Cruzeiro entregou ofício ao estado para ‘assumir’ Mineirão e quer encontro com governador eleito para reafirmar objetivo

O Cruzeiro tentará de todas as formas, em curto prazo, assumir a administração do Mineirão. Há cerca de três meses, o clube entregou um ofício ao governador Fernando Pimentel (PT) formalizando esse objetivo e ouviu do político que existe a possibilidade de um acerto. As tratativas não seguiram em função do início do período eleitoral, mas a diretoria seguirá batalhando agora com Romeu Zema (Novo). Eleito em outubro, ele assumirá o principal cargo do estado a partir de janeiro de 2019.
Em entrevista ao Superesportes, o vice-presidente de futebol do Cruzeiro, Itair Machado, explicou os objetivos do clube com o Mineirão. “Vou te falar o que nunca falei com ninguém. Há três ou quatro meses, procuramos o governador atual (Fernando Pimentel) e entregamos a ele um ofício no qual informava que o Cruzeiro queria administrar o Mineirão. Nós temos que entender que show no gramado não combina. Se você olhar os últimos jogos do Cruzeiro, achamos estaca de madeira no estádio durante o aquecimento dos jogadores. O cara vai ao show e urina ali. Gramado com cheiro de urina. O Mineirão é um patrimônio do futebol. Show faz lá fora, na esplanada, mas não no gramado. O Mineirão, queira ou não, apesar de ser do governo, é realmente a Toca 3. O torcedor do Cruzeiro se identifica com o Mineirão”, disse.
“Nada mais justo que, em vez de construir um estádio, o Cruzeiro administrar e fazer um comodato com o Mineirão. É disso que estamos atrás. Numa reunião há 30 dias com a Minas Arena eu comuniquei isso, para não acharem que o Cruzeiro está trabalhando por trás, disse que o Cruzeiro está sim trabalhando para assumir o Mineirão. Juridicamente, teria que resolver como fazer. Mas digo que só não há jeito para a morte. Para o resto tudo tem. Para Minas Gerais, o Cruzeiro administrar o Mineirão seria espetacular”, complementou.
Itair Machado também contou detalhes do encontro com Fernando Pimentel. “Ele (Fernando Pimentel) disse que era possível. Mas em função do processo político, teve de ser paralisado, pois em época de eleição não é possível fazer esse tipo de tratativa. Agora vamos procurar o novo governador (Romeu Zema), o Cruzeiro tem sim o interesse, vamos batalhar pesado para conseguir isso. É melhor do que construir um estádio. Até temos um grande investidor português com interesse em fazer um estádio, com shopping. Mas o Mineirão é a casa do Cruzeiro. Se o Cruzeiro sair, o Mineirão vira um elefante branco”, finalizou.
E a Minas Arena?
Atualmente, o Mineirão é gerido pela Minas Arena – concessionária criada por empresas de engenharia com o único objetivo de administrar o estádio. O contrato de Parceria Público Privada (PPP) foi assinado em 21 de dezembro de 2010 com valor de R$ 677.353.021,85, na modalidade de concessão administrativa. O prazo de vigência da concessionária é de 27 anos, finalizando em 2037, com a previsão de prorrogação contratual até 2045. Para ‘entregar’ a gestão do estádio ao Cruzeiro, porém, o governo precisaria ressarcir a concessionária de alguma forma. Itair acredita que há uma saída.
“Pelo que sei hoje, seriam R$ 400 milhões que o governo teria que devolver para a Minas Arena para poder encerrar o contrato. Chegamos a conversar com o governo sobre isso. Se esse número é verídico, não sei te falar. Mas nessa reunião, o número que partiu foi R$ 400 milhões. Para o governo, valeria a pena”, disse o dirigente, antes de lembrar de um processo que corre na Justiça movido pelo deputado estadual Iran Barbosa (MDB). O parlamentar elenca uma série de irregularidades na PPP.
“Pelo processo que está em andamento, hoje não seria nada. Existem várias irregularidades. Teria como cancelar o contrato em função das irregularidades. O Cruzeiro quer pegar o estádio pagando a despesa do estádio, como foi com o América. Se pode com o América, pode com o Cruzeiro. O América, se não me engano, recebe R$ 100 mil por mês do estado. O Cruzeiro nem quer o dinheiro. Só quer pegar o estádio e ficar responsável pela despesa e manutenção. É um patrimônio público. A maioria dos estádios que teve participação na Copa do Mundo virou elefante branco”.

Outro lado

Superesportes procurou a Minas Arena para comentar as “estacas de madeira” no campo e o “gramado com cheiro de urina”, episódios citados por Itair Machado durante a entrevista. Por meio da assessoria de comunicação, a concessionária afirmou desconhecer essas reclamações. “Estamos sempre atentos às desmontagens de eventos, com uma fiscalização rigorosa para que sejam cumpridos prazos e qualidade na entrega do estádio e essa reclamação é desconhecida”, disse, por meio de nota.
Fonte: Super Esportes / Foto: Alexandre Guzanshe

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