Inquérito sobre morte de estudante mineira deve ser concluído em 10 dias

Após a reconstituição do assassinato da estudante Larissa Gonçalves de Souza nesta segunda-feira (16),em Extrema, o inquérito policial deve ser concluído em até 10 dias. A promotora Rogéria Leme, que acompanhou os trabalhos junto com o delegado que está à frente das investigações, Valdemar Lídio Gomes, disse que o caso deve ir a júri popular.

“O inquérito está em fase de encerramento. Acredito aí que no máximo em uma semana, dez dias, ele deva ser remetido à Justiça. Ao final desse processo, o caso será submetido a júri popular”, informou a promotora.

Larissa desapareceu no dia 23 de outubro, quando estacionou de carro na rodoviária de Extrema para pegar o ônibus até a faculdade, em Bragança Paulista (SP). As investigações levaram a polícia até o comerciante José Roberto Freire, o garoto de programa Valdeir Bispo dos Santos e a enfermeira Rosiane Rosa da Silva, que participaram da reconstituição do crime.

Por questão de segurança, rua foi interditada durante a reconstituição (Foto: Reprodução EPTV)Por questão de segurança, rua foi interditada durante a reconstituição (Foto: Reprodução EPTV)

Reconstituição
De acordo com o delegado, os trabalhos desta segunda-feira serviram para comparar os depoimentos dados até o momento pelos suspeitos. Além dos pais da vítima, o pai de Lucas Gamero também acompanhou a reconstituição. Namorado de Larissa, Lucas chegou a ser preso como suspeito, mas foi liberado pela polícia no dia 11 de novembro por falta de provas de seu envolvimento.

O primeiro lugar escolhido para a reconstituição foi a casa de Freire, onde Larissa foi morta.  Por segurança as ruas do bairro foram cercadas. Um a um, os suspeitos eram levados pra dentro da casa e contavam para a polícia como o crime foi cometido. Depois da casa do comerciante, a polícia esteve na rodoviária de Extrema e no local onde o corpo da jovem foi encontrado, na Serra do Lopo, a 15 metros da estrada.

Tirando dúvidas
Rosa, como é conhecida Rosiane Rosa dos Santos, confirmou aos policiais que ajudou a abordar Larissa na rodoviária da cidade. “Eu não sabia o que estava acontecendo, não imaginava que ele ia fazer isso. Não imaginava. Ele falou para mim que ia pegar o celular dela e dar um susto só”, disse, fazendo referência a José Roberto. “Eu só perguntei o que estava acontecendo, nervosa. Ele falou assim: ‘Entra no carro e vou te levar embora, só isso'”.

“O José Roberto manteve a sua versão, colocando o Lucas ali na casa durante a execução”, contou o delegado. “O Valdeir nega tudo isso”, relatou.

A reconstituição durou cerca de 4h na tarde desta segunda-feira. A segurança foi reforçada em todos os pontos por onde passaram a polícia e os suspeitos. No entanto, todo o trabalho foi acompanhado por moradores, alguns bastante revoltados. “Se soltar ela aí agora, ela vai ser linchada, né? Por isso que a Polícia Militar está preservando aí”, disse um morador. “O que fizeram com a menina foi muita revolta mesmo”. comentou outro.

Entenda o caso
As investigações apontam que a morte da jovem, com requintes de crueldade, teria sido encomendada por R$ 1 mil pelo comerciante José Roberto Freire que, preso, admitiu ter planejado o crime, mas acusou o namorado dela, o modelo Lucas Gamero, de ter participação. Segundo Freire, ele e Gamero mantinham um relacionamento amoroso e temiam que Larissa tornasse a história pública.

“Ele [Gamero] negou participação, negou envolvimento com José Roberto, negou ter dado dinheiro, negou ser o mentor intelectual do crime”, disse o delegado Valdemar Lídio Gomes Pinto.

No dia 4 de novembro, Gamero foi detido temporariamente junto com um sobrindo de Freire. No dia 10 de novembro, o sobrinho de Freire foi liberado por falta de provas. No dia 11 de novembro, o namorado de Larissa também foi solto.

Ainda no dia 10 de novembro, a Polícia Civil apresentou o garoto de programa Valdeir dos Santos Bispo e a enfermeira Rosiane Rosa da Silva como o casal que abordou Larissa na rodoviária. Os dois permanecem presos junto com Freire acusados de envolvimento no crime.

Rosa não quis prestar depoimento. Santos confessou ter estado com a efermeira na rodoviária e terem juntos levado a garota até a casa de Freire, mas negou responsabilidade na morte, cuja autoria foi atribuída a Freire.

Larissa e Lucas se conheciam há 4 anos e começaram a namorar no ano passado em Extrema (Foto: Reprodução EPTV)Larissa e Lucas se conheciam há 4 anos e
começaram a namorar no ano passado em
Extrema (Foto: Reprodução Facebook)

Comerciante
José Roberto Freire morava há dois anos em Extrema. Ele era dono de uma loja de roupas e contratava jovens para desfiles de moda. Lucas Gamero já havia desfilado para ele.

Clientes descrevem o comerciante como uma pessoa discreta, mas os investigadores descobriram que ele tinha passagens pela polícia. Freire é investigado por desviar R$ 60 mil da Prefeitura de Avaré (SP) e também é suspeito de matar um ex-companheiro em 2012.

Uma tia de Larissa contou que a jovem já tinha reclamado do comportamento de José Roberto anteriormente. “Ele não gostava dela. Isso ela sempre falou”, disse Nadir da Fonseca Oliveira.

Larissa morava na zona rural de Extrema. Segundo a família, Lucas, o namorado, que está preso, ia até a casa dela com frequência. A família não acredita que o rapaz tenha ligação com a morte da namorada.

Corpo de jovem de 21 anos foi encontrado na tarde de terça-feira em Extrema (Foto: Reprodução Facebook)Missa em homenagem à Larissa Gonçalves de
Souza reuniu centenas de pessoas em Extrema.
 (Foto: Reprodução Facebook)

Crueldade
Segundo a médica legista que atendeu o caso, o corpo da vítima estava em estado avançado de decomposição e apresentava diversos sinais de violência quando foi encontrado no dia 3 de novembro.

“Ela estava com o corpo amarrado. Os punhos estavam amarrados aos tornozelos com fios elétricos. Pelos sinais, tudo indica que ela foi amarrada em vida. A cabeça foi toda envolta com uma fita adesiva e o corpo foi encontrado dentro de uma sacola de transporte”, disse Tatiana Telles Koeler de Matos.

Ainda segundo a legista, o estado em que o corpo foi encontrado dificultou a avaliação técnica e não permite precisar como ela foi morta.

“Como a cabeça estava envolta em fita adesiva, eu não tinha elementos técnicos para dizer se a morte se deu pela asfixia por obstrução das vias áreas pela fita adesiva ou se ela morreu pelo estrangulamento”, afirmou.

O corpo da jovem foi velado ainda durante a noite de terça-feira (3) e enterrado na madrugada de quarta-feira (4) no Cemitério Municipal de Extrema. Centenas de pessoas acompanharam o velório e o sepultamento. Na noite de quarta-feira, amigos e familiares se reuniram no Santuário de Santa Rita de Extrema para prestar as últimas homenagens à estudante. No dia 14 de novembro, moradores fizeram uma manifestação em apoio à família da estudante.

Policiais que investigam o caso dão detalhes sobre crime durante entrevista coletiva em Extrema (Foto: Régis Melo)Policiais que investigam o caso dão detalhes sobre crime durante entrevista coletiva em Extrema
(Foto: Régis Melo)

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