‘Motorrad’: terror brasileiro para exportação estreia nesta quinta

Embora o Brasil não tenha tradição em produções de terror, especialmente do tipo slasher (psicopatas que deixam um rastro de mortes, como Jason Voorhees e Michael Myers), a aprovação do mercado externo já credencia “Motorrad” para os fãs do gênero.

E não é por acaso que uma major (a Warner), estúdio de Hollywood por trás de sucessos como “O Exorcista”, “O Iluminado”, “Poltergeist – O Fenômeno” e “It – A Coisa”, está apostando as suas fichas no filme, com estreia hoje em 150 salas do país.

“Sabíamos que o terror funciona muito bem no Brasil e que a exigência seria alta. Tínhamos que fazer direito e a certeza de que fizemos é o fato de já termos vendido o filme para seis territórios no mundo”, observa o diretor Vicente Amorim.

No Extremo Oriente, a história de um grupo de motoqueiros atacado por quatro estranhos vestidos de preto, também em duas rodas, chamou a atenção pela violência mais gráfica. No norte da Europa, está sendo recebido como filme de arte.

Criador do argumento, o quadrinista Danilo Beyruth, que já assinou os gibis de Motoqueiro Fantasma para a Marvel, diz não ter a menor vergonha em enveredar pelo entretenimento. “O filme não escapa aos códigos do gênero, ao mesmo tempo que respira um ar novo, sem querer ser o Jason brasileiro”, define.

Fã de escritores de terror, como H. P. Lovrecraft e Stephen King, Beyruth ressalta que a importância de “Motorrad” está também em ampliar a visão de mercado, “fugindo da fórmula calcada na comédia ou no drama voltado para o circuito artístico”.

Para quem gosta de ir além dos sustos, o longa tem muita simbologia. “Os motoqueiros assassinos são quatro não por acaso (referência aos quatro cavaleiros do Apocalipse). Tem muito raciocínio em cima disso, mas pretendemos mais mostrar do que explicar. Ele é muito visual”.

Também chama a atenção é o fato de ser o terceiro filme brasileiro recente a exibir grupo de motoqueiros (os outros são “Reza a Lenda” e “Não Devore o Meu Coração”) numa espécie de terra sem lei. Para Amorim, pode estar incutida uma relação com a política atual.

“Filmamos logo após o golpe e obviamente que isso contamina, mesmo que não seja intencional. O filme não é metafórico, mas há uma sincronicidade. Não é por acaso também que, neste momento, um renascimento do terror no Brasil. O que é o Rio de Janeiro se não um filme de terror em larga escala?”, indaga Amorim.

Para Beyruth, tem ainda a questão da ansiedade urbana, de quando se está no trânsito e, pelo retrovisor do carro, vemos a proximidade de alguém com capacete e achamos que seremos assaltados. “A partir do medo da figura desconhecimento, projetamos essa insegurança interna”, analisa.

Fonte: Hoje em Dia / Foto: Fotos Warner

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