Matadouro municipal é interditado após denúncia em Jacutinga

0828_jac_1A Prefeitura de Jacutinga, interditou o matadouro municipal por suspeitar que o sangue do abate de bois estaria sendo despejado em um córrego da cidade. O riacho deságua no Rio Mogi Guaçu, de onde é retirada a água para abastecer o município. A denúncia foi feita pelo vereador Valdecir Pereira (PP), que fez imagens do local.

Pereira registrou ainda um boletim de ocorrência. Ele alega que o líquido é formado por sangue e restos de animais que vêm diretamente do abatedouro e que o despejo acontece de madrugada quatro vezes por semana, nos dias de abate.

As fotos mostram o córrego com uma água avermelhada. Já no vídeo, é possíver ver que o líquido desce por um encanamento e forma uma espuma.

“Acredito que esse sangue desceu do matadouro por todo esse tempo, antes de ser levantado pela madrugada, porque a população só conseguiu enxergar a partir do momento que os urubus começaram a baixar na localidade, esse sangue estava sendo consumido pela nossa população depois de um tratamento que, no meu entender, é muito precário na estação de tratamento de água do município”, afirma Pereira.

Segundo Eduardo Henrique Grisolia, secretário de Desenvolvimento Rural e Meio Ambiente, o resíduo dos animais deveria ser levado por uma bomba elétrica até uma caixa, para depois ser recolhido por um caminhão e ter a destinação adequada. A bomba, no entanto, está quebrada, e o cano do reservatório que deságua no riacho estava aberto.

“Conversando com o pessoal da prefeitura, nós tomamos o procedimento de abrir uma sindicância para apurar a causa devida”, diz Grisolia.

De acordo com a Polícia Militar de Meio Ambiente, o abatedouro tem um Termo de Ajustamento de Conduta para funcionar, mas não tem licença ambiental para o descarte no córrego.

“Durante a fiscalização ambiental foi constatado ainda que o abatedouro está sem o licensiamento ambiental. Vai ser feito o auto de infração a respeito dessa irregularidade”, explica o sargento Clodoaldo Evangelista Oliveira Júnior.

O córrego passa perto da casa do aposentado Valter Emílio da Fonseca, que diz que já viu a água ser polúida diversas vezes. “Muitas vezes eu filmei, consegui filmar eles lá. Estava vermelhinho o leito do rio. Nem era água, era sangue, só que era misturado com água”, conta Fonseca.

O local atende o consumo interno de Jacutinga e mata cerca de 280 animais por mês. “Está provisoriamente encerrada a atividade até colocar o motor em funcionamento e apurarmos o que realmente aconteceu”, completa o secretário de Desenvolvimento Rural e Meio Ambiente.

Segundo a PMMA, o matadouro foi multado em R$ 15 mil reais. Já a prefeitura da cidade suspendeu a captação de água num ponto abaixo do local.

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