Site do Globo Esporte faz análise dos últimos 5 anos do Boa Esporte

Após cinco anos consecutivos disputando a Série B, o Boa Esporte voltará em 2016 à Série C, de onde conseguiu o acesso inédito para segunda divisão do Campeonato Brasileiro em 2010. Durante esses cinco anos, a equipe que se mudou de Ituiutaba, para Varginha (MG) em busca de melhor estrutura para a disputar a competição, esteve perto de conseguir o tão sonhado acesso para a Série A e figurar entre as melhores equipes do país.

Na mais clara delas, no ano passado, o Boa Esporte acabou desperdiçando a “chance da vida” ao perder para um já rebaixado Icasa, sem 10 titulares, quando apenas precisava de uma vitória. Desde então, o clube mineiro nunca mais foi o mesmo. Penou no Mineiro deste ano, lutando contra o rebaixamento até a última rodada; saiu logo na primeira fase da Copa do Basil eliminado pelo Moto Clube-MA e confirmou as expectativas pessimistas dos torcedores e imprensa ao ser rebaixado para a Série C.

Para relembrar a “subida” e “queda” do Boa Esporte, o GloboEsporte.com fez um resumo do que de mais importante aconteceu nesses últimos cinco anos, os mais gloriosos da história da equipe mineira.

ANTES DO ACESSO

Já se passaram dois anos desde que o time deixou a cidade e a Fazendinha foi fechada (Foto: Reprodução/TV Integração)

Criado em 1947, o Boa Esporte se tornou profissional somente em 1998, ainda sob o nome de Ituiutaba. Em 2004, foi campeão do Módulo II do Campeonato Mineiro. A partir daí, repetindo boas campanhas, inclusive na elite do Campeonato Mineiro, a equipe conseguiu boas classificações e passou a disputar a Série C.

O inédito acesso veio em um ano de altos e baixos para o time. Em 2010, o Boa Esporte fez a pior campanha do estadual e foi rebaixado para o Módulo II. Na Copa do Brasil, a eliminação veio ainda na primeira fase, diante do Goiás. No entanto, no Brasileiro, a equipe se acertou, surpreendeu e conseguiu o vice-campeonato, sendo derrotada somente na final pelo ABC-RN.

Como a capacidade mínima exigida nos estádios para os jogos da Série B é de 10 mil torcedores, o clube teve que deixar Ituiutaba e se mudou para Varginha (MG), onde disputou os cinco anos em que se manteve na divisão.

2011

Nedo Xavier no Boa Esporte em 2011: comandante do acesso à Série B quase levou time à Série A (Foto: Reprodução EPTV)

Ano de estreia do Boa Esporte na Série B sob o comando de Nedo Xavier, responsável pelo acesso do clube em 2010. Em 2011, já jogando em Varginha, o clube disputou as primeiras rodadas da Série B ainda com o nome de Ituiutaba. Somente a partir da 5ª rodada, em jogo contra o Icasa, é que o nome Boa Esporte passou a ser usado, após autorização da CBF.

Neste ano, o clube conseguiu alguns resultados expressivos, como a vitória de 1 a 0 sobre o Vitória e 2 a 1 sobre a Ponte Preta, ambos fora de casa; 3 a 0 sobre o Sport, 4 a 1 sobre o São Caetano, 2 a 0 sobre o Criciúma e 1 a 0 sobre o Goiás jogando em Varginha. Esses resultados levaram o Boa Esporte até o fim com condições de lutar pelo acesso para a Série A. Na última rodada, contra o Duque de Caxias, a equipe chegou a estar no G-4 durante 45 minutos. No entanto, com resultados desfavoráveis nos jogos de Vitória e Sport e o posterior empate em 2 a 2 com a equipe carioca, o Boa Esporte acabou terminando a competição na 7ª posição com 57 pontos.

Os destaques foram o volante Claudinei, que depois chegou a jogar por Figueirense, Atlético-MG e América-MG; o atacante Jheimy, que marcou 12 gols em 21 jogos; o zagueiro Thiago Carvalho, que depois daquela campanha seria negociado com o Cruzeiro, e o lateral-direito Jackson, que depois fechou contrato com o Coritiba.

2012

Sidney Moraes comandou o Boa Esporte em 88 partidas (Foto: Lucas Magalhães)

Veio 2012 e, após a boa campanha do ano anterior, a expectativa era repetir os bons resultados e lutar novamente pelo acesso. Auxiliar de Nedo, Sidney Moraes assumiu o clube como treinador para o Mineiro e a Série B. Ele havia dirigido o Time B do Boa Esporte durante a disputa da Taça Minas Gerais em 2011.

Os resultados mais expressivos do Boa Esporte naquele ano foram as vitórias de 2 a 1 sobre o Atlético-PR, 2 a 1 sobre o América-MG, 4 a 1 sobre o Barueri, 2 a 1 sobre o Paraná e 1 a 0 sobre o Ceará (todos em Varginha) e até um empate cheio de gols em 4 a 4 com o América-RN fora de casa. Lutando até o final contra o rebaixamento, o Boa Esporte terminou a Série B daquele ano na 15ª posição com 44 pontos ganhos, apenas dois a mais que o CRB, primeiro clube a ser rebaixado.

No elenco, os principais destaques foram o volante Radamés, que marcou 6 gols, inclusive vários de falta; Francismar, que também marcou 6 gols em 34 jogos; Petros, que jogou improvisado em várias posições e mais tarde seria contratado pelo Corinthians; e Marcelo Macedo, que foi o artilheiro com 12 gols em 31 partidas disputadas.

