Equipe do Sul de Minas se classifica em Olimpíada de Mineração nos EUA

Informar as coordenadas de um ponto final desconhecido utilizando como equipamento um teodolito rústico. Serrar uma seção de madeira em menor tempo possível, seguindo determinadas normas e técnicas. Foi assim que a equipe de engenharia de minas da Universidade Federal de Alfenas (Unifal-MG), de Poços de Caldas, conseguiu um ouro e uma prata na 39ª edição dos Jogos Internacionais de Mineração nos Estados Unidos, o Mining Games, e deixou o Brasil em 6º na classificação geral.

Estudantes da Unifenas de Poços de Caldas conseguiram o 6º lugar no Mining Games, nos EUA (Foto: Time Mining Games da Unifal-MG)
Estudantes da Unifal-MG conseguiram o 6º lugar no Mining Games (Foto: Time Mining Games da Unifal-MG)

O Internacional Mining Games, ou olimpíadas de mineração, teve sua origem em 1978 como forma de homenagem aos 91 mineiros que morreram no incêndio na Mina de Sunshine, em Kellog, Idaho (EUA) em 1972. A competição consiste em sete provas que relembram como era a mineração antes das tecnologias, mais precisamente em 1972. Este ano, ela aconteceu entre os dias 21 e 26 de março em Lexington, nos Estados Unidos.

Mesmo com dificuldades para encontrar patrocínio, cinco dos 10 integrantes do time conseguiram viajar para participar dos jogos. “Como não conseguimos dinheiro suficiente, optamos por fazer tudo o mais barato possível. Por isso, ao invés de pegar o voo direto para a cidade da competição, fomos para outro estado e lá, alugamos um carro e viajamos oito horas até Lexington. Acredito que isto tenha sido uma das maiores dificuldades que enfrentamos”, conta a estudante Paula Cintra.

Equipe precisa usar equipamentos antigos para provas, como a de topografia, Poços de Caldas (Foto: Time Mining Games da Unifal-MG)
Equipe precisa usar equipamentos antigos para provas, como a de topografia (Foto: Time Mining Games da Unifal-MG)

Entre 12 equipes, o time da Unifal conseguiu a 6ª classificação no ranking geral das equipes mistas, em que homens e mulheres competem juntos. Este é o quarto ano que a equipe representa o Brasil na competição. A Universidade de São Paulo (USP) também representou o país na competição, participando pela primeira vez, e se classificou em 11º no ranking. O primeiro colocado no ranking final foi a faculdade Montana Tech, dos Estados Unidos.

Provas
Ao todo, os competidores precisam realizar sete provas com técnicas antigas de mineração no menor tempo possível: Mucking, Hand Steeling, Swede Saw, Gold Panning, Track Stand, Survey e Jackled Drilling.

“Tudo é baseado em técnicas antigas. A bateia relembra os mineradores que iam procurar ouro, metais pesados em riachos. A serra é porque eles utilizavam muita madeira para fazer as estruturas e também os trilhos e os dormentes manualmente, para depois encher o carrinho de minério e transportá-lo. Perfurar a rocha para colocar explosivos também era manual. Topografia era importante para a população se localizar ou então, fazer uma planta do local que vai trabalhar”, explica o estudante André Lopes.

O ouro da equipe veio com a Survey, uma prova de topografia com equipamentos antigos, e a prata com a Swede Saw, onde um competidor tem que serrar no menor tempo possível uma seção de madeira. Em 2015, o time conseguiu medalha de bronze na prova “Survey” e ficou em em 17º lugar na classificação geral.

Equipe conquistou medalhas de ouro e prata em duas provas este ano, poços de caldas (Foto: Time Mining Games da Unifal-MG)
Equipe conquistou medalhas de ouro e prata em duas provas (Foto: Time Mining Games da Unifal-MG)

Além de competir, os integrantes do time conheceram a cidade e algumas minas. “Foi uma grande experiência, aprendemos a lidar com pessoas com outro idioma, cultura, jeito e, profissionalmente, adquirimos mais conhecimentos na área da engenharia de minas”, conta Cintra.

Vaquinha
Em novembro do ano passado, após perder o principal patrocinador, a equipe criou uma “vaquinha” na internet para arrecadar dinheiro. Com a ajuda das doações, a conquista de um novo patrocinador e festas, o time conseguiu em torno de R$ 10 mil. “Nós precisávamos de R$ 30 mil para custear todas as despesas, mas com o dinheiro arrecadado nós conseguimos nos adaptar e fazer com que os gastos fossem os menores possíveis”, explica Paula.

Equipe de Poços de Caldas já inicia busca de recursos para competição em 2018 (Foto: Time Mining Games da Unifal-MG)
Equipe já inicia busca de recursos para competição em 2018 (Foto: Time Mining Games da Unifal-MG)

Em abril deste ano, uma nova “vaquinha” será aberta. Desta vez, o intuito é que eles consigam dinheiro para quitar as dívidas feitas com a viagem, além de começar a se prepararem financeiramente para a edição do próximo ano, que ainda não tem data e lugar.

*Sob a supervisão de Samantha Silva

Fonte: G1 Sul de Minas

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