Para economizar, prefeitura corta luzes de praça em Bom Sucesso

O município de Bom Sucesso, é um dos 11 da região do Sul de Minas que, segundo a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), não tem leis municipais para garantir a cobrança da contribuição da iluminação pública. Sem cobrar essa taxa da população, a prefeitura afirma que não tem condições de manter todas as luzes da cidade acesas. Um projeto que permitiria a cobrança foi rejeitado pelos vereadores e a administração optou por uma medida radical na tentativa de economizar: apagou as luzes das praças.

A medida, colocada em prática há quase um mês, dividiu opiniões e as lâmpadas seguem apagadas. Os moradores esperam a resolução do impasse político entre a prefeitura e a câmara de vereadores.

Alguns moradores que querem frequentar as praças tem optado por usar lanternas e até a luz do celular. Algumas crianças brincam no escuro. “O entretenimento que tem no interior é praça. Então as mães levam as crianças, os idosos saem da missa a noite, mas fica perigoso, tropeçar e cair no escuro e até ser assaltado, por que não?”, disse a analista internacional Stella Monteiro.

A aposentada Geralda Ângela Reis sai de casa, à noite, para tomar um ar fresco, mas fica com medo de frequentar a praça por causa da escuridão. “A gente fica aqui sentado, mas tem que ficar o tempo todo olhando para os lados, ficou horrível”, disse.

A prefeita da cidade, Cláudia Barros, diz que mandou cortar a iluminação das áreas para tentar economizar, mas ela assume que foi também uma forma de pressionar os vereadores a aprovarem um projeto de lei que previa a cobrança da taxa de iluminação pública.

Praça está escura há um mês em Bom Sucesso (Foto: Reprodução EPTV)Praça está escura há um mês em Bom Sucesso.
(Foto: Reprodução EPTV)

“A gente tomou essa decisão para alertar a população que se o projeto não fosse aprovado, essa era uma situação que ia se estender por toda a cidade, de ter que chegar nos postes. Na verdade, as praças não são o grande problema, o grande problema é chegar nos postes, porque o que arrecadamos não dá para arcar com isso”, esclareceu.

No entanto, a estratégia deu errado. O projeto foi rejeitado pelos vereadores. Segundo a Cemig, outros 10 municípios da região também não possuem a lei que permite cobrar da população a contribuição da iluminação pública. Em Bom Sucesso, se o projeto fosse aprovado, seriam arrecadados cerca de R$ 65 mil com a taxa. Os políticos disseram que votaram pensando no bolso da população.

“O principal argumento seria penalizar a população com mais um imposto, principalmente na crise que estamos passando. Não foi algo político contra a prefeita. Infelizmente quem pode responder se a praça ficará no escuro será a prefeita”, disse Samuel Ribeiro Junior, presidente da Câmara.

Os gastos com iluminação pública custam cerca de R$ 100 mil por mês ao município e segundo a prefeita, a administração não tem arrecadação suficiente para bancar sozinha essa conta. E ela admite que no próximo ano pode ser pior. “Quase impossível arcarmos com isso no próximo ano. Há a possibilidade de toda a cidade ficar no escuro e a preocupação é muito maior. Em tese, iluminação de praça é enfeite, mas e a dos postes, onde efetivamente as pessoas transitam?”, pontuou.

E enquanto a situação não é resolvida, a população continua no escuro. “Fica essa briga aí, ao invés da prefeitura e dos vereadores ouvirem a população e atender, parecem que estão ‘pirraçando’ a gente, ‘né’?”, questionou Stella Monteiro.

Por outro lado, a prefeita disse que por causa do Natal, as luzes das praças serão acesas a partir do dia 20 de dezembro, mas que no próximo ano, a situação segue indefinida diante da falta de dinheiro destinado ao custeio de toda a iluminação pública nas praças e ruas de Bom Sucesso.

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