Falta de patrocínio pode abreviar sonho de atleta mineiro na Surdolimpíada 2017

O pouso-alegrense Rafael Camargo Santiago Pereira, de 25 anos, está a um passo de realizar um sonho: representar a Seleção Brasileira de Vôlei na Surdolimpíada de Verão 2017. Os jogos vão ser realizados em julho na Turquia, mas a participação do atleta sul-mineiro está sob risco. Com a equipe sem patrocínio, cada jogador precisa ajudar a levantar recursos para garantir a viagem.

Os atletas surdos possuem um campeonato mundial exclusivo, a Surdolimpíada, cuja 23ª edição internacional está prevista para começar em 18 de julho. O campeonato surgiu em 1924 sob o nome de Jogos Internacionais Silenciosos. A partir de 2000, a marca Sudolimpíada foi adotada. No programa estão 21 modalidades esportivas disputadas por mais de 100 países. Além das provas previstas em olimpíadas e paralimpíadas, há disputas de caratê, boliche, corrida de orientação e um estilo de luta semelhante à luta olímpica, o “wrestling”.

Na página oficial da Confederação Brasileira de Desportos de Surdos (CBDS), diversas campanhas têm sido feitas para arrecadar os mais de R$ 2 milhões estimados para bancar o mínimo aos 230 atletas que devem compor a delegação, representando o país pela 7ª vez em 16 modalidades esportivas, incluindo o vôlei.

– O vôlei é a minha vida e poder participar dessa competição é a realização de um sonho. Somos campeões – diz Rafinha, como é conhecido o central da seleção.

Carta de convocação de Rafael Camargo: jogador de vôlei de Pouso Alegre soube que disputaria as Surdolimpíadas na última semana (Foto: Reprodução Arquivo Pessoal/Rafael Camargo)
Carta de convocação de Rafael Camargo: jogador de vôlei de Pouso Alegre soube que disputaria as Surdolimpíadas na última semana (Foto: Reprodução Arquivo Pessoal/Rafael Camargo)

Em 2014, a equipe brasileira de vôlei de surdos foi campeã Sul-Americana em Caxias do Sul (RS). Já em 2016, foi campeã do Pan-Americano e 4ª colocada no Mundial, ambos realizados nos EUA. Agora a expectativa de Rafinha é conseguir pelo menos R$ 4 mil para bancar a viagem para a Turquia.

– Com a crise, a gente perdeu patrocínio. Qualquer contribuição será bem vinda para ajudar no pacote da viagem, como hospedagem, transporte, alimentação e uniformes. A passagem, já está quase certo, será dada pelo Ministério do Esporte, mas os custos individuais são calculados em R$ 4 mil. Sem o dinheiro, eu não tenho como viajar- conta o jogador, que, assim como outros membros da delegação, criou uma campanha pedindo apoio nas redes sociais (confira aqui).

Ao Globo Esporte.com, o Ministério do Esporte informou, por meio da assessoria de imprensa, que está em conversa com a CDBS para oferecer um patrocínio. Há a expectativa de que um acordo seja feito ainda nesta semana para que o órgão possa ajudar com parte do custeio da viagem.

Rafinha com a família durante o Mundial de Vôlei que aconteceu em 2016 nos EUA (Foto: Rafael Camargo / Arquivo pessoal)
Rafinha com a família durante o Mundial de Vôlei que aconteceu em 2016 nos EUA (Foto: Rafael Camargo / Arquivo pessoal)

Paixão pelo esporte

Rafael Camargo tinha pouco mais de um ano de idade quando perdeu a audição, uma sequela da meningite. Foi na quinta série que encontrou no vôlei sua paixão, o que levou o fã de Giba, Giovani e Serginho para a seleção brasileira masculina de vôlei de surdo em 2013. A história dele foi contada pelo Globo Esporte.com em agosto de 2016.

Rafinha busca recursos para realizar sonho: integrar seleção brasileira de vôlei nas Surdolimpíadas de Verão (Foto: Rafael Camargo/Arquivo pessoal)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *