Conselho decide, nesta segunda, quem será o novo presidente do Cruzeiro

O Conselho Deliberativo do Cruzeiro decide nesta segunda-feira quem comandará o clube de 2018 a 2020. Concorrem as chapas União – Pelo Cruzeiro Tudo, encabeçada pelo empresário Wagner Pires de Sá (76 anos), apoiada pelo presidente Gilvan de Pinho Tavares e a diretoria dele; e Tríplice Coroa, cujo cabeça é o advogado Sérgio Santos Rodrigues (35 anos). Ambos têm muita ligação com a instituição, com serviços prestados e participação ativa no dia a dia do clube. São 465 conselheiros aptos a votar, escolhendo aquele que pegará o time campeão da Copa do Brasil e garantido na Copa Libertadores do ano que vem. Por outro lado, terá de administrar dívida superior a R$ 400 milhões. A votação será das 15h às 20h30, no Salão Nobre do Parque Esportivo do Barro Preto (Rua dos Guajajaras, 1.722). Confira as entrevistas feitas com os dois candidatos à presidência.

Wagner Pires de Sá, de 76 anos, e Sérgio Santos Rodrigues, de 35, concorrem à presidência nesta segunda
Qual a sua história no Cruzeiro e por que o senhor deseja ser presidente do clube?
WAGNER PIRES DE SÁ – Sou conselheiro nato desde 1992, fui diretor de planejamento e conselheiro fiscal por nove anos, sendo três destes como presidente do Conselho Fiscal. Fui autor do primeiro plano diretor na área econômica e financeira, a pedido do Dr. Francisco Lemos (atual 1º vice-presidente) para viabilizar a continuidade e construção da Sede Campestre. Acompanho e torço pelo Cruzeiro desde os meus 2 anos. Tenho uma história de ligação com o clube que vem desde a infância. Fui convidado, com muito orgulho, pelo amigo e presidente Gilvan de Pinho Tavares para representar, ao lado de dois outros grandes nomes (Hermínio Lemos e Ronaldo Granata), a chapa União – Pelo Cruzeiro, Tudo.
SÉRGIO SANTOS RODRIGUES – Comecei a atuar em 2009, quando, já conselheiro, fui convidado pelo presidente Zezé Perrella para ser superintendente de gestão e estratégia e assessor jurídico do Cruzeiro. Nessa época, fiz várias defesas ao lado do atual presidente Gilvan de Pinho Tavares. Tenho história anterior, meu pai também é conselheiro nato, somos torcedores fanáticos, entrei em campo com jogadores quando era criança. Minha vontade vem de ser torcedor e por necessidade, pois o Cruzeiro precisa de reestruturação para se preparar para voltar a ser grande clube. Perdemos muito prestígio político e institucional. O desportivo está bom, pois acabamos de ganhar mais uma Copa do Brasil, mas não podemos esquecer que viemos de dois anos muito ruins. Temos de evitar essas oscilações. Se não for ganhando, tem de estar disputando títulos. Queremos trazer isso de volta.
 
Qual a primeira medida que pretende tomar caso eleito?
 
WAGNER PIRES DE SÁ – Primeiro estamos trabalhando para vencer as eleições e temos confiança de que venceremos. Alcançado este êxito, teremos um período para dialogar internamente e começar a planejar nossa gestão. Conhecer melhor a realidade dos departamentos e a situação financeira são exemplos práticos. Cumprir os compromissos que traçamos em nossa campanha é outra medida. Não há uma medida especificamente. O Cruzeiro é uma grande instituição para resumir em uma só ação.
SÉRGIO SANTOS RODRIGUES – Nossa primeira medida será fazer uma auditoria nas finanças do Cruzeiro, identificar a característica da dívida do Cruzeiro, o que é de curto prazo, o que é de longo prazo, vamos renegociá-la. O Flamengo fez isso. Há cinco anos, achavam que dívida era R$ 600 milhões, mas descobriram que era R$ 800 milhões. Equalizaram e conseguiram pagar quase R$ 500 milhões sem deixar de investir. Ao mesmo tempo, vamos contratar uma consultoria de gestão. Existem vários institutos aptos a fazer isso para nos ajudar no desenvolvimento estratégico, definição de metas, orçamento. Temos de profissionalizar, como em qualquer grande empresa.
O que pretende fazer em relação à comissão técnica e grupo de jogadores para 2018?
WAGNER PIRES DE SÁ – Não teremos grandes dificuldades em renovação de contrato e vamos precisar contratar jogadores que realmente venham para fazer a diferença. Teremos a Libertadores para disputar ano que vem. Sonhamos com o Mundial. Sabemos que o mercado do futebol é, talvez, um dos mais acirrados no mundo. Reconheço o Mano Menezes como um dos melhores treinadores do Brasil. Acabamos de ser pentacampeões da Copa do Brasil sob sua liderança. Temos ainda o Brasileiro, onde precisamos nos manter no topo da tabela. Vamos conversar sobre tudo isso com muita calma.
SÉRGIO SANTOS RODRIGUES – Falar antes da eleição é ruim, pode desestabilizar a equipe. Óbvio que o grupo é bom, tanto que ganhou a Copa do Brasil e está bem no Brasileiro, mas precisa de alguns ajustes, até porque teremos Copa Libertadores e queremos estar bem também no Brasileiro e Copa do Brasil. Vamos ver como estão os contratos, o que vence, o que não vence. Quanto ao (técnico) Mano Menezes, é uma pessoa que adoro, gostei muito de trabalhar com ele.
 
