Pessoas com deficiência buscam capacitação técnica para ingressar no mercado de trabalho

Segundo dados do Instituto Brasileiro 2010 (IBGE), o Brasil tem mais de 45 milhões de habitantes com algum tipo de deficiência, número que corresponde a cerca de 24% da população do país. Em Minas Gerais, são quase 4,5 milhões de pessoas ou 22,62% da população.

Em relação ao nível de instrução da população com deficiência, 14,2% possuem o fundamental completo, 17,7%, o médio completo e 6,7% possuem superior completo.

A inclusão de pessoas com deficiência (PCD) no Brasil ainda é um desafio, especialmente quando se trata de qualificação e inserção no mercado de trabalho. As oportunidades para esse público aumentaram com a aprovação da Lei de Cotas (nº 8.213/1991), que estabelece o percentual de 2% a 5% de vagas nas empresas com 100 ou mais funcionários.

Desde então, esses profissionais vêm rompendo o preconceito e conquistando espaço. Em Varginha, Mizael de Araújo Paulino acreditava que sua deficiência auditiva o impediria de atuar como enfermeiro.

“A princípio, fiquei imaginando se um surdo poderia ser um profissional de saúde. Depois percebi que sim, que eu poderia ser. Com a formação necessária, sei que me tornarei um bom técnico em enfermagem”, avalia.

Na turma do curso técnico em Administração, o aluno Felipe José Costa tem múltiplas deficiências, mas nada o impede de ser independente. Ele mora sozinho em Paraguaçu, cidade localizada a 40 km de Varginha, e todos os dias se desloca com transporte público até o Senac.

“Eu sonho em abrir meu próprio negócio. Faço curso de Administração para aprender como gerir minha empresa”, explica.

Foto: Diego Tomaz

Inclusão na escola

Em 2017, o Senac atendeu cerca de 600 pessoas com deficiência. Atualmente, a instituição tem 457 alunos com algum tipo de deficiência em cursos de formação profissional em todo estado.

No Sul de Minas, o Senac atende a 84 alunos entre cegos, surdos, deficientes intelectuais, físicos e pessoas com mobilidade reduzida.

Com o objetivo de viabilizar a capacitação de pessoas com deficiência em busca de oportunidades profissionais, o Senac conta com o Setor de Educação Inclusiva (Sedin), área com foco na inclusão de pessoas com deficiência e demais perfis como idosos, indivíduos em vulnerabilidade social e refugiados.

Além do acompanhamento escolar, o setor analisa e trabalha adaptações necessárias à aprendizagem, como intérpretes de libras, materiais em braille, softwares com informações orais e mudança na metodologia didática de ensino do docente.

Foto: Larissa Matos

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