Copa do Brasil – Cruzeiro segura Palmeiras e vai à final atrás de recordes; final da partida ficou marcada por briga dentro de campo

Clube mineiro chega a sua oitava decisão do torneio, igualando-se ao Grêmio, em busca de duas marcas inéditas na história: ser o primeiro hexa e o primeiro a conseguir um bicampeonato consecutivo. Verdão foca agora no Brasileirão e na Libertadores

O Cruzeiro mostrou que sabe jogar a Copa do Brasil e que é o mais forte concorrente para o título deste ano. Jogando com a vantagem de ter vencido o primeiro jogo em São Paulo por 1×0, a raposa precisava apenas de um empate contra o Palmeiras na noite desta quarta-feira (26), no Mineirão, e foi o que aconteceu. Após abrir o placar com Barcos, que também foi o responsável pelo gol no jogo de ida, o Cruzeiro tomou o empate no início do segundo tempo com Felipe Melo marcando de cabeça.

É a oitava decisão da raposa na competição, que busca recordes de maior campeão (atualmente está empatado com o Grêmio, ambos com 5 títulos) e de se tornar o único a conquistar o troféu por dois anos consecutivos. O adversário é o Corinthians que derrotou o Flamengo em São Paulo. Os mandos de campo serão sorteados na tarde desta quinta-feira (27), na sede da CBF. O campeão levará uma bolada: R$ 50 milhões pelo título.

Após a partida, cenas lamentáveis tomaram conta do gramado e das arquibancadas. Quatro jogadores acabaram expulsos após o apito final. Treinadores e jogadores comentaram o acontecimento.

Cruzeirenses comemoraram muito após o apito final / Foto: Agência i7/ Mineirão

O jogo

Com uma estratégia bem montada e estudada, o Cruzeiro chegou para pressionar o Palmeiras, mesmo com a vantagem no placar. A equipe mineira encurralou os paulistas e tratou de não se expor, para não dar contra-ataques ao adversário. Na única grande chance que teve, fez o gol com Barcos, aos 26 minutos, aproveitando lindo passe de Lucas Silva e falha de Antônio Carlos na marcação. A partir do gol, o Palmeiras mostrou nervosismo e não conseguia chegar ao ataque. Felipão pegou no pé de Borja, que segundo ele, não se movimentava em campo.

No segundo tempo, Felipão fez duas alterações logo no intervalo: tirou Bruno Henrique e Borja, colocou Guerra e Deyverson. O time voltou com outro astral e chegou ao empate aos 4 minutos, com Felipe Melo, de cabeça, completando escanteio cobrado por Dudu. O Cruzeiro sentiu o baque. Mano Menezes também fez uma alteração dupla, aos 16: entraram Sassá e Bruno Silva nos lugares de Barcos e Thiago Neves. Deu certo. O Cruzeiro voltou a equilibrar a disputa, criando chances para chegar ao segundo gol no contra-ataque e cozinhando o Palmeiras, ao amarrar mais o jogo no meio-campo. Fábio e Weverton ainda fizeram algumas importantes defesas, mas terminou assim: Cruzeiro classificado.

Confusão

Após o apito final, cenas lamentáveis tomaram conta do Mineirão. Jogadores das duas equipes saíram no tapa. Do lado do Palmeiras, dois ex-cruzeirenses eram os mais exaltados: Mayke (que ficou na reserva) e Diogo Barbosa – ambos acabaram recebendo cartão vermelho, além de Thiago Santos. No lado do Cruzeiro, Sassá era o mais empenhado em brigar – e também foi expulso. Uma imagem mostra o exato momento em que Sassá dá um murro no rosto de Mayke, fazendo a euforia dos Palmeirenses piorar.

No vestiário, mais confusão. Sassá esperou por Mayke e foi pra cima. Os seguranças tiveram trabalho.

Confusão começou após dividida entre Léo e Felipe Melo no último lance da partida / Foto: Agência i7/ Mineirão

Enquanto isso nas arquibancadas, a torcida do Palmeiras começou uma confusão entre eles e com a Polícia Militar.

Jogadores e Mano Menezes

Após a partida, alguns jogadores do Cruzeiro comentaram o assunto. A confusão começou com uma dividida entre Léo e Felipe Melo, no último lance do jogo. Dedé, parceiro de zaga de Léo, deu sua versão. “No tiro de meta, o juiz acabou. A gente da zaga está sempre atento, e o Léo, focado, não ouviu o apito e foi na bola. Léo não é maldoso, está sem tomar cartão há vários jogos. O Felipe Melo foi cobrar, mas tranquilo, aí veio a galera do banco fazendo tumulto. Mas a gente fica feliz pelo jogo. Jogamos, buscamos o resultado”, disse em entrevista à Fox Sports.

Em sua entrevista coletiva, o treinador Mano Menezes destacou que não há um lado certo na história, disse que não conseguiu ver o que aconteceu e que vai rever as imagens para conversar com seus jogadores. “É lamentável o ocorrido no fim do jogo. Não aconteceu nada na partida para justificar qualquer tipo de reação diferente de A ou de B. Quando existe uma confusão dessa, os dois lados estão errados. De onde eu estava, não vi nada. Só vi a correria, mas não sei como começou. Vamos conversar com calma, analisar as imagens. Nessa hora, todo mundo acha que está certo. Os nossos que estiverem errados, vamos mostrar a importância disso. Tudo que temos que fazer quando atingimos uma final pelo segundo ano consecutivo é comemorar com o torcedor, como foi o que fizemos depois”, comentou.

Egídio foi o outro jogador cruzeirense que comentou a confusão. E provocou. “Apelaram feio. Apelou, perdeu. Não podiam apelar desse jeito. Ficou feio. O Palmeiras é time grande, não pode dar uma de time pequeno como fez. Foi feio. Agora temos que comemorar e deixar eles chorarem”, disse em entrevista à Rádio Itatiaia.

Pelo lado palmeirense, Felipe Melo atacou o atacante cruzeirense.“O Sassá covardemente agride o Mayke. Eu creio que essa é uma situação que tem de ser vista. A covardia não pode acontecer. O cara passa correndo e dá um soco na cara do companheiro, sem ele esperar”, disse o volante Felipe Melo ao SporTV.

Mano Menezes comemora classificação do time para mais uma decisão da Copa do Brasil — Foto: Vinnicius Silva / Cruzeiro
Reencontro marcado
As equipes voltam a se enfrentar no domingo às 11h, pelo Campeonato Brasileiro, em São Paulo. Após as cenas que tomaram conta do final da partida, Felipão ainda ameaçou os jogadores do Cruzeiro, mas depois chegou a pedir desculpas na entrevista coletiva.
Final inédita

Cruzeiro e Corinthians nunca fizeram uma final de Copa do Brasil. As outras sete decisões da Raposa foram contra Grêmio, Palmeiras (2), São Paulo, Flamengo (2) e Atlético-MG. O Timão disputou a final do torneio cinco vezes, contra Grêmio (2), Brasiliense, Sport e Internacional. É tricampeão (1995, 2002 e 2009). As datas previstas pela CBF para a final são 10 e 17 de outubro.

Redação CSul – Iago Almeida / Foto: Agência i7/ Mineirão

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