Artigo – O que fazemos do nosso lixo?

Ao percorrer uma avenida próxima ao centro da cidade, deparo-me com um amontoado de lixo tomando calçada e parte da rua (ver foto). Disse a vizinha que um cidadão vem de carro e atira ali. Será? É de estarrecer! O que leva um indivíduo tirar o lixo de sua casa e atirá-lo na via pública? Lembro-me do professor Mohamed Habib, diretor do centro de Biologia da UNICAMP-Universidade de Campinas, que disse: “estamos transformando nossos rios em depósito de lixo e esgoto. A consequência disso será a degradação entre os povos e comunidades, aparecimento de epidemias e exclusão social.”

Está aí a pandemia do novo coronavírus  para atestar a fala dele há 18 anos. Todos isolados. Os que preferem seguir exemplo do pseudo -presidente, correm o risco de infectar-se fatalmente. E com as atitudes insanas de quem deveria ser estadista, o Brasil tornou-se pária diante de outras nações. Uma forma de exclusão dos países civilizados.

Até agosto de 2014 o Brasil deveria estar livre dos lixões, segundo o PNRS- Plano Nacional de Resíduos Sólidos. No entanto, ano passado apenas 59,5% tiveram destinação adequada.  Os demais 40,5% despejados em locais inadequados, pondo em risco a saúde da população e do ecossistema como um todo. Sabemos da toxicidade- e nossos dirigentes municipais também- do chorume originado do lixo orgânico nos lençóis freáticos, corroborando com nossas doenças.

Temos de nos conscientizar da imprescindibilidade da separação do lixo, da forma adequada de acondicioná-lo pelo bem de nossa saúde. As autoridades deveriam fazer o mesmo, investir na destinação correta do mesmo- certamente não o fazem, por não ser obra visível que puxa voto.

James Lovelock disse que o homem é o câncer da Terra. Nessa pandemia vemos que com o isolamento, águas do mar estão limpas, com peixes e tartarugas aparecendo, o céu está mais azul, em razão da diminuição de veículos nas ruas, e mais pássaros estão aparecendo na cidade (fica pra outro artigo). 

Se não destinamos adequadamente nem nosso lixo caseiro, onde está nossa capacidade pensante? Nós o jogaríamos espalhados em nossas salas, quartos e cozinhas? Falta-nos cidadania e educação. Isso não se aprende na escola. Mais uma vez, recordemo-nos do grande chefe indígena: “tudo o que acontecer com a Terra recairá” sobre os filhos da Terra.

*Vanilda Porfírio Souza / Jornalista e ambientalista

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *