mulher enganada em um dos maiores escândalos sexuais que já abalaram um governo americano.

Os americanos que antes a haviam apontado como dominadora nas pesquisas agora a viam como forte. Como ela mesma conta em sua autobiografia, de 2003, ela enfrentou duas das decisões mais difíceis de sua vida na sua quinta década de vida. Uma foi a de permanecer casada com Bill. A outra foi se candidatar ao Senado norte-americano. Ela foi criticada como vira-casaca por concorrer ao Senado por Nova York, estado com o qual ela não tinha conexão alguma, mas venceu sem grande dificuldade.

Seu primeiro mandato no Senado seria lembrado por dois fatos: sua insistência numa ajuda federal a Nova York depois dos ataques de 11 de setembro, um esforço pelo qual até os republicanos a elogiaram, e seu voto de 2002 para autorizar a utilização de força militar no Iraque -um voto pelo qual ela, em face da crítica da esquerda, se recusou a pedir desculpas.

Em 2006 ela amealhou dois terços dos votos e venceu em quase todos os 62 condados de Nova York.

Em 2009, Hillary assumiu como secretária de Estado dos EUA, sob a presidência Obama. O fato que mais chamou a atenção durante sua gestão, e que só viria à tona em 2015, foi o uso de uma conta pessoal de e-mail, armazenada em um servidor privado e não seguro em seu apartamento de Nova York, para lidar com assuntos oficiais, em vez de um endereço fornecido pelo governo. O caso levou à abertura de uma investigação, depois fechada por recomendação do FBI e posteriormente reaberta, às vésperas da eleição deste ano, devido ao surgimento de novas evidências.

Como secretária de Estado, Hillary também estava no centro das tomadas de decisão quando tropas de elite mataram Osama bin Laden em 2011 Paquistão. Também estava no cargo quando prédios da missão diplomática dos EUA na Líbia foram atacados, em 2012, resultando na morte de quatro americanos foram mortos, inclusive o embaixador J. Christopher Stevens.

Veja as ideias e propostas da candidata:

Política externa e defesa
Hillary afirma que quer restaurar a liderança mundial dos EUA e promete que “defender os valores americanos e manter o país seguro” serão prioridades absolutas. Para isso, ela promete ter um corpo militar de ponta, fortalecer alianças, cultivar novas parcerias, enfrentar agressores, derrotar o grupo Estado Islâmico e fazer cumprir o acordo nuclear com o Irã.

Mas Hillary defende que é possível ser forte e inteligente sem apelar para a tortura ou intolerância e diz que o medo não irá ditar sua política externa. Ela também assegura que manterá as boas relações com Israel, mas que é imperativo continuar a busca por uma solução na questão palestina. Hillary diz ainda que, se for presidente, irá reconhecer o genocídio armênio, algo que Obama evitou fazer em seus dois mandatos.

A democrata afirma que usar força militar deve ser sempre o último recurso, mas promete combater e derrotar grupos terroristas que ameacem os EUA ou seus aliados. Além de modernizar as forças, ela sugere endurecer protocolos de segurança em aeroportos e outros pontos considerados frágeis e manter um monitoramento tecnológico mais efetivo para evitar o crescimento de grupos como o Estado Islâmico na internet, criando uma comissão nacional de criptografia. Ela também afirma que deve priorizar soluções diplomáticas, mas diz que não se intimidará com Putin, além de se manter a China “sob controle”.

Presidente dos EUA, Barack Obama, e a secretária de Estado, Hillary Clinton, chegam nesta segunda-feira (19) ao Aeroporto Internacional de Yangon, em Myanmar. Esta é a primeira visita a Mianmar de presidente dos EUA.  (Foto: AP Photo / Carolyn Kaster)
Imagem de arquivo mostra o presidente dos EUA, Barack Obama, e a então secretária de Estado, Hillary Clinton, ao chegar para visita em Myanmar (Foto: AP Photo / Carolyn Kaster)

Economia
Hillary apresenta um plano de curto e médio prazo para aumentar os ganhos das famílias americanas e melhorar a economia do país. Entre os itens desse projeto estão benefícios fiscais para famílias endividadas e a conquista de melhores salários através de investimentos em infraestrutura, energia limpa e pesquisas científicas e médicas.

Ela também pretende reduzir a burocracia para pequenos negócios, incentivar a distribuição de lucros entre funcionários, aumentar o salário mínimo, garantir salários iguais para homens e mulheres e instituir licenças médicas remuneradas. O plano prevê ainda fortalecer sindicatos e oferecer benefícios a empresas que invistam na educação e formação técnica e profissional de seus funcionários.

