Médicos condenados por retirada ilegal de órgãos são soltos

Os três médicos acusados por retirada e transplante ilegal de órgãos foram soltos na noite desta sexta-feira (3), e agora aguardam o julgamento do habeas corpus em liberdade. Os profissionais Jefferson Skulski, João Alberto Góes Brandão e Cláudio Rogério Carneiro Fernandes foram transferidos de Três Corações, para Poços de Caldas, onde participaram de uma pequena audiência no Fórum, com o juiz Narciso Alvarenga Monteiro de Castro.

Durante a audiência, os médicos foram informados das medidas cautelares que devem ser respeitadas durante o período em que aguardam julgamento. Eles estão proibidos de se ausentar de Poços de Caldas por mais de três dias, devem ficar presos em domicílio e estão obrigados a comparecer ao fórum mensalmente. Além disso, os três médicos serão monitorados eletronicamente com tornozeleiras. A decisão do juiz, porém, não implica no trabalho dos profissionais como médicos.

Os médicos ficaram presos há 102 dias. Segundo Fábio Camargo, advogado de um dos médicos, eles ficaram dois meses em Poços de Caldas, e em seguida foram transferidos para Três Corações.

Os três profissionais foram condenados em primeira instância no chamado “Caso 5”, pela morte de Paulo Lourenço Alves, que de acordo com a Justiça, ainda estaria vivo no momento de retirada de rins e córneas. O caso aconteceu em 2001 em Poços de Caldas.

De acordo com a sentença, o urologia Cláudio Rogério Carneiro Fernandes foi condenado a 17 anos de prisão, o radiologista Jefferson Skulski pegou uma pena de 18 anos e o nefrologias João Alberto Góes Brandão foi condenado a 19 anos.

Outros três médicos foram julgados neste processo. Paulo César Pereira Negrão foi condenado a 16 anos de prisão, mas cumpre pena em liberdade. O juiz responsável pelo caso, Narciso Alvarenga Monteiro de Castro, concluiu que a participação dele foi insuficiente para a prisão. Entretanto, eles receberam medidas cautelares.

O médico e ex-secretário de Saúde, José Júlio Balducci, foi absolvido e a oftalmologista Alessandra Queiroz Araújo não foi presa porque o juiz entendeu que a pena era pequena e foi prescrita. Os advogados dos médicos informaram que ainda não há novidades no caso em relação ao habeas corpus.

Dois dos médicos acusados por este crime – João Alberto Góes Brandão e Cláudio Rogério Carneiro Fernandes  – já foram condenados em outros casos da chamada ‘Máfia dos Órgãos’.Este último chegou a ficar preso por 30 dias pela condenação de 17 anos, por envolvimento no caso do menino Paulo Veronesi Pavesi, o Paulinho, em 2001. O caso ficou conhecido como ‘Caso Pavesi’ e foi o que deu início às investigações a outros oito casos referentes ao tráfico de órgãos na cidade.

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