Como pretende gerir as dívidas do clube e o que pretende fazer para que elas não aumentem?
WAGNER PIRES DE SÁ – Pretendo gerir com muito trabalho e com a mesma ética do presidente Gilvan de Pinho Tavares, que equacionou tudo que estava deixado para trás, renegociou e vem honrando todos os compromissos assumidos. Temos que olhar para frente, realizar novas iniciativas que fortaleçam nossa marca e que gere mais receitas. Buscaremos, com consultorias especializadas, ver onde podemos reduzir cada vez mais nossos custos, com metas, equilibrar nossas receitas e nossas despesas.
SÉRGIO SANTOS RODRIGUES  – O ideal é conseguir receitas com patrocínio, sócio-torcedor, licenciamento, que não precise vencer atletas. Mas, se for preciso, vamos fazer. Se na minha casa eu não gasto mais que arrecado, não será na casa de 9 milhões de torcedores que vou fazer.
Normalmente, não há muita disputa nas eleições do Cruzeiro. Por que não houve consenso nesta?
WAGNER PIRES DE SÁ – Sempre estive ao lado do presidente Gilvan, do vice Dr. Lemos, somos companheiros há décadas e eles têm meu apoio. Nesta campanha, um grupo que estava fora do Cruzeiro primeiramente lançou um candidato que, em virtude do contexto político, teve de recuar e terceirizar um nome para apoiar. Quem acompanha o Cruzeiro sabe como ele deixou de ser prioridade quando o ex-presidente decidiu se dedicar somente à política. Na época, o Dr. Gilvan assumiu em condições adversas, trabalhou muito e está terminando seu segundo mandato com três títulos nacionais conquistados e um clube apresentando superávit.
SÉRGIO SANTOS RODRIGUES – Ao abrir mão do segundo mandato para assumir vaga no Senado, Zezé Perrella cedeu lugar ao dr. Gilvan, que era seu primeiro vice. O que ele esperava agora é que houvesse reciprocidade. Como não houve, há uma cisão natural e cada um foi para um lado. Mas tenho certeza que, após a eleição, é todo mundo junto em prol do Cruzeiro novamente.
Se eleito, pretende dialogar com o oponente neste pleito e também com o grupo dele?
WAGNER PIRES DE SÁ – Tenho muito a conversar primeiramente com todo o grupo que me apoiou. Conselheiros e associados, torcedores, familiares, que abraçaram nossa campanha do início ao fim, contribuíram com novas ideias para o clube, nos ajudaram a construir nosso planejamento piloto. São centenas de pessoas a quem devo meu sincero agradecimento. Em relação aos que se opuseram à nossa candidatura, mantenho boa relação com muitos que apoiam candidato adversário, pessoas que respeito pela amizade criada ao longo de muitos anos.
SÉRGIO SANTOS RODRIGUES – Nossa campanha é baseada 100% no diálogo, até porque é todo mundo cruzeirense, todo mundo quer o bem do Cruzeiro. E vamos ter diálogo tanto interno quanto externo, é uma plataforma nossa de gestão ter diálogo com a FMF, CBF, Minas Arena, Ministério do Esporte, todos os atores que envolvem o esporte.
Pretende buscar melhorar o contrato para usar o Mineirão? Há possibilidade de construir estádio próprio?
WAGNER PIRES DE SÁ – O Mineirão é a casa do Cruzeiro. E o povo mineiro investiu milhões de reais para ver seus times de futebol jogarem no maior palco. Temos que estudar todas as opções que melhorem as condições de explorar melhor o estádio e trazer mais recursos para o clube. Com o time adversário criando seu próprio estádio, nada melhor que ter o Mineirão ao nosso lado. Prometer um novo estádio é uma questão que deve ser discutida internamente, com a concessionária contratualmente, com o conselho, com a torcida, com investidores.
SÉRGIO SANTOS RODRIGUES – O contrato atual com a Minas Arena é razoável e tem previsão de reajuste a cada cinco ano. E eles estão dispostos a fazer os ajustes que desejamos. Vejo com muito bons olhos continuar utilizando o Mineirão, que é chamado por nossa torcida de Toca da Raposa III, que está maravilhoso. Não vejo porque gastar dinheiro com outro estádio. Podemos ter uma gestão compartilhada e eles estão dispostos a isso.
Pretende mudar alguma coisa no programa de sócio-torcedor? O quê?
WAGNER PIRES DE SÁ – O sócio-torcedor é um programa muito importante para o Cruzeiro. Se vencermos, faremos, sim, um levantamento junto ao departamento, analisar e ouvir também os torcedores sempre buscando aprimorá-lo e melhorá-lo.
 
