Crônica: a eliminação da Caldense e o doce amargo do futebol

Pouca coisa pode ser tão gostosa e ao mesmo tempo tão amarga quanto o futebol. Por quê? Quem poderia dizer que a Caldense, injustiçada vice-campeã Mineira, merecia um destino tão cruel quanto a eliminação nos pênaltis na noite deste sábado? Mas quem, em sã consciência, ousaria dizer que o Ypiranga-RS, pela primeira vez com tal oportunidade em 91 anos de história, não merecia também a vitória e o acesso?

O esporte tem dessas coisas. É uma disputa e, como tal, só permite que um lado comemore na bandeirada, na última passada, no apito final. Ontem, quando o juiz apontou o meio do campo pela última vez, os jogadores alviverdes infelizmente desabaram no gramado.

Laerte abriu o placar para o Ypiranga-RS logo aos 11 do 1º tempo (Foto: Régis Melo)Laerte abriu o placar para o Ypiranga-RS logo aos 11 do 1º tempo (Foto: Régis Melo)

Em um jogo truncado, a Veterana foi punida logo no começo da partida por repetir um erro que já havia sido fatal no primeiro confronto. Após bola alçada na área, Laerte subiu, como quem tem todo o tempo do mundo, para cabecear no contrapé de Neguet e fazer 1 a 0. O Colosso da Lagoa, mais gigante do que nunca, vibrou de alegria.

Mas de simples o jogo não tinha nada. Nem bem começou a etapa final e Róbson mandou contra as próprias redes para deixar tudo igual. Na cabeça do torcedor mineiro, um filme se repetia. Nas oitavas, contra o Rio Branco-ES, o gol da classificação também havia sido marcado pelo adversário. O Colosso tremeu. Mas, desta vez, de aflição.

Entretanto, o que poderia ser quase um conto de fadas, não teve o final esperado. Nos pênaltis, quis o destino que o gol da classificação e do acesso gaúcho fosse marcado por um atacante, que é lateral, mas que é atacante. Saldanha. Explico, como o elenco do Canarinho é reduzido, o jogador diversas vezes teve que atuar improvisado pelo lado direito. Foi assim no jogo de ida. Sem marcar gols até aquele momento da competição, ele fez provavelmente o mais importante da história do Ypiranga-RS. Agora sim, o Colosso explodia em festa.

Saldanha fez o gol da classificação do Ypiranga-RS nos pênaltis (Foto: Régis Melo)Saldanha fez o gol da classificação do Ypiranga-RS nos pênaltis (Foto: Régis Melo)

Do outro lado do gramado, um choro incontido do esquadrão da Caldense. Jéfferson Feijão, em prantos, teve que ser consolado pelos colegas. Éwerton Maradona enxugou as lágrimas no escudo da camisa. Neguet saiu abraçado com o capitão Paulão. Um time que lutou até o fim, que colocou novamente a Veterana em um lugar de destaque.

A vitória escapou pelo detalhe. Ou pelo treino. Ou pela sorte. Quem saberá dizer? Se os chamados deuses do futebol tivessem votado por um ‘campeão’, porque o jogo foi, de fato, uma final, com certeza o resultado não teria sido unânime.

Jogadores da Caldense choram após derrota para o Ypiranga-RS nos pênaltis (Foto: Régis Melo)Jogadores da Caldense choram após derrota para o Ypiranga-RS nos pênaltis (Foto: Régis Melo)

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