Rodrigo encontra forças na corrida após oito anos em cadeira de rodas

Basta acreditar que você consegue e corre atrás, diz Rodrigo, emocionado (Fotos: arquivo pessoal)
Basta acreditar que você consegue e corre atrás, diz Rodrigo, emocionado (Fotos: arquivo pessoal)

Até os 21 anos, Rodrigo Tamazzia, hoje com 31, adorava praticar esportes e levava uma vida saudável. Aos 22 esse estilo de vida foi interrompido por um grave acidente de moto. A colisão com outro veículo o lançou para 6 metros de altura e ele acabou caindo de costas no chão. Foi levado ao hospital, passou por cirurgia e ficou em coma por sete dias e quando acordou soube que havia perdido os movimentos das pernas.

Foram oito anos longe do esporte. Até que em 2014, o primo Cleiton Tamazzia, de 39 anos, começou a correr e conquistar lugares no pódio dos amadores. As vitórias de Cleiton passaram a animar Rodrigo, que sempre ia prestigiar as provas.

– Foi onde começou a “brotar” o desejo de compartilhar com Rodrigo minhas emoções e sentimentos obtidos com as corridas. Tive a ideia de correr com ele – lembrou o comerciante.

Há seis meses, o que era um sonho distante para Rodrigo passou a ser realidade. Ao lado do primo estreou em uma prova de 5km em Joinville, Santa Catarina, com mais de mil participantes. Foi uma competição difícil, os dois tinham treinado apenas uma vez e não sabiam o que enfrentariam.

– O rolamento da cadeira quebrou logo no início e as rodinhas dianteiras começaram a travar e desestabilizar. Precisamos fazer uma força extra para deixar ela inclinada com a roda da frente sempre levantada. Além disso pegamos ruas com buracos e com subidas. Foi muito difícil, mas valeu todo esforço. Mesmo com uma cadeira simples, o feito foi algo indescritível. A alegria e emoção que vi no rosto do meu primo foram a maior recompensa – contou Cleiton.

Depois da grande estreia, os dois continuaram os treinos participaram de outra prova de 5km. Ambiciosos, agora partem para um novo desafio: 10km com uma cadeira de rodas apropriada para a corrida. A pratica mudou a vida dos dois. Cleiton não precisa mais de remédios controlados, melhorou a alimentação, está mais disciplinado e mais disposto. Rodrigo recuperou a autoestima e encontrou na corrida a força para se manter bem psicologicamente.

– A corrida me ajuda muito. Socializo com pessoas de alto astral em um ambiente maravilhoso. Sinto-me bem mais disposto e feliz e tenho cuidado cada vez mais da minha alimentação – disse Rodrigo.

É com esse otimismo e força de vontade que os dois também querem incentivar outros cadeirantes e corredores a embarcarem nessa jornada. A ideia é começar uma campanha para arrecadar fundos e comprar cadeiras especiais para cadeirantes atletas.

– Queremos colocar outros cadeirantes para participarem conosco. Esse é nosso objetivo: Colocar outras pessoas para correr junto conosco e transmitir um pouco de amor e passar a emoção e adrenalina que sentimos ao correr – explicou Cleiton.

E para quem acha que nunca vai conseguir sair do sofá e mudar os hábitos de uma vida sedentária, os dois deixam o recado:

– Basta acreditar que você consegue e correr atrás, independente de limitação física todos temos condições de alcançar e superar nossos limites. Cabe a você mesmo querer sair da sua zona de conforto e aproveitar as coisas boas da vida, então vem para a rua você também – incentivou Rodrigo.

– Nunca desista! Tente manter o foco! As pessoas acham que é fácil mudar o estilo de vida de uma hora para outra, mas não é. Os resultados são lentos e progressivos, um degrau de cada vez. A vontade de desistir nunca pode ser maior do que a vontade de vencer – reforçou Cleiton.

Fonte: Globo Esporte

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