Denúncia pode suspender aulas gratuitas de jiu-jítsu em Pratápolis

Uma denúncia ao Ministério Público (MP) pode acabar com um projeto que oferece aulas gratuitas de jiu-jítsu para crianças e jovens em Pratápolis. As aulas são dadas em um espaço cedido pela prefeitura sem lei municipal, e para o MP, isso pode caracterizar improbidade administrativa.

O professor de jiu-jítsu Fábio Ceribelli criou o projeto há dois meses, que atende 60 crianças e adolescentes da cidade. Para comprar parte do tatame, ele vendeu a própria moto. As aulas acontecem no Centro Cultural da cidade.

“A gente ficou muito triste. As crianças, principalmente os menores, ficaram apavorados falando: ‘nossa, eu gostei tanto e vou ter que parar’. As mães ficaram preocupadas e tal. Muito triste. Se você tirar esse projeto deles, eles vão pra rua”, lamenta Ceribelli.

O problema é que o projeto ainda não virou uma lei municipal, e pelas aulas acontecerem em um espaço público, pode caracterizar improbidade administrativa. Por isso, a Promotoria recomendou que a prefeitura suspenda a permissão de uso do prédio. Segundo o órgão, a ação pretende resguardar os direitos futuros das crianças e do idealizador do projeto.

Aulas jiu-jítsu, Pratápolis, MG (Foto: Reprodução EPTV)Aluno desde o início do projeto, João Antônio quer ser faixa preta e lamenta possibilidade das aulas acabarem
(Foto: Reprodução EPTV)

Pai de uma das alunas, Tales Mizael conta que a filha passou a gostar do esporte e não esconde a preocupação com a possibilidade do projeto acabar.

“Vai ficar complicado, porque aí não tem outra atividade para essas crianças fazerem aqui [em Pratápolis] não”, desabafa. Ele completa dizendo que não teria condições de pagar aulas particulares para a filha praticar a atividade.

O menino João Antônio Soares, que está no projeto desde o começo, também está chateado se tiver que parar de lutar. “Nossa, vai prejudicar muito a gente, principalmente eu que quero seguir o conselho do meu professor e ser faixa preta também.”

O prefeito José Eneido Modesto (PMDB) disse que autorizou o uso do espaço porque o projeto social é sério e que atenderia as crianças que ficavam sem ocupação, mas se comprometeu a resolver a situação até o fim do mês.

“Nós vamos enviar à câmara um projeto já amplo, tanto pra esse projeto como para outros que virão, pra que a gente tenha a regulamentação. Nós vamos tentar criar essa lei e, nós temos aí alguns dias pra responder pro promotor, e espero que a gente consiga regulamentar para não prejudicar esse projeto”, promete.

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