Em déficit, Urpa passa a atender somente moradores de Lavras

A Secretaria Municipal de Saúde de Lavras,  anunciou que a Unidade Regional de Pronto Atedimento não vai mais atender pacientes de outras cidades. O município alega que a arrecadação não cobre os custos para que a URPA atue como hospital, e, portanto, a unidade funcionará somente como pronto atendimento.

A mudança já vinha sendo estudada há algum tempo e, inclusive, chegou a ser anunciada pela prefeitura no primeiro semestre deste ano. Desta forma, a prefeitura diz que poderá reduzir os atendimentos de 350 para 230 por mês, diminuindo o custo operacional, que gira em torno de R$ 16,8 milhões por ano.

“Com essa mudança, nós esperamos economizar aproximadamente R$ 6 milhões por ano. Esse é o nosso objetivo”, afirma Leandro Moretti, secretário de Saúde de Lavras.

Moretti diz ainda que a ideia era que os municípios conveniados continuassem sendo atendidos. Só que para isso, além dos repasses, que somandos chegam a R$ 270 mil por ano, cada uma das nove prefeituras teria que entrar com uma contrapartida.

“Eles não aceitaram, que era um custo de R$ 6 por habitante por mês. Eles não aceitaram, e por isso nós tivemos que tomar esta providência”, explica o secretário.

Desde então, a Urpa passou a atender somente moradores do município. A única exceção é para resgates feitos pelo Samu. Mesmo assim, a prefeitura deu um prazo de 40 dias para que o serviço de urgência mude o credenciamento para um dos hospitais da cidade.

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Questionamento
Insatisfeitos com a situação, secretários de Saúde de pelo menos cinco cidades da região se reuniram para estudar uma alternativa para os municípios. Eles dizem entender que todas as prefeituras enfrentam dificuldades, mas questionam como uma unidade construída para ser regional pode se municipalizar e suspender os atendimentos.

“O secretário [de Lavras] só nos passou que a partir da última semana de agosto não iria atender mais os municípios, sendo que a situação é bem mais complexa que do que isto. A Unidade Regional de Pronto Atendimento não é um comércio, onde você tira uma placa em um dia e no outro dia ela é outra coisa. Tem que ser um meio oficial, através do estado. Isso não foi nos comunicado até hoje”, diz João Paulo Leite, secretário de Ingaí (MG)

“A gente precisa de parceria, a gente precisa da compreensão do secretário de Saúde de Lavras, [para] sentar e negociar com a gente, porque quando envolve recurso financeiro, foge ao controle do gestor. Tem que ter uma negociação de prefeitos, do governo do estado, do governo federal e também uma atualização da tabela SUS, que está muito desatualizada”, completa Leidinara Rocha, secretária de Ribeirão Vermelho (MG).

O secretário de Saúde de Lavras disse que vai se reunir com representantes de todos os municípios da micro região para explicar as dificuldades financeiras da Urpa. Já o Ministério da Saúde informou que a gestão da unidade é local e por isso não precisa de autorização do Governo Federal para mudar a forma de atendimento.

A direção do Samu informou que a Santa Casa de Lavras foi escolhida para participar da Rede Hospitalar, mas não teve interesse em atender os pacientes do serviço. Uma revisão da Rede será feita e, enquanto isso, os pacientes serão encaminhados para hospitais de outras cidades.

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