Artigo de Vanilda Souza – Dia Mundial do Meio Ambiente: o que comemorar?

Está lá no evangelho de Paulo a frase acima. Aliás, a Terra geme e pede socorro desde a chegada do homem e seu protagonismo, pois onde passa destrói por sua ganância e vaidade. Esta semana é dedicada do Meio Ambiente, cujo dia, criado pela ONU para nos alertar sobre a importância da preservação, é 5 de junho. A pergunta que não cala é: o que fazemos para garantir a sustentabilidade e preservação de nossa Casa Maior?

Previsões científicas apontam para catástrofes e cataclismos, bem como falta de água potável. Só no Brasil, por exemplo, 100 milhões de pessoas não têm acesso a saneamento básico e água potável, enquanto a perda por vazamentos, roubos chega a 40%, conforme o Instituto Trata Brasil. Pra se ter ideia, de cada 100 litros de água tratada, perdem-se 38%, um prejuízo de 12 bilhões anuais. Ainda salienta que, se a perda baixar de 38% para 20%,dará pra abastecer todas as favelas brasileiras por 2 anos.

A falta de saneamento gera doenças várias, as quais disputam os leitos dos hospitais com a Covid-19, que assola o mundo neste momento. Agora que precisamos de mais água para a higiene e combate ao vírus, ela falta nas torneiras, por descuido das operadoras e comportamento perdulário da população.

Há pouco, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, queria abolir multas dos devastadores da Mata Atlântica, da qual dependem 80% da população. Ainda bem que revogou o despacho, para enviar ao STF. Esperemos que os ministros tenham bom senso, pois se a moda pega, muitas terras serão invadidas, pois, a posteriori, poderão ser legalizadas. Já não chega o desmatamento para plantio de soja, milho e outros e criação de gado. O desmatamento na Amazônia cresceu 85,3% em 2019, em comparação com 2018, conforme INPE-Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.

Seu chefe, Jair Bolsonaro, genocida- já que diante de mais de meio milhão de infectados no Brasil e 33.038 mortos, insiste em indicar remédio sem comprovação cientifica, não manter distanciamento, além de cortar verba destinada ao combate à Sars-Cov-2- pretende ceder 240 poços de petróleo para explosão na região amazônica. Triste país!

Urge nos conscientizarmos da necessidade premente em cuidar dos recursos naturais, visto serem finitos. James Lovelock, grande cientista inglês diz que a Terra suportaria 2 bilhões de pessoas. Hoje somos mais de bilhões de seres consumistas, que visam apenas lucros e dividendos, e para consegui-los não se importam em destruir. Não esqueçamos que não temos um plano B, ou outra Terra, se dizimarmos essa. A civilização veio num processo de 4000 anos e em 200 anos, desde o começo da industrialização, conseguimos devastar por 3800 anos.

Aproveitemos a reclusão deste terrível tempo de pandemia para refletirmos sobre os males que causamos ao planeta, de onde tiramos nossa vida. Bastou um pequeno período de confinamento, o céu ficou mais azul, pássaros diferentes adentraram as cidades, animais transitaram tranquilamente por ruas do mundo inteiro e o ar ficou mais respirável.

Para concluir, remeto-me ao famoso ditado de um sábio chefe indígena, que em 1856 alertou tudo o que acontecer à Terra recairá sobre os filhos da Terra.

Vanilda Souza Marques /Foto: Flickr
Jornalista e ambientalista

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