2013

Marcelinho Paraíba teve boa passagem pelo Boa Esporte (Foto: Célio Messias/Agência Estado)

Já em 2013, o Boa Esporte tinha um velho conhecido de volta. Nedo Xavier, o homem responsável pelo acesso em 2010 e que quase levou o clube para a Série A em 2011, voltava para a equipe com quem tanto se identificava. No time, um nome impunha respeito: Marcelinho Paraíba. O veterano meia havia chegado para a disputa da Taça Minas Gerais em 2012 e permaneceu no clube para a disputa da Série B em 2013. Junto com ele, um jovem bom de bola e de gols também dava seus primeiros passos: Fernando Karanga.

Entre os resultados mais expressivos daquele ano, está a vitória sobre o Palmeiras por 1 a 0 jogando em Varginha. O clube também venceu o Joinville e o São Caetano por duas vezes na competição. Outras vítimas foram o Paysandu, o América-RN e o Paraná, todos em jogos em Varginha. Com uma campanha irregular, o Boa Esporte melhorou seu desempenho em relação ao ano anterior, mas terminou a competição no meio da tabela, em 11º, com 50 pontos.

Marcelinho Paraíba foi o destaque no ano, com 5 gols marcados em 33 jogos, mesmo número de gols marcados por Fernando Karanga na competição. Luiz Paulo foi o artilheiro com 7 gols em 26 partidas. Francismar também foi bem, marcando 4 gols e sendo emprestado pouco depois para o Vasco.

2014

Tomas foi artilheiro do Boa Esporte na Série B de 2014 com 15 gols (Foto: Tiago Campos)

O início da Série B em 2014 não parecia ser bom para o Boa Esporte. Em 10 rodadas, a equipe ocupava a zona de rebaixamento, na 19ª colocação. Antes da pausa para a Copa do Mundo, a equipe foi derrotada em casa por 2 a 0 para o Vasco. No entanto, depois da Copa, tudo mudou.

O time encaixou duas sequências positivas. A primeira, de 5 vitórias e 1 empate, levou o clube para a 9ª colocação na 16ª rodada. A segunda, de 5 vitórias e 2 empates, fez o time atingir a 6ª colocação na 25ª rodada. Com isso, o Boa Esporte entrou definitivamente na briga pelo acesso.

Os bons resultados seguiram e o clube chegou a 4ª posição na 34ª rodada. Com um tropeço e duas vitórias nas rodadas seguintes, o time chegaria até a última rodada em plenas condições de conseguir o acesso, dependendo somente dele. No entanto, tudo deu errado. Contra o já rebaixado Icasa, que não contava com 10 jogadores que já haviam sido dispensados, o Boa, que precisava apenas da vitória, perdeu por 3 a 2 e deu adeus ao sonho do acesso para a Série A, que nunca esteve tão perto de se tornar realidade.

Os resultados mais expressivos em 2014 foram as vitórias sobre Portuguesa, Avaí, América-RN, Sampaio Corrêa, Náutico, Ceará e Joinville, todas dentro de casa, além de resultados positivos contra Náutico, Atlético-GO, América-MG e o mesmo América-RN fora de casa.

Se a boa campanha do Boa Esporte em 2014 tivesse um responsável, esse seria o meia Tomas. Vindo de empréstimo de um time paranaense, o meia mostrou seu faro de gol com a camisa do Boa Esporte e terminou a competição como vice-artilheiro do campeonato e principal goleador do clube, com 15 gols em 26 partidas. O desempenho foi tão bom, que Tomas chamou a atenção do Botafogo, que o contratou. Outros destaques foram Fernando Karanga com 11 gols em 25 jogos e o zagueiro Thiago Carvalho, que foi quem mais atuou pelo Boa na competição, com 34 partidas.

2015

Torcida homenageia Nedo Xavier na volta ao comando do Boa Esporte: "O professor voltou" (Foto: Reprodução EPTV)

Já 2015 foi o ano em que nada deu certo para o Boa Esporte. Comandado por Ney da Matta, o clube fez uma campanha fraca no mineiro e sofreu uma eliminação precoce na Copa do Brasil. Nas primeiras rodadas, os resultados não vieram e o treinador caiu, com apenas 1 vitória e 3 empates em 8 jogos. Para o seu lguar, veio o treinador Moacir Júnior, que estreou com um empate fora de casa com o Botafogo e uma vitória na sequência. No entanto, nas rodadas seguintes, o time voltou a jogar mal e o treinador saiu após seis jogos no comando, com 1 vitória, 3 empates e 2 derrotas. Para tentar tirar o time da má fase, a diretoria apostou no retorno de Nedo Xavier, homem de confiança no clube.

O “professor”, como foi chamado pelos torcedores no primeiro jogo após a sua volta, estreou bem, com vitória, e engatou uma sequência positiva nos cinco jogos que faltavam para o final do primeiro turno, com 3 vitórias, 1 empate e 1 derrota. A melhora no rendimento tirou o time da zona de rebaixamento justamente no fim da primeira etapa do campeonato.

No entanto, o que parecia ser uma recuperação promissora se transformou em um pesadelo para os torcedores do Boa Esporte. Até aqui, o time fez mais 15 jogos no torneio e não voltou a vencer, somando 13 derrotas e somente 2 empates. O time afundou no Z-4, com um desempenho de 23,5% e 24 pontos somados em 34 jogos.

Os resultados mais expressivos foram o empate em 0 a 0 com o líder Botafogo no Rio de Janeiro e a vitória por 3 a 0 sobre o Bragantino, em Varginha. Entre os jogadores, nenhum nome conseguiu grande destaque, com o time tendo utilizado 46 jogadores até o rebaixamento.

Boa Esporte já pode ser rebaixado mesmo vencendo nesta rodada da Série B (Foto: Reprodução EPTV)

 

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