Saúde
A plataforma de Hillary para a saúde indica que o lucro financeiro não deve ser prioridade no setor. Ela promete mais controle e fiscalização sobre seguros de saúde privados e diz que irá manter o Obamacare, estendendo programas públicos para a população mais pobre.

Hillary promete ainda reprimir o aumento dos preços de medicamentos controlados e obrigar a indústria farmacêutica a investir mais em pesquisas. Seu projeto prevê também acesso de mulheres a saúde reprodutiva, incluindo métodos de contracepção e abortos seguros e legalizados.

Educação
Hillary defende uma educação de qualidade a moradores “de qualquer endereço” do país e quer garantir que dentro de 10 anos todas as crianças com 4 anos de idade estejam em pré-escolas. Ela diz que pretende incentivar programas de educação de base, garantir treinamento e melhoras na qualidade de trabalho de professores, garantir bolsas de estudo e cuidados para os filhos de pais que ainda são estudantes e acesso igualitário à educação para meninas em todos os estágios escolares.

Hillary Clinton acena, ao lado do marido Bill e da filha Chelsea, após o caucus democrata em Iowa, na noite de segunda (1º) (Foto: AP Photo/Patrick Semansky)
Hillary Clinton acena, ao lado do marido Bill e da filha Chelsea, após o caucus democrata em Iowa, durante as primárias eleitorais (Foto: AP Photo/Patrick Semansky)

A questão que aborda com mais frequência, porém, é a dos financiamentos para universitários. Em um longo plano de investimento de US$ 350 bilhões, ela prevê a distribuição de metade desse valor em 10 anos a estados que não reduzam seus gastos com educação superior. Dos estudantes e suas famílias viria uma contribuição “realista e simplificada” e uma carga horária de dez horas semanais de trabalho para pagar pelos estudos.

Imigração
Ela pretende estabelecer uma “abrangente reforma imigratória” que, afirma, irá criar meios para cidadania e manter famílias unidas. Ela defende programas que promovam integração e naturalização de imigrantes, quer regularizar ilegais que trabalhem e contribuam para a economia do país e fechar centros privados de detenção de imigrantes ilegais. Hillary quer ainda encerrar as detenções familiares e a separação de pais e filhos promovidas atualmente por algumas leis de migração.

Aborto
A democrata promete proteger os direitos reprodutivos e de saúde das mulheres, afirmando que as decisões pessoais de saúde de cada uma deveriam ser tomadas pela própria mulher, por sua família e sua fé, com o aconselhamento de seu médico. Ela diz que irá enfrentar os congressistas republicanos que querem reduzir ou cortar os investimentos do governo no Planned Parenthood, que restringiriam o acesso não apenas a abortos, mas também a métodos de contracepção e tratamento de câncer.

A candidata democrata à presidência dos EUA Hillary Clinton participa de comício no último dia de camapanha antes da eleição em Pittsburgh, na Pennsylvania (Foto: Brian Snyder/Reuters)
A candidata democrata à presidência dos EUA Hillary Clinton participa de comício no último dia de camapanha antes da eleição em Pittsburgh, na Pennsylvania (Foto: Brian Snyder/Reuters)

Armas
Considerada uma inimiga da NRA (Associação Nacional de Rifles, principal lobby pró-armas dos EUA), Hillary defende mais controle sobre a venda, porte e uso de armas. Ela pretende reforçar as checagens de antecedentes, responsabilizar fabricantes e vendedores em casos de tiroteios em massa e outras tragédias e defende leis que dificultem ainda mais o acesso a armas a pessoas com histórico de abusos domésticos, perseguições, crimes violentos e distúrbios mentais. Ela também quer criminalizar federalmente pessoas sem ficha criminal que comprem armas com a intenção de cedê-las àqueles que seriam barrados em uma eventual checagem de antecedentes. Além disso, quer manter armas de uso militar fora das ruas.

Meio ambiente/ Energia
A democrata diz que pretende criar empregos bem remunerados ao transformar os EUA na “superpotência de energia limpa do século 21”. Ela estabelece como meta a instalação de 500 milhões de painéis de energia solar e a redução do consumo de petróleo em um terço. Além disso, pretende reduzir as emissões de gases a 30% do que elas eram em 2005 na próxima década.

Fonte: G1

*Com informações de Associated Press, France Press e BBC / G1

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