SÉRGIO SANTOS RODRIGUES – Sócio-torcedor é um desafio. Temos de desatrelar o sucesso do programa ao resultado esportivo. Em 2014, o clube arrecadou R$ 85 milhões entre sócio-torcedor e bilheteria. Em 2015 já caiu para algo pouco superior a R$ 40 milhões e, em 2016, para a casa de pouco mais de R$ 20 milhões. Por quê? Porque o time estava mal. Claro que queremos que o time esteja sempre bem, mas temos de buscar novas experiências ou benefícios que permitam que o torcedor não queira largar o programa se o time não for bem. Para isso já tive algumas reuniões, como com uma empresa que pretende utilizar hoje os pontos para trocar por produtos, utilizar para pagamento de contas, pagar passagem aérea. Você vai monetizar o programa. Será melhor para o torcedor ficar que sair.
O Cruzeiro vem tendo uma relação conturbada com Federação Mineira de Futebol. Pretende mudar isso?
WAGNER PIRES DE SÁ – No caso da FMF, caso eleito, buscarei sempre, como cruzeirense que sou, exigir que haja sempre respeito e idoneidade ao nosso clube. Diálogo e respeito são condições que, como gestor, defendo que exista – desde que seja também respeitado o Cruzeiro Esporte Clube. Não sou amigo, não tenho laços afetivos com o presidente da Federação e não acredito que isso seja um problema. A relação tem que ser sempre de respeito de ambas as partes.
SÉRGIO SANTOS RODRIGUES – Não podemos partir do pressuposto que eles (integrantes da FMF) são inimigos. Não são. Já tenho um diálogo bom com eles. No ano passado, quando trabalhava no Cruzeiro, procurei o Castellar (Guimarães Neto, atual presidente da FMF) duas vezes para ter acesso ao Marco Polo del Nero (presidente da CBF), sendo atendido nos pleitos do Cruzeiro. Claro que se entendermos que estão fazendo algo prejudicial ao clube, vamos bater no peito para defender, mas o objetivo inicial é ter relação de diálogo não só com a Federação, mas com a CBF e outras instituições em benefício do Cruzeiro.
O atual presidente, Gilvan de Pinho Tavares, alerta para a necessidade de o eleito se dedicar em tempo integral ao Cruzeiro. Você conseguirá fazer isso? Como conciliar a função de presidente, com a vida pessoal e profissional?
WAGNER PIRES DE SÁ – Quem ama e está ligado ao Cruzeiro como nós, vivemos o Cruzeiro 24 horas por dia. Não será diferente caso eleito. Estarei presente diariamente e, mesmo se em algum momento eu não estiver na sede administrativa, isso não significa que não estarei administrando, sendo gestor. A empresa da qual sou sócio é muito bem administrada, bem gerida, tem seus procedimentos e processos todos muito bem realizados, feitos com metodologias, planejamento. Acompanho, com meus sócios, os caminhos que a mantém na liderança do seu setor e que a faz reconhecida nacional e internacionalmente. Não trabalho sozinho. Somos um projeto coletivo.
 
SÉRGIO SANTOS RODRIGUES – Para quem está acostumado a trabalhar 14h por dia, não tem medo de nada, não. Primeiro é preciso ter dinamicidade, entender que o mundo mudou, não existe mais assinar pilha de papel. E precisa ter equipe de confiança, saber delegar. Quem acha que a empresa ou clube não vive sem ele está equivocado. E usar as ferramentas que o mundo oferece hoje, independentemente de onde você estiver, pode fazer reunião, pode assinar documento de forma eletrônica, dinamizar suas relações. Já tive empresas e trabalhei no Cruzeiro concomitantemente ao meu escritório e tudo funcionou. Então, para mim, não haverá problema ter três, quatro atividades ao mesmo tempo. Basta ter disposição. Podem ter certeza que, tirando quando estiver viajando, sou quem vai abrir e fechar o Cruzeiro todo dia.

Fonte: Superesportes

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