Hora do Empreendedor com Ibraim Gustavo – Economia da distância e seus frutos: telemedicina, EaD, home office

Praticamente da noite para o dia a vida de todos nós deu uma reviravolta, e quando percebemos, não podíamos mais sair pela porta, nossos locais de trabalho foram substituídos pela sala de casa, o terno e a gravata deram lugar à meia e ao chinelo, e as lives tomaram conta das redes sociais no período noturno. A economia da distância estava mostrando seus primeiros sinais, quando ainda nem sabímos do que se tratava o assunto.

Não éramos acostumados a viver isoladamente, sem passear em shoppings centers, impossibilitados de viajar, distantes da academia, longe dos parques, das praças e até das ruas. Precisamos aprender a encontrar – e muitas vezes criar – soluções para nos entreter, para trabalhar, para estudar, e muita coisa mudou.

Ainda que o ecommerce e serviços de streaming já fizessem parte do nosso dia-a-dia, comércios de rua, escolas, consultórios e escritórios também entravam na lista dos locais que frequentemente visitávamos até à pandemia, que nos forçou a empreender de maneiras diferentes das que conhecíamos até então.

Para uma sociedade que passava horas na rua, enchia as sacolas de produtos que comprava nas infinitas viagens de fins-de-semana, quase que de repente precisamos nos adaptar e reaprender muita coisa.

Os setores que viveram a economia da distância

As aulas não podiam parar, e apesar de muita gente passar meses dizendo que o ano letivo estava perdido, uma nova legislação permitiu que milhões de crianças e jovens passassem a estudar em casa, o que atenuou os efeitos da crise educacional, apesar de serem furtados do convívio social das escolas.

Consultas médicas de rotina foram desestimuladas, e profissionais da saúde recomendaram que apenas casos graves, de urgência e emergência, fossem levados a hospitais, pronto-socorros e clínicas. Profissionais como dentistas, médicos, psicólogos e psiquiatras suspenderam a agenda e também foram colocados à prova.

Mas os atendimentos, as avaliações clínicas, o contato com os pacientes e o trabalho desses profissionais autônomos não podia parar. Os conselhos de classe foram acionados e possibilitaram o atendimento de seus profissionais cadastrados em plataformas online.

Músicos, cantores, atores e demais profissionais do mercado da arte e cultura também precisaram investir no mundo virtual, e as lives nas redes sociais ganharam um expressivo aumento, sendo utilizadas por diversos profissionais, inclusive artistas, que foram beneficiados com a Lei Aldir Blanc, que permite que o cachê seja pago a esses profissionais que se apresentam à distância.

Adaptação a essas novas modalidades

São essas novidades, além dos já tradicionais serviços de lojas virtuais e streaming, que estimularam a economia da distância, que foi a grande responsável por manter aquecida a economia em diversos setores, e não ter havido um colapso total para milhões de trabalhadores, no Brasil e no mundo.

Aqueles que não conseguiram se adaptar a essa nova rotina, talvez ainda estejam imaginando que o mundo voltará ao normal, mas pesquisas apontam que uma enorme parcela de consumidores pretende manter esses hábitos mesmo com a retomada das atividades comerciais e a reabertura dos espaços de compras e eventos.

A economia da distância é uma realidade e movimentou milhões de reais. Chegou com a pandemia mas não pretende ir embora com ela quando o surto de coronavírus acabar, havendo um controle de disseminação ou a chegada de vacinas para a proteção da população.

Ibraim Gustavo – Jornalista, pós-graduado em Marketing (UNIP) e MBA em Comunicação e Mídia (UNIP). É também escritor, redator e radialista, e possui formação em Profissões do Futuro (plataforma O Futuro das Coisas), e no programa Restartse (plataforma StartSe).

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