Morre, aos 60 anos, Diego Armando Maradona

Maior craque do futebol argentino foi vítima de parada cardiorrespiratória.

Redação CSul/Foto destaque: AFP

Morreu nesta quarta-feira (25), a maior figura da história do futebol argentino, Diego Armando Maradona. O ex-jogador e atual treinador do Gimnasia La Plata, foi vítima de uma parada cardiorrespiratória. Maradona estava em sua casa se recuperando de uma cirurgia realizada há poucos dias no cérebro. O ex-jogador tinha 60 anos.

Maradona se recuperava de cirurgia realizada na cérebro/Foto: Reprodução Instagram

O presidente da Argentina, Alberto Fernández, declarou luto oficial de três dias no país. Em postagem nas redes sociais, o chefe de Estado lembrou que Maradona levou a Argentina “ao topo do mundo” e fez o país “imensamente feliz. “Fostes o maior de todos. Obrigado por ter existido, Diego. Sentiremos sua falta para toda a a vida”, escreveu o presidente.

Maradona já havia preocupado os fãs no começo do mês, quando foi internado às pressas, com sintomas de anemia. Na época, foi descoberta uma pequena hemorragia no cérebro, e o ex-jogador precisou passar por uma cirurgia para drená-la. Após mais de uma semana de internação, ele recebeu alta no dia 12 de novembro e teria ficado em casa no período.

Histórico vencedor

Nascido em 30 de outubro de 1960, viveu a infância em Villa Fiorito, um bairro muito pobre da periferia de Buenos Aires, onde começou a se destacar por sua habilidade com a bola nos pés. Começou a carreira no Argentinos Juniors, com apenas 15 anos.

Depois de cinco temporadas e 116 gols em 166 partidas, Maradona se transferiu para o gigante Boca Juniors em 1981. Mas sua primeira passagem na Bombonera foi curta. Em 1982, ele foi vendido ao Barcelona na transferência mais cara do futebol àquela altura: U$ 8 milhões (U$ 21,5 milhões, em valores corrigidos).

El Diez manteve o brilho em campo. Mas as duas temporadas na Espanha não são lembradas por títulos. Sofreu com lesões, se envolveu em brigas com colegas do clube, uma hepatite e festas. Muitas celebrações e o início de um drama o assombraria por muito tempo: as drogas. O argentino deixou o Barcelona em 1984 com três títulos.

Perto de completar 24 anos, Diego chegou a Nápoles recepcionado por 70 mil torcedores no San Paolo. Era 5 de julho de 1984, e aquela apaixonada torcida via apenas o começo de uma trajetória que lhes daria títulos, alegria e orgulho para uma região discriminada na Itália.

Maradona se reencontrou no Napoli e o transformou em um dos grandes do país na época de maior glória do Campeonato Italiano. Diante da Juventus de Platini e do Milan treinador por Arrigo Sacchi e com os holandeses Van Basten, Gullit e Rijkaard.

Ao lado de Careca, Maradona formou uma das maiores duplas de ataque na década de 80/Foto: Getty Images

Conquistou os dois únicos Scudettos da história do Napoli: em 1986/87 e 1989/90, este último protagonizando uma memorável dupla com o brasileiro Careca. Também levantou a Copa da Uefa – atual Liga Europa – de 1988/89, além da Copa Itália de 1986/87 e a Supercopa de 1990. É o ídolo máximo do clube.

Seleção Argentina

Diego era apenas um garoto de 16 anos, que ainda surpreendia a todos pelo Argentino Juniors, quando debutou na seleção de seu país. Foi em uma vitória por 5 a 1 contra a Hungria, em amistoso. No ano seguinte, era cogitado a compor a lista de Cesar Menotti para a Copa do Mundo em seu país natal, mas ficou fora.

O primeiro Mundial de Maradona foi em 1982. Titular da Argentina na Espanha, ele disputou cinco jogos e foi expulso no duelo contra o Brasil, quando o time comandado por Telê Santana venceu por 3 a 1 e eliminou o rival. Mas tudo seria diferente quatro anos mais tarde.

No México, El Diez comandou a Argentina em seu bicampeonato. Foram seguidas atuações memoráveis. Contra a Inglaterra, nas quartas de final, Maradona foi capaz de fazer dois gols que evidenciam sua capacidade para ser gênio e polêmico ao mesmo tempo.

Ele abriu o placar com um leve toque de mão na saída do goleiro Beardsley no que deve ser o gol irregular mais famoso de todos os tempos. E fez o segundo percorrendo meio-campo e deixando para trás cinco marcadores.

O gol do século. Um gol que deu um grito de liberdade a milhões de argentinos que sofreramquatro anos antes na Guerra das Malvinas contra os mesmos ingleses.

Maradona faria mais dois gols contra a Bélgica, na semifinal, e daria o passe para o gol decisivo de Burruchaga na final contra a Alemanha. Coube ao camisa 10 erguer o bicampeonato, no que foi seu auge na carreira.

Em 86, Maradona foi taxado como “vencedor único” após brilhante conquista na Copa do Mundo do México/Foto: Wikipédia

El Pibe participaria mais dois Mundiais. Esteve perto da segunda conquista consecutiva em 1990. Ele foi essencial na eliminação do Brasil, nas oitavas de final, e viu a torcida napolitana gritar seu nome e torcer pela Argentina contra a Itália na semifinal. Chorou com o vice para a Alemanha.

Em 1994, nos Estados Unidos, disputou dois jogos e fez um gol contra a Grécia. Mas se viu em uma das inúmeras polêmicas de sua vida. Após a partida contra a Nigéria, Maradona foi sorteado para o exame antidoping e testou positivo para a substância efedrina, um estimulante do sistema nervoso e cardiovascular. Foi suspenso da Copa, e a Argentina eliminada nas oitavas para a Romênia.

Dios das polêmicas

Maradona disputou 676 partidas e marcou 345 gols em 21 anos de carreira, entre a seleção e clubes. E por muito tempo, o vício em cocaína o acompanhou. Sua gloriosa trajetória no Napoli foi interrompida em março de 1991, quando foi suspenso por 15 meses após após exame antidoping constatar o uso da droga.

Foi o começo de um declínio. Pouco tempo depois da punição, o ídolo foi preso por porte e consumo de cocaína em Buenos Aires. Ficou uma noite detido, pagou fiança de U$ 20 mil e foi liberado.

Após pendurar as chuteiras e passar por um tratamento contra dependência química, Maradona se aventurou como treinador e teve uma oportunidade à frente da seleção argentina, a quem conduziu na Copa do Mundo de 2010. Depois, o Pibe passou por Al-Wasl e Fujairah, dos Emirados Árabes. Em 2018, comandou o Dorados, do México, e teve seu último trabalho no Gimnasia de La Plata.

Maradona foi o treinador da Seleção Argentina na Copa do Mundo de 2010/Foto: Reprodução Facebook

*Com informações: Portal GE

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