Polícia faz acareação entre suspeitos de matar mãe e filha em Poços

suspeito_1“Foi ele quem pediu a cabeça das duas”. Esta foi a declaração do pedreiro Marcos Francisco Pedrilho, de 22 anos, momentos antes da acareação com o funcionário público, Carlos Henrique Ramos, de 36 anos, na delegacia de Poços de Caldas, na manhã desta segunda-feira (29). Ambos são suspeitos da morte de mãe e filha, Aline Rosa da Silva, de 30 anos e Tammy Caroline da Silva, de 3 anos, no sábado (20), no bairro Santa Augusta. A Polícia Civil quer concluir o inquérito ainda nesta segunda.

“Foi ele que mandou a situação de magia negra, como eu havia falado ao delegado”, acrescentou Marcos, antes de ficar frente a frente com o funcionário público, que era padrasto da vítima Aline.

Carlos Henrique nega. “Prevalece a minha mesma versão. Eu não tenho nada a ver com o crime, não incentivei a fazer nada”, relatou.

Durante esta segunda-feira, a Polícia Civil trabalhou para confrontar os depoimentos dos dois suspeitos. Ambos são considerados suspeitos do crime, sendo que Marcos confessou à polícia que matou mãe e filha e disse ter agido sob influência de Carlos Henrique.

Como os depoimentos são diferentes, o objetivo da acareação é confrontar o ponto das duas versões. O delegado Cleyson Rodrigo Brene pretende apresentar o indiciamento ainda nesta segunda-feira.

O crime
No dia 20 de junho, Aline Rosa da Silva e a filha dela, Tammy Caroline da Silva foram encontradas mortas na casa que viviam com Marcos Pedrilho. Ele confessou ter matado as duas asfixiadas e que o motivo do crime seria pessoal. Mas, durante as investigações, a Polícia Civil desconfiou da versão apresentada e na terça-feira (23) apreendeu, na casa da família, objetos e livros, entre eles um tratado de magia, e uma carta escrita há três anos provavelmente com o sangue de Marcos.

Durante o interrogatório, Marcos disse ao delegado que foi influenciado pelo padrasto da vítima, Carlos Henrique Ramos. Segundo ele, os dois tinham um relacionamento amoroso e a morte das duas seria um presente de Marcos para ele.

Mensagens em rede social
Outra informação apresentada pela Polícia Civil são as mensagens publicadas pelo suspeito em uma rede social após o crime. Segundo o delegado, mãe e filha foram mortas por volta das 15h e cerca de 17h10 ele postou fotos e mensagens, tanto da mulher como da filha.  Além das postagens, o jovem possivelmente usou a senha da esposa para acessar o perfil dela e ainda comentou uma postagem que ele mesmo fez.

face“A primeira postagem dele foi feita às 17h, dizendo que amava muito a família. A segunda postagem foi feita às 17h08, onde ele postou um álbum com fotos da família, em que ele aparece também e a terceira postagem foi às 17h12, com uma foto da vítima grávida onde ele dizia ‘que saudade desse barrigão’”, disse Brene.

Para o delegado, as postagens evidenciam que o crime pode ter sido planejado por ele e não algo passional, como ele tentou alegar. “Ele estava com elas mortas, dentro de casa, e postou as mensagens com frieza.”

Ainda segundo a polícia, Marcos apagou as mensagens que existiam nos telefones, tanto dele como de Aline. Os aparelhos estão com a perícia, que tenta recuperá-las.

Carta escrita com sangue
carta_1Na manhã de terça-feira (23), os investigadores da Polícia Civil voltaram à casa onde Marcos Pedrilho vivia com a mulher e a filha. No local, a mãe e o padrasto da Aline acompanharam a ação dos policiais, que apreenderam objetos como uma luminária no formato de uma torre com um dragão, livros como um tratado de magia e a carta escrita com sangue.

A carta seria uma despedida endereçada à Aline, onde Marcos diz que quando a esposa estivesse lendo a carta ele provavelmente estaria morto. No material ele pedia desculpas por a ter abandonado, mas não suportaria vê-la nos braços de outro.

Ele ainda pedia que a Aline cuidasse bem da filha e na hora de se despedir, dizia que escreveu a carta com o sangue para provar à esposa que a ama. Marcos desenhou um coração cravejado por um tridente com as iniciais dele e dela e assinou a carta.

Questionado sobre a carta escrita com o sangue do suspeito do crime, o delegado informou que o jovem reconheceu a autoria do material e que isso pode ter ligação com o fato de que uma vez ele tentou se matar, cortando os pulsos. “Ele teria cortado os braços a pedido do pai de santo, que teria dito que os pulsos dele tinham que jorrar sangue para que ele salvasse a vida da filha dele que ainda ia nascer”, esclareceu Brene.

Em entrevista ao G1, a mãe do jovem, Rudineia Aparecida da Silva Mariano Leal, disse que foi ela que encontrou a carta na casa da avó do jovem, em Poços de Caldas, e confirmou que ela teria sido escrita com o sangue dele.

“Não sei o que se passou com meu filho, acredito que ele agiu por influência, mas não sei dizer de quem. Nós somos candomblecistas, mas escrever com o sangue não tem nada a ver com a religião. Fui eu que achei essa carta há anos. Na época eles tinham se separado porque ele ‘chifrou’ ela  e ela não queria mais nada com ele. Eu dou razão pra ela, mas ele queria se matar”, revelou a mãe do jovem.

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