Ecologista derrota ultradireitista em 2º turno presidencial na Áustria

Alexander Van der Bellen durante comício com seus apoiadores no dia 20 de maio (Foto: Heinz-Peter Bader/Reuters)
Alexander Van der Bellen durante comício com seus apoiadores no dia 20 de maio (Foto: Heinz-Peter Bader/Reuters)

O ecologista de centro-esquerda Alexander Van der Bellen venceu nesta segunda-feira (23) a eleição presidencial na Áustria, derrotando o candidato do partido de extrema-direita FPÖ, Norbert Hofer.

O resultado do segundo turno da eleição, disputado voto a voto, saiu depois da recontagem dos 900.000 votos recebidos por correio. Até domingo à noite, apenas 144.006 votos separavam os adversários.

Hofer admitiu a derrota. “Claro que estou triste hoje. Eu gostaria de tomar conta do nosso maravilhoso país como presidente de vocês”, escreveu em sua página no Facebook.

O resultado da disputa presidencial austríaca deixou a Europa em clima de apreensão. Se ganhasse, Hofer, engenheiro aeronáutico de 45 anos, seria o primeiro chefe de um governo de Estado da União Europeia (UE) representante de um partido de extrema-direita.

Já a vitória de Van der Bellen, professor universitário de 72 anos, coloca o primeiro ecologista a ocupar a presidência da Áustria.

Crise migratória

Norbert Hofer durante um comício antes do segundo turno da eleição na Áustri (Foto: Leonhard Foeger/Reuters)
Norbert Hofer durante um comício antes do segundo turno da eleição na Áustri (Foto: Leonhard Foeger/Reuters)

A imprensa da Áustria vem tratando a situação como um thriller político e destaca as divisões da sociedade austríaca.

No primeiro turno, celebrado em 24 de abril, o FPÖ liderou com 35% dos votos, o melhor resultado do partido em uma eleição nacional, contra 21,3% dos votos para o partido de Van der Bellen.

O candidato de extrema-direita foi favorecido pela crise migratória, que resultou na chegada ao país de 90 mil solicitantes de asilo em 2015, ou seja, mais de 1% da população. No entanto, manteve um discurso polido, distante das declarações abertamente xenófobas que caracterizavam seu partido anteriormente.

Durante a campanha, Hofer, militante desde a juventude do FPÖ e vice-presidente do Parlamento desde 2013, centrou seu discurso no emprego e no nível de vida dos austríacos, e assegurou que não gostaria de tirar seu país da UE, a menos que a Turquia entre no bloco.

O novo presidente assumirá o cargo em 8 de julho para um mandato de seis anos.

Competências do presidente
O presidente austríaco, eleito por seis anos, não participa da gestão cotidiana do país, mas dispõe de muitos poderes como o de nomear um novo chanceler e de dissolver o parlamento.

Os últimos chefes de Estado não fizeram uso dessas competências, situando-se em um segundo plano político, como o do caso do presidente social-democrata em fim de mandato, Heinz Fischer, que entregará oficialmente o cargo em 8 de julho.

“Um presidente austríaco pode, em teoria, acabar com o governo e convocar novas eleições, mas se isto não reflete a vontade do povo, é politicamente pouco realista”, acredita o cientista político Peter Hajek.

Chanceler se demite
Entre os dois turnos, aconteceu uma mudança inesperada: a substituição do chanceler. Desestabilizado com o fracasso do candidato do partido SPÖ no primeiro turno, o chanceler Werner Faymann, no poder desde 2008, se demitiu, e o partido colocou na liderança do partido e do governo Christian Kern, que dirigia até agora a companhia ferroviária nacional (ÖBB).

“Temos que ver se haverá um ‘efeito Kern’ nos eleitores”, que poderia beneficiar Alexander Van der Bellen, observou Hubert Sickinger, professor de Ciência Política na universidade de Viena.

O novo chanceler, que assumiu o cargo na terça-feira, pediu voto no candidato ecologista, que conta com o apoio de muitas personalidades de esquerda e de centro.

Fonte: G1

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