Sobrevivente do holocausto vai contar história no Flipoços

Nanette Konig participa de bate-papo no Flipoços (Foto: Orion Pires/G1 Santos)
Nanette Konig participa de bate-papo no Flipoços (Foto: Orion Pires/G1 Santos)

A escritora holandesa Nanette Blitz Konig, sobrevivente do holocausto e radicada no Brasil, é um dos nomes que já está confirmado para a 11ª edição do Festival Literário de Poços de Caldas, o Flipoços, que acontece entre os dias 30 de abril e 8 de maio deste ano.

O destaque da narrativa é que a autora, além de ser sobrevivente, conheceu pessoalmente Anne Frank, a adolescente que se  escreveu “O Diário de Anne Frank”, um dos mais emblemáticos relatos sobre o holocausto no mundo. A holandesa é, inclusive, citada no livro da adolescente de origem judaica, morta em um campo de concentração.

A convivência entre Nanette e Anne Frank faz parte do livro da holandesa, “Eu sobrevivi ao Holocausto – o comovente relato de uma das últimas amigas vivas de Anne Frank”, publicado em 2015.

“Considero a Nanette, antes de tudo, uma heroína. Portanto, não tenho dúvidas que será uma das escritoras que mais chamarão atenção no Flipoços 2016”, disse Gisele Ferreira, organizadora do Flipoços.

No festival literário, Nanette participa do debate intitulado “Minha amizade com Anne Frank”, no dia 7 de maio, às 16 h, no Teatro da Urca.  A escritora estará ao lado de José Luiz Goldfarb, um dos intelectuais brasileiros que mais pesquisam a cultura judaica no país, graduado em física pela Universidade de São Paulo, e mestre em filosofia e história da ciência pela McGill University, no Canadá.

Vida difícil
Nanette, de 86 anos, perdeu toda a família em um campo de concentração e não entende até hoje como conseguiu sobreviver. Quando foi resgatada, pesava apenas 31 Kg e estava sozinha, sem familiares, ainda adolescente. Levou três anos para se recuperar do cativeiro – teve tifo, tuberculose e pleurisia. Ela se estabeleceu definitivamente em São Paulo, no final da década de 1950, com o marido, John Konig, onde educou os três filhos.

Em 1999, a escritora, que atualmente tem seis netos e quatro bisnetas, iniciou um trabalho pela memória do holocausto, ministrando palestras, em que conta a própria história e a de judeus durante a II Guerra Mundial. E é justamente essa dolorosa e comovente experiência que ela traz ao Flipoços 2016.

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