Governo da Colômbia assina novo acordo com as Farc

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, e o líder rebelde marxista das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Rodrigo Londoño, assinaram um acordo de paz novo e revisado nesta quinta-feira (24) em uma cerimônia muito mais sóbria do que o primeiro pacto, que foi rejeitado por milhões de colombianos em um referendo realizado no mês passado.

Presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, discursa durante assinatura de novo acordo com as Farc (Foto: Reprodução/Presidência da Colômbia)
Presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, discursa durante assinatura de novo acordo com as Farc (Foto: Reprodução/Presidência da Colômbia)

Santos e “Timochenko”, como o é conhecido o líder das Farc, assinaram o acordo, que complementa o original do dia 26 de setembro em Cartagena das Índias, às 11h30 (horário local, 14h30 de Brasília) no Teatro Colón de Bogotá.

O novo acordo para encerrar 52 anos de guerra foi preparado em pouco mais de um mês depois que o documento original foi recusado de forma surpreendente em uma votação no dia 2 de outubro por uma pequena diferença de eleitores que o considerou leniente demais com a guerrilha.

Bogotá e as Farc passaram quatro anos em Havana, em Cuba, trabalhando em um entendimento para pôr fim a uma guerra de 52 anos que matou mais de 220 mil pessoas e deslocou milhões na nação andina.

O líder opositor e ex-presidente Álvaro Uribe liderou a iniciativa de rejeitar o pacto original e quer mudanças mais profundas na nova versão. Ele está furioso porque Santos irá ratificar o acordo no Congresso, em vez de convocar uma nova consulta popular, clamou por protestos de rua e pode boicotar o debate congressional sobre o novo pacto.

A cerimônia de assinatura marca a contagem regressiva de seis meses para que o movimento rebelde de 7 mil membros abandone as armas e forme um partido político.

Muitos dos habitantes majoritariamente conservadores da Colômbia estão revoltados porque, assim como o texto original, o novo documento não atribui penas de prisão para líderes das Farc que cometeram crimes de guerra, como sequestros e massacres, e permite que exerçam cargos políticos.

A assinatura discreta no Teatro Colón de Bogotá diante de uma maioria de membros do governo e dignitários locais irá destoar muito da comemoração de setembro, quando a cidade litorânea de Cartagena acolheu líderes mundiais e o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon.

Presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, e líder das Farc, Rodrigo Londoño, durante encontro em Cartagena (Foto: John Vizcaino/Reuters)
Presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, e líder das Farc, Rodrigo Londoño, durante encontro em Cartagena (Foto: John Vizcaino/Reuters)

Santos, que recebeu o Prêmio Nobel da Paz no mês passado por seu empenho em terminar o conflito com o grupo insurgente, quer oficializar o acordo o mais rápido possível para não colocar em risco o frágil o cessar-fogo bilateral.

O documento ampliado e altamente técnico de 310 páginas só parece fazer pequenas modificações no texto original, como esclarecer direitos de propriedade particular e detalhar mais explicitamente como os rebeldes serão confinados em áreas rurais por crimes cometidos durante a guerra.

As Farc, que começaram como uma rebelião contra a pobreza rural, enfrentaram uma dúzia de governos, além de grupos paramilitares de direita.

Um fim à guerra com as Farc dificilmente irá acabar com a violência na Colômbia, já que o negócio lucrativo da cocaína deu ensejo a gangues criminosas e traficantes perigosos.

Fonte: G1

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