Estudantes vão às ruas e aulas são suspensas em atos contra corte de verbas do MEC

Desde que foram anunciados pelo Ministério da Educação (MEC), os cortes de verbas da educação, vários estudantes e universidades se mobilizam para protestar. Na manhã desta quarta-feira (15), em algumas cidades da região, alunos foram para as ruas e escolas públicas e universidades tiveram paralisações totais ou parciais.

Em Poços de Caldas, as escolas públicas tiveram paralisações. Segundo o Sindicato dos Servidores Públicos da cidade, pelo menos duas escolas municipais estão com as atividades completamente paralisadas por conta dos protestos, totalizando cerca de mil alunos. Já nas estaduais, cinco escolas estão com paralisação parcial, deixando pelo menos 2,6 mil alunos sem aulas durante a manhã.

Em Varginha, estudantes da Universidade Federal de Alfenas – Unifal, se reuniram no campus pela manhã e saíram às ruas com cartazes e faixas com frases de protesto. às 11h, os alunos chegaram à Concha Acústica, onde o ato estava marcado.

Estudantes same à ruas em atos contra bloqueio de verbas em Varginha (MG) — Foto: Letícia Oliveira
Estudantes same à ruas em atos contra bloqueio de verbas em Varginha (MG) — Foto: Letícia Oliveira

Bolsonaro

Ao chegar aos Estados Unidos, nesta quarta-feira (15), o presidente Jair Bolsonaro afirmou que as manifestações que estão ocorrendo no Brasil em defesa de recursos para a educação são feitas por “idiotas úteis”, classificados por ele como “militantes” e “massa de manobra”.

Indagado sobre os protestos que acontecem nas capitais e em grandes cidades do país, o presidente disse que os alunos que estão nas ruas “não sabem nem a fórmula da água” e servem de instrumento político para “uma minoria espertalhona que compõe o núcleo das universidades federais”.

“É natural (que haja protesto), mas a maioria ali é militante. Se você perguntar a fórmula da água, não sabe, não sabe nada. São uns idiotas úteis que estão sendo usados como massa de manobra de uma minoria espertalhona que compõe o núcleo das universidades federais no Brasil”, afirmou o presidente na porta do hotel em está hospedado em Dallas.

Marcos Corrêa / Divulgação

Redes sociais

Nas redes sociais, enquanto uns apoiam o presidente, outros atacam o governo atual. Vários comentários e post estão tomando conta de aplicativos e perfis em redes sociais. Confira alguns:

“A questão não cortar ou contingenciar, a questão é você ofender as pessoas, desrespeitar professores e alunos. Um presidente precisa governar a todos goste ele ou não. A primeira ação foi tentar desmoralizar os estudantes e professores e depois anunciam os cortes e com isto conseguiram apoio do ‘bolsominions’ que só querem ver “sangue”. Esse governo ainda não aprendeu a governar, duvido que aprenda”, disse R. K.

“O pior é que o Bolsonaro está certo. São idiotas úteis que servem de massa de manobra mesmo. Se investe bem em educação, está provado, mas a verba é mal direcionada. E sobe nas mãos de malandros que habitam há décadas as universidades. Frequentei universidade e vi de perto a panelinha que fica com os recursos’, escreveu R. N.

Cortes na educação

O Ministério da Educação divulgou em abril que todas as universidades e institutos federais teriam bloqueio de recursos. Em maio, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) informou sobre a suspensão da concessão de bolsas de mestrado e doutorado.

Segundo informações do Ministério da Educação, o bloqueio é de 24,84% das chamadas despesas discricionárias — aquelas consideradas não obrigatórias, que incluem gastos como contas de água, luz, compra de material básico, contratação de terceirizados e realização de pesquisas. O valor total contingenciado, considerando todas as universidades, é de R$ 1,7 bilhão, ou 3,43% do orçamento completo — incluindo despesas obrigatórias.

Em 2019, as verbas discricionárias representam 13,83% do orçamento total das universidades. Os 86,17% restantes são as chamadas verbas obrigatórias, que não serão afetadas. Elas correspondem, por exemplo, aos pagamentos de salários de professores, funcionários e das aposentadorias e pensões.

Segundo o governo federal, a queda na arrecadação obrigou a contenção de recursos. O bloqueio poderá ser reavaliado posteriormente caso a arrecadação volte a subir. O contingenciamento, apenas com despesas não obrigatórias, é um mecanismo para retardar ou deixar de executar parte da peça orçamentária devido à insuficiência de receitas e já ocorreu em outros governos.

Redação CSul – Iago Almeida / Foto: Letícia Oliveira

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