Bob Dylan diz que Amy foi a última artista original

Bate-papo. Em rara entrevista, Prêmio Nobel de literatura falou de Joan Baez e de Amy Winehouse
Bate-papo. Em rara entrevista, Prêmio Nobel de literatura falou de Joan Baez e de Amy Winehouse

Bob Dylan elogiou Amy Winehouse, classificando-a como a última grande artista com estilo próprio, durante uma entrevista incomum publicada nessa quinta-feira (23) no site do lendário músico norte-americano. Em uma longa conversa com o escritor e jornalista Bill Flanagan, o último vencedor do Prêmio Nobel de Literatura fez elogios à cantora britânica de soul que faleceu em 2011, aos 27 anos. “Ela foi a última grande personalidade que viveu por aqui”, considerou.

Bob Dylan, 75, também elogiou duas cantoras vivas influenciadas pelo blues e folk, Valerie June e Imelda May. E, inesperadamente, disse gostar do trabalho da banda galesa de rock Stereophonics. O compositor também falou de forma muito positiva sobre a lenda do folk Joan Baez, com quem namorou durante um período. O casal terminou nos anos 1960 e, décadas mais tarde, Dylan se desculpou pela forma como a tratou.

“Sua voz era como uma sirene de alguma ilha grega. Apenas o som de sua voz te fascinava, era encantadora”, sustentou. “Você teria que se agarrar a um mastro como em ‘Odisseia’ e tapar os ouvidos para não escutá-la. Ela fazia você se esquecer quem era”, contou, fazendo referência ao poema épico de Homero.

O artista, que faz poucas declarações públicas, praticamente não falou sobre o prêmio Nobel e não viajou à Suécia para recebê-lo. Concordou em conversar com Bill Flanagan antes do lançamento de “Triplicate”, uma coleção de três discos que começará a ser vendida em 31 de março, no qual canta músicas popularizadas por Frank Sinatra.

Para Dylan, reinterpretar a música faz parte da criatividade. “Sempre há um precedente, quase tudo é cópia de alguma outra”, disse, indicando que os compositores muitas vezes se inspiram em artigos da imprensa, ou em romances. “Uma vez que você tem a ideia, tudo que vê, lê, saboreia e cheira se torna uma alusão a isso. É a arte de transformar as coisas”, disse. “Você não serve à arte, a arte serve a você e é apenas uma expressão da vida, não é a vida real”, declarou.

Em outro momento da entrevista, ironizou sobre sua reputação de ser um pouco insensível com outros músicos com quem compartilha o palco. “Mas por que eles querem sair comigo? Eu saio com a minha banda quando estou em turnê”. Questionado sobre o que vê na TV de seu ônibus quando está em turnê, Dylan respondeu, provavelmente de maneira sarcástica: “‘I Love Lucy’, o tempo todo, sem parar”.

Fonte: O Tempo

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