Repertório erudito e popular: Belo Horizonte recebe concertos sinfônicos

Para os amantes da música clássica, os dias estão propícios para o desfrute da arte. Para quem ainda não teve acesso ao repertório erudito, não faltam opções em Belo Horizonte. Coincidência ou não, uma série de eventos toma espaços da cidade com propostas diversificadas. Além das orquestras Sinfônica e Filarmônica de Minas Gerais, os violonistas Fernando Araújo e Celso Faria apresentam o recital “Manuscritos de Buenos Aires: Obras Recém-Descobertas de Francisco Mignone”, no Teatro Bradesco (veja agenda abaixo).

A quantidade de eventos dedicados à música clássica não é exatamente uma surpresa na cidade. Ao contrário. A recorrência tem apontado que o gênero tem uma bom (e cativo) público na cidade.

“Não é errado falar em popularização da música clássica porque fazemos esse trabalho com muita fé, acreditamos nisso desde a criação das nossas atividades voltadas seja para a educação, seja para a interação com o público. E isso nos tem proporcionando o respaldo da sociedade que frequenta os concertos. Sempre temos a felicidade de um público grande que nos acompanha ou que vive a experiência pela primeira vez”, afirma Marcos Arakaki, maestro da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, que se apresenta nesta terça-feira (13) no campus Pampulha, nas comemorações dos 90 anos da UFMG.

A apresentação, gratuita e aberta ao público, será realizada no gramado da reitoria. “Temos uma relação consolidada com a instituição. Temos mais de dez músicos que saíram da Escola de Música da universidade. E realizamos algumas atividades focando a educação, como o Festival Tinta Fresca, que revela obras inéditas de compositores brasileiros. Nosso conselho curador é formado por pessoas que já foram professores da UFMG, além dos concertos de série, como para juventude e os didáticos para escolas públicas e outras instituições. Nossos concertos ao ar livre também têm essa dimensão. Escolhemos repertório que as pessoas gostam e as faz aproximar-se da música clássica quando ouvem a execução e participam das interações que provocamos, explicando os instrumentos, a formação da orquestra”, completa ele.

O concerto desta terça-feira (13) integra a série Clássicos na Praça e traz no repertório as obras “Uma Noite no Monte Calvo”, de Mussorgsky, “Orfeu no Inferno: Abertura”, de Offenbach, “Dança Macabra”, de Saint-Saëns, e “O Aprendiz de Feiticeiro”, de Dukas. “É um repertório para cima, alegre e com interação com o público”, conta o maestro.

Sinfônica ao Meio-Dia. Também refletindo estratégias criativas para ampliação de público, a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais vem realizando, quinzenalmente, o Sinfônica ao Meio-Dia, apresentações no horário do almoço que têm lotado o Grande Teatro do Palácio das Artes. “Essa ideia foi um sucesso grande desde sua implantação. Primeiro porque é de fácil acesso. As pessoas estão no hipercentro da cidade em um horário ocioso. Junto com isso, cinco pessoas da plateia têm a possibilidade de participar do concerto de dentro da orquestra. Os sorteados veem a apresentação na perspectiva do músico. É uma experiência única e também muito didática, porque explicamos as peças”, comenta o maestro Sérgio Gomes.

Os concertos ao meio-dia são síntese das apresentações que acontecem às quartas-feiras à noite, que, por outro lado, não têm um público tão cativo, segundo o maestro. Nesta semana, os concertos são dedicados ao finlandês Jean Sibelius. “Ele foi um importante compositor do final do século XIX e início do século XX e possui uma música nacionalista e romântica, composta dentro de um contexto especial. Ele aborda a luta contra a censura, em uma época em que havia repressão dos russos. ‘Finlandia’, música que abre o concerto e é praticamente o segundo hino da Finlândia, tem toda essa carga emocional, de desejo de libertação, de ansiedade e também de paz. Traz melodias turbulentas, mas também momentos calmos”, explica o maestro.

Violões. Já os violonistas Fernando Araújo e Celso Faria apresentam os “Manuscritos de Buenos Aires: Obras Recém-Descobertas de Francisco Mignone”, nesta terça (13), às 20h, no Teatro Bradesco. Ao lado de Villa-Lobos, Oscar Lorenzo Fernandez e Camargo Guarnieri, Mignone é um dos maiores compositores brasileiros do século XX.

Também com o intuito de aproximar o público, o concerto contará com breves introduções comentadas por Araújo, em oportunidade para conhecer mais sobre Mignone e o caminho dos manuscritos. “Ele tem uma obra pra violão muito importante, e as peças eram desconhecidas, apesar de ele ser um dos mais importantes compositores. As pessoas não sabiam da existência desses manuscritos”, conta Araújo.

As obras de Mignone, que também era pianista, regente, professor e flautista, chegaram a público graças à defesa da tese de doutorado de Araujo, que recebeu as peças por um amigo que tomou conhecimento delas em uma biblioteca em Buenos Aires, na Argentina. “São oito peças escritas para duo de violões, no estilo nacionalista, que é uma forma de compor baseada na música popular. Ele era um compositor erudito, mas que trabalhou com a cultura popular, muito próximo dos maxixes, da música caipira e das valsas”, explica o músico.

Neste aspecto, Araújo chama a atenção para as proximidades da música clássica com a cultura popular, enfatizando que o desconhecimento se dá pela falta de oportunidades. “É uma questão que tem a ver com educação, com as prioridades atendidas pelo sistema educacional brasileiro. Quanto à música erudita, temos essas músicas disponíveis e mais próximas. Existe um receio de serem composições complicadas, mas existem também músicas eruditas muito próximas do popular, às quais as pessoas já estão acostumadas”, pontua.

Comemoração. A Orquestra Filarmônica de Minas Gerais apresenta concerto ao ar livre em homenagem aos 90 anos da UFMG e pela universalização da música clássica

AGENDA

Orquestra Filarmônica Clássicos na Praça – Especial 90 anos da UFMG
Nesta terça-feira (13), às 18h30, no gramado da reitoria do campus Pampulha (av. Antônio Carlos, 6.627, Pampulha). Entrada gratuita

Concerto de violões de Fernando Araújo e Celso Faria “Manuscritos de Buenos Aires: Obras Recém-Descobertas de Francisco Mignone”
Nesta terça-feira (13), às 20h, no Teatro Bradesco (rua da Bahia, 2.244, Lourdes). Ingressos: R$ 20 (inteira)

Sinfônica ao Meio-Dia
Nesta terça-feira (13), às 12h, no Grande Teatro do Palácio das Artes (av. Afonso Pena, 1.537, centro). Entrada gratuita

Sinfônica em Concerto
Nesta quarta-feira (14), às 20h30, no Grande Teatro do Palácio das Artes (av. Afonso Pena, 1.537, centro). Ingressos: R$ 20 (inteira)

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