Acusado de má conduta sexual, senador democrata Al Franken diz que deixará cargo

O senador americano do Partido Democrata Al Franken anunciou nesta quinta-feira (7) que irá renunciar ao cargo depois que oito mulheres se apresentaram nas últimas semanas com alegações de que ele as tocou indevidamente ou fez abordagens sexuais indesejadas.

“Isso deu a algumas pessoas a falsa impressão de que eu admitia fazer coisas que na verdade eu não fiz”, disse ele, insistindo que “algumas das alegações contra mim simplesmente não são verdadeiras”.

Beijo à força

O apoio de democratas ao senador por Minnesota desmoronou na quarta-feira, depois que uma mulher o acusou de tentar beijá-la a força em 2006. A comentarista esportiva e ex-modelo Leeann Tweeden afirmou que o incidente ocorreu quando ambos realizavam uma viagem para entreter soldados americanos no Afeganistão.

Horas depois outra mulher disse que Franken apertou de forma inadequada “um punhado de carne” de sua cintura, enquanto eles posavam para uma foto em 2009. Isso levou a oito o número de mulheres que alegaram má conduta.

O senador democrata Al Franken, em foto de 12 de junho (Foto: AP Photo/Pablo Martinez Monsivais)
O senador democrata Al Franken, em foto de 12 de junho (Foto: AP Photo/Pablo Martinez Monsivais)

O senador pediu desculpas a Leeann Tweeden. Ela disse que Franken, então um importante comediante, escritor e apresentador de rádio que ficou famoso no programa satírico da televisão americana Saturday Night Live, escreveu uma cena na qual pretendia beijá-la no palco, na frente dos soldados.

A acusação foi mais uma série de denúncias públicas de assédio sexual contra importantes figuras do entretenimento, da imprensa e política americana, depois que o magnata de Hollywood Harvey Weinstein foi assinalado por décadas de abuso sexual por mais de 100 mulheres.

Tweeden afirmou que ninguém foi testemunha do incidente e que imediatamente depois empurrou Franken e lavou sua boca, sentindo-se “enojada e violada”.

Leeann Tweeden explicou que enquanto dormia com um jaleco de proteção e um capacete colocados no avião militar que os levou de volta aos Estados Unidos, Franken fez uma foto sua na qual aparenta estar com a mão em seus seios, recordou a ex-modelo. Só soube da imagem quando voltou ao seu país e recebeu as fotos da viagem.

“Me senti novamente violada. Envergonhada. Apequenada. Humilhada”, escreveu no site da rádio KABC de Los Angeles, onde comanda um programa. “Como alguém pode agarrar meus seios dessa maneira e pensar que é engraçado?”, se questionou.

Na ocasião, Franken, reeleito em 2014, respondeu as acusações em comunicado.

“Certamente não relembro do ensaio da cena da mesma maneira, mas envio minhas mais sinceras desculpas a Leeann”, declarou.

“Sobre a foto, claramente a intenção era ser engraçada, mas não foi. Eu não deveria ser feito”, acrescentou.

Mitch McConnell e Chuck Schumer, líder da maioria republicana e chefe da bancada democrata no Senado, respectivamente, se uniram para pedir à Comissão Legal de Ética para investigar o caso, destacando que “o assédio sexual nunca é aceitável e não pode ser tolerado”.

Fonte: G1

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