Cientista holandês cria ‘hambúrguer de laboratório’ a partir de células-tronco de vaca

O atual cenário gastronômico é palco de chefs criativos e ousados, mas nenhum se compara ao professor Mark Post. Biólogo da Universidade de Maastricht, na Holanda, o cientista criou, em 2013, o primeiro hambúrguer feito em laboratório. O resultado surpreendeu o mundo e segue rendendo frutos até os dias atuais.

Está certo que dificilmente algum concorrente apresente uma receita com hambúrguer feito em laboratório no Super Mega Burguer, da EPTV, mas o assunto, com o perdão do trocadilho, pode “alimentar” a curiosidade dos amantes do sanduba.

É bovino!

Apesar de criado in vitro, o hambúrguer é bovino, sim. O biólogo explica que o produto é feito a partir de células musculares retiradas de uma vaca. Da primeira versão apresentada lá em 2013, a equipe do cientista já avançou e começa a dar mais sabor à proteína high-tech.

“Estamos melhorando o teor da proteína, dando à carne sua cor. Estamos trabalhando nas culturas de tecido adiposo (gordura), a partir das mesmas células-tronco, mas seguem um caminho diferente para a especialização. Gordura acrescenta sabor e textura à carne”, explica Post.

Como hambúrguer bom que se preze precisa de gordura, o percentual pode muito bem ser determinado pela equipe em laboratório. “Podemos fazer muito precisamente”, garante o professor.

Carne de hambúrguer desenvolvida no laboratório da Universidade de Maastricht, na Holanda (Foto: Maastricht University)
Carne de hambúrguer desenvolvida no laboratório da Universidade de Maastricht, na Holanda (Foto: Maastricht University)

E o preço?

O avanço da tecnologia, avisa o cientista, deve favorecer a implantação do hambúrguer de laboratório no mercado em até quatro anos. A expectativa é que o tempo de cultivo e o preço caiam nos próximos anos.

“Como a produção ainda não está em escala, é difícil dizer um valor. Esperamos que o preço seja na faixa de 10 dólares (cerca de R$ 31). Com as melhorias na tecnologia, que já são previsíveis, o preço cairá, a ponto de ser competitivo com a carne tradicional”, prevê.

Um hambúrguer demora 10 semanas para ficar pronto. “Mas consideramos isso uma questão irrelevante”, diz o holandês, para explicar o motivo: “Como a multiplicação celular é um processo exponencial, leva 10 semanas + 30 horas para fazer dois hambúrgueres e 12 semanas para fazer 100.000 hambúrgueres, desde que você tenha capacidade suficiente para cultivar células.”

Preparo da carne desenvolvida em laboratório da Universidade de Maastricht, na Holanda (Foto: Maastricht University)
Preparo da carne desenvolvida em laboratório da Universidade de Maastricht, na Holanda (Foto: Maastricht University)

10 bilhões de células

O professor Mark Post explica que um hambúrguer é formado por 10 bilhões de células. Isso mesmo, bilhões! Depois de crescerem células suficientes, elas são montadas em grupos de 1,5 milhões de células para formar pequenos tecidos musculares (2,5 x 0,1 cm). “São muito semelhantes às fibras musculares de um bife”, explica o biólogo.

Post conta que nada menos que 10.000 dessas fibras são necessárias para um único hambúrguer, que ganha consistência com um pouco de pedaços de pão, ou a nossa tradicional farinha de rosca. “No futuro próximo nós cultivaremos o tecido gordo separadamente o combinaremos os dois”, promete o professor.

Lanche preparado com carne desenvolvida em laboratório (Foto: Maastricht University)
Lanche preparado com carne desenvolvida em laboratório (Foto: Maastricht University)

Fonte: G1 Sul de Minas

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