Acordo para Merkel governar prevê criação de ‘FMI europeu’

Concordando com a necessidade de um maior investimento na União Europeia, os principais partidos alemães propuseram nessa quarta-feira (7) a criação de um fundo permanente para a zona do euro. Essa proposta está no acordo de coalizão travado entre a conservadora Angela Merkel e o social-democrata Martin Schulz.

A proposta, ainda não detalhada, é de que o fundo europeu de resgate atual, de caráter temporário, seja transformado em um Fundo Monetário Europeu com base na legislação do bloco econômico – seria um equivalente regional do Fundo Monetário Internacional.

Essa ideia é defendida por Schulz, líder do SPD (Partido Social-Democrata). Sua sigla deve assumir as Finanças da Alemanha e promete aliviar, assim, o ciclo de austeridade promovido até recentemente pelo conservador Wolfgang Schäuble. “Admito que a questão de quem assumirá qual ministério não foi fácil”, reconheceu Merkel.

As mudanças estruturais propostas pelo SPD têm o apoio do presidente francês, Emmanuel Macron, que tem insistido na necessidade de integrar ainda mais a União Europeia, em meio aos desafios enfrentados pelo bloco nos últimos anos – entre eles, o Brexit, a decisão britânica de deixar o grupo.

A criação do Fundo Monetário Europeu, no entanto, enfrenta a resistência de diversos outros países-membros, como a Áustria e a Holanda. Ainda em âmbito europeu, o acordo de coalizão sugere que gigantes da internet como Google, Apple, Facebook e Amazon paguem impostos justos na Europa. Essas empresas têm sido alvo de uma série de críticas dentro do bloco e foram multadas em diversas ocasiões por práticas consideradas desleais pelos reguladores europeus – elas são citadas por nome no texto do acordo desta quarta-feira.

Essa cobrança é uma reivindicação de Schulz, também com o apoio do governo francês.

Merkel celebrou a perspectiva de um governo “estável” na Alemanha, após o acordo alcançado em duras negociações com os social-democratas. Diante das reticências do SPD de se aliar novamente com os conservadores, estes tiveram que fazer várias concessões. Segundo o jornal “Bild”, Merkel cedeu demais para evitar novas eleições, após a vitória apertada da premiê em setembro.

Fonte: O Tempo / Foto: Tobias Schwarz

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