Grupos aproveitam visita para cobrar demandas a governador no Sul de Minas

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Integrantes da tribo indígena Xucuru Kariri, de Caldas, dos servidores mineiros da educação e do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) de Guapé e Campo do Meio acompanharam nesta quinta-feira (24) a passagem por Pouso Alegre do governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT). Ele chegou à cidade para instalar o 17º território do Fórum Regional de Políticas Públicas.

O Território Sul reúne 119 cidades e tem o objetivo de apresentar e debater necessidades de seus cerca de 1,5 milhão de habitantes, segundo estimativa do governo. Esse debate deve nortear projetos estaduais para a quarta região com maior densidade demográfica de Minas.

De olho nessa proposta,  os movimentos sociais têm se organizado para marcar presença diante do governador. Técnicos e analistas da educação usaram camisetas pretas e fizeram protesto com cartazes e frases de repúdio.

Reivindicação trabalhista
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Estamos em greve desde o dia 27 de julho. Pedimos a correção da distorção da nossa tabela, que acontece desde 2011, mas o governador apresenta uma proposta de fazer um aumento percentual em nosso salário. Não é o que queremos”, disse a sindicalista Rosemeire Ferreira, que está entre os 41 servidores em greve na região de Pouso Alegre. Em Minas, a adesão da categoria é estimada em 85%.

forum6De acordo com o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (SindUTE), os técnicos da educação querem que o salário deles seja equivalente a 85% do valor pago aos analistas. Já os analistas reivindicam uma tabela de pagamentos similar à existente para os analistas inspetores.

Em boa parte dos 20 minutos de discurso, Pimentel resistiu aos protestos do movimento que se auto intitulou “Luto pela educação”, mas quase ao final mencionou a presença do grupo. “Passaram-se 12 anos sem que os nossos companheiros e companheiras da educação pudessem chegar numa assembleia como esta e gritar suas reivindicações. Acho justo que o façam. Devem fazê-lo”, declarou.

Após o evento, o secretário de Governo, Odair Cunha, disse em coletiva que o compromisso da administração é reduzir a partir de 2016 a distorção salarial reclamada pelos técnicos e analistas da educação.

Indígenas e Sem Terra
Ocupando a mesa das autoridades, a postura do cacique Thyeru Jal e da liderança do MST na região, Bruno Rodrigo Silva Diogo, foi mais introspectiva. Durante a cerimônia de cerca de 2h, eles apenas escutaram os diversos pronunciamentos feitos na tribuna por políticas e pessoas ligadas à indústria e ao comércio. No entanto, o silêncio era apenas superficial. Eles tinham muito a dizer ao governador.

Na aldeia da tribo Xucuru Kariri, saneamento básico e educação são duas importantes demandas dos 155 indígenas, conta Jal. Segundo ele, faltam verbas para atender a população no tratamento de resíduos e existe a expectativa de que uma escola seja instalada no local em 2016.

“Nós estamos aqui para levar ao conhecimento do governador que a nossa aldeia existe no Sul de Minas Gerais há 15 anos. Nosso povo está vivo e precisa de um acompanhamento, que está nas políticas públicas. Queremos que ele reveja a causa indígena”, disse. “Quando foi construída uma escola dentro da aldeia, ela foi feita sem nosso conhecimento. Queremos uma escola feita dentro das nossas características”, observou.

Desapropriação em Campo do Meio
Já Bruno estava ansioso pela antecipação de uma notícia esperada há anos: a desapropriação da fazenda onde há mais de 15 anos 455 famílias estão assentadas em Campo do Meio. Na espera pela boa nova, a liderança local foi a Pouso Alegre com outras 54 pessoas, originadas tanto de Campo do Meio, do assentamento Ariadnópolis, quando de Guapé, do assentamento Santo Dias.

“O governador nos prometeu anunciar amanhã [sexta-feira, 25] a desapropriação da fazenda onde era a Usina Ariadnópolis. Ele está aqui na região, queríamos que ele já falasse sobre isso. Essa desapropriação é importante. Vai ser o maior assentamento de Minas Gerais”, conta o sem-terra.

Apenas despachos
Mas sobre a questão agrária, Pimentel nada falou. O governador de Minas Gerais se ateve à assinatura de despachos que prometem projetos para outras áreas. Entre as propostas estão um helicóptero para uso conjunto do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e Corpo de Bombeiros, a duplicação da rodovia entre Varginha e Três Corações e a ampliação das MGs 167 e 290, nas regiões, respectivamente, de Três Pontas e Pouso Alegre.

De acordo com Pimentel, todas as demandas serão ouvidas no decorrer dos trabalhos do recém-criado Território Sul, que começa suas atividades, oficialmente, em 3 de outubro. Nesse primeiro encontro, os moradores das cidades que compõem a regional vão eleger delegados e discutir propostas do orçamento de 2016 e do Plano Plurianual de Ação Governamental, que vai vigorar entre 2016 e 2